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A pessoa do Pessoa, Um Fernando Poeta de Portugal

14.06.2018
 

 

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A pessoa do Pessoa, Um Fernando Poeta de Portugal

Ao meu "Pessoa" predileto e preferido

N

Fernando Pessoa, o maior Poeta da língua portuguesa, paradoxal em si mesmo, contraditório e insatisfeito pela própria natureza - no chamado contexto literário do "fazer poético"- , e numa uniformidade vivenciada para remotos tempos tenebrosos, com seus hilários (e históricos) heterônimos, foi, ele mesmo - pôr incrível e inaudito que isso possa parecer - diverso, e, em sua variedade de "entes" (ou euses), todos os tantos, num só pomo, ou tomo criativo/criacional reflexivo, e de eixo notório nesses duplos sentidos: cult e polivalente: Um "Sentidor". A poesia pela própria poesia, que dura incólume para mais de décadas, cada vez mais lida, investigada, questionada, filosófica, paradoxalmente anti-conceitual, enigmática pelo estilo, como se com contrastes literários, fundado num só mesmo homem, a pessoa do Pessoa.

Mesmo sendo da terra de Camões, o letraviva e imortal-memorial, ainda assim quebrou rimas, desmontou métricas, e até a matemática rococó da literatura de seu tempo, viajou para o muito além de si mesmo, do estar em si, e do ser de si consigo, e, um fingidor que era e que fingia que era, encorpou seus vários condinomes, tomou seu vinho diário, (morreu de cirrose - porque é melhor morrer de álcool do que de tédio - parafraseando Maiakovski), mas deu testemunho de seu tempo, por diversas antiliricas maneiras igual aos nossos tempos de globalização inumana e amoral, em que os seres estavam perdidos, em que as navegações mais deram sal do que conquistas, desde os mares de Portugal, muito mais que exóticas explorações de mapas sacrificiais.

Um mito. Um gênio. Mas ainda assim um eterno ponto de interrogação enquanto durou, falecendo muito jovem, mas até então permanecendo moderno (pós, pan, multimídia; ultramoderno?), e assim, dando testemunho da busca de si mesmo, em pegadas íntimas, trabalhando o vinho-verbo da língua própria, a língua pátria (mátria, Caetaneando), despojando as suas conjecturas, desdizeres, paradoxos, sendo Vários e múltiplos (multitranspolar?) em um, com extremismos de renúncias, pertencimentos, questionários, e a questão humana de subviver entre "normais", "comuns" entre contrastes, matizes e iluminuras.

                               Essa foi a  pessoa do Pessoa,    

Fiel a si mesmo, como nunca dantes, visionário por excelência. Um exótico entre babaquaras?. Morreu inédito e a sua primeira obra formatada (Mensagens), depois, mesmo de uma Lisboa Revisited, foi o testemunho de seu tempo, de um lugar, de um fingidor que nunca houve tão igual no contraditório, ao mesmo tempo que verdadeiro, pujante, humano e vivenciador de suas erranças e sofrências.

Amou e não foi amado? Armado. "Almou-se"?

Poetizou.

Um homem fora do contexto "normal" de sua época anormal?

Poetizou.

Contrariou regras, detonou normas, não aceitou o modus operandi de todos iguais a todos, mas foi além de sua época nesse quilate. E assim Poetizou como ninguém.

Com Walt Whitman (a quem dedicou Poema), também deu testemunho de um contrafeitio social, contestando-o, passando o seu depoimento para muito além de para sempre, como Neruda, Brecht, Lorca, Rilke, Sylvia Plath, Drummond e tantos outros.

Contestador de sua época, de zil melindres sociais, incautas imposições oficiais, igreja-nódoa, sociedade-charneca, parecia mais que um sábio alienado decodificando momentos e avessos históricos. Feito antena de sua época, só para citar Rimbaud. Houve escuro mas ele cantou em sua poesia prosaica, porque já antevia que o importante é que a emoção sobrevivesse.

Poesia é a respiração da alma?

Criou-se uns outros em si mesmo, dividiu-se para ser uno, e permanecer fiel ao seu talento, sua lucidez, seu cálice de fino calibre.

Era outro, tantos outros. Uns são?

A máscara de seus heterônimos formais estavam coladas à sua face, espírito ou ilhas de renúncias íntimas? Quem foi ele exatamente? E quando? E quanto! Quem foi a pessoa do Fernando Pessoa?  Era tanto sem nunca ter se perdido de si.  E por isso mesmo, único. Ou o "perder-se de si" era exatamente o verbo Poetar? Lição da vida e coragem, num contexto histórico. Com cantou Caetano: "Uns são/Uns não/Uns vão/Uns hão/Uns drãos (acréscimos meus)/Uns grãos..." (parafraseando, acrescendo outros), pois existem OUTROS. E Pessoa foi esse um OUTRO em si mesmo, tanto, entre tins e tons e tais. Tantos em si mesmo. Tantos em um só Ser. Um iluminado  que não foi enxergado pelos parvos e comuns de seu tempo.  Um alumbrado táctil e isso só: um SER!

Canteiros de um só ser, enluado. Paradoxal. Fermento entre cravos. Jasmineiro ancorado no porto-solidão de sua solidão-albatroz?

Fragmentado e inteiro, universal e lusitano. Diversificado e pleno do Ser em si, infinitalmente uno.

Tudo em "Ele" mesmo.

A persona do Pessoa.

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Poeta Prof. Silas Corrêa Leite

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Silas Corrêa Leite, Educador (Prefeitura, Estado, Particular), Jornalista Comunitário e conselheiro diplomado em Direitos Humanos, ciberpoeta e livre pensador humanista, começou a escrever aos 16 anos no jornal "O Guarani" de Itararé-SP. E-mail: poesilas@terra.com.br-

http://artistasdeitarare.blogspot.com.br/

 


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