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O filme proibido de Jafar Panahi

19.02.2013
 
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Condenado a prisão domiciliar e proibido de fazer filmes, o cineasta iraniano Jafar Panahi procura, mais uma vez, contornar sua condenação. Pouco antes de confirmada sua sentença, Panahi conseguiu enviar clandestinamente para a França o que se chamou Isto não é um filme, feito em parceria com Mojtaba Mirtahmasb.

Agora, no Festival de Berlim, em parceria com Kamboiya Partovi, Jafar Panahi mostra, em 106 minutos, Cortinas fechadas, incluído na competição, um filme alegoria sobre sua impossibilidade de contato com o mundo exterior. O governo alemão pediu ao governo iraniano para permitir ao cineasta participar da première de lançamento do seu filme em Berlim. Porém, não houve resposta.

Assim, quem apresentou e explicou o filme foi Partovi, acompanhado da atriz iraniana Maryam Moghadan. Jafar Panahi é conhecido no Brasil, convidado diversas vezes pelo antigo diretor da Mostra de São Paulo, Leon Cakoff. Quem acompanha o Festival de Locarno, onde foi lançado Abbas Kiarostami e o próprio Panahi sabe que os cineastas iranianos, mesmo quando premiados, não são bem recebidos ao regressarem.

O que mostra o filme de Panahi com Partovi ? Chega de carro na casa de Jafar Panahi, um senhor puxando uma mala de rodas. Entra, abre a mala e de dentro sai um cachorro. A seguir, fecha todas as cortinas da casa e raspa o cabelo da cabeça. Isolado lá dentro, ouve que batem na sua porta e vai abrir. Entra um jovem casal que se diz perseguido pela polícia, e logo um policial bate na porta com insistência. Ninguém abre e ele vai embora. Nisso, o jovem parte e deixa a companheira, por sinal curiosa e que tenta abrir todas as cortinas.

Tanto Panahi como visitantes não vêem a jovem e o senhor de cabeça raspada, que por diversas vezes verifica com a chave se a porta está bem fechada. Partovi explica que a chave fecha de fora para dentro e de dentro para fora, mas não impede que entrem coisas dentro da casa e do interior da casa saiam coisas para fora.

Em outras palavras, nada é hermeticamente fechado. A censura e o controle das idéias não conseguem impedir que elas circulem.

Partovi não tem idéia de qual será a reação do governo iraniano, diante do filme exibido em Berlim, mas revela que o circulo de pessoas que se relacionam com Panahi ou que aceitam participar de seus projetos (« para evitar a depressão ele precisa ter alguma atividade », diz Partovi) se tornou bastante restrito.

Rui Martins

 


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