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Os espelhos da história

18.11.2008
 
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Este enorme despropósito foi um cárcere de luxo – foi e segue sendo – construído na Praça...um cárcere de luxo.
Havia fundadas suspeitas de que o herói podia escapar um século e meio depois de sua morte. Para decorar o mausoléu e dissimular a intenção, a ditadura militar buscou frases do prócer, mas o homem que havia feito a primeira Reforma Agrária da Europa, meio século antes que Lincoln, um século antes que Zapata; o general que se fazia chamar “cidadão Artigas”, tinha dito que “os mais infelizes devem ser os mais privilegiados”; que jamais iria “vender nosso rico patrimônio ao baixo preço da necessidade” e que “sua autoridade emanava do povo e cessava diante do povo”.


Os militares não encontraram nenhuma frase que não fosse perigosa. Então, decidiram que Artigas era mudo, e nas paredes de mármore negro não há mais do que datas e nomes.


Há mais de meio século, o Uruguai não ganha um Campeonato Mundial de futebol, mas durante a ditadura militar compensou e conquistou outros duvidosos troféus: foi o país que, proporcionalmente, teve o maior número de presos políticos e torturados.


A prisão com o maior número de presos foi chamada de “Liberdade”. Como rendendo homenagem ao seu nome, palavras presas fugiram de suas grades; escorreram por elas os poemas que os presos escreviam em minúsculos papéis de enrolar cigarros...como este.


Às vezes chove e te quero. Às vezes sai Sol e te quero. A prisão é às vezes...sempre te quero.


Tradução: Katarina Peixoto

Carta Maior

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