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O rato que ruge

12.07.2017
 
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O rato que ruge

Confesso que tenho uma certa simpatia pelo Kim Jong Un. Poucos têm a coragem dele para desafiar os Estados Unidos.

Por isso mesmo me atrevo a sugerir, ao líder da Coreia do Norte que veja o filme inglês de 1959, o Rato que Ruge ( The Mouse that Roared), com o Peter Sellers fazendo três papeis (a Duqueza Gloriana XII, o primeiro ministro Ruppert "Bobo" Mountjoy e o Marechal Tully Bascomb).

Caso Kim se disponha a conhecer a história vai ter boas ideias de como se pode enfrentar o imperialismo americanos.

A economia de Fenwick, um hipotético país mais situado entre a França e a Suíça, está na bancarrota, pois o vinho, seu único produto de exportação, sofre a concorrência de um produto similar mais barato criado nos Estados Unidos da América, seus antigos importadores. Então a governante do país, a Duquesa Gloriana XII, é convencida pelo primeiro-ministro "Bobo" Mountjoy a declarar guerra aos americanos, com o único propósito de perder e depois conseguir financiamento para a "reconstrução", numa referência satírica ao Plano Marshall.

Mountjoy incumbe o atrapalhado Marechal Tully Bascomb de liderar a força de ataque, que invade Nova Iorque munida de arcos e flechas.

A invasão é completamente ignorada pelas autoridades americanas, pois a declaração de guerra de Fenwick (que anteriormente havia sido até motivo de riso para o ministro americano das relações exteriores) se extraviara no meio da papelada diplomática.

Em Nova Iorque, todos estão ocultos sob abrigos subterrâneos por causa do teste de uma nova bomba superpoderosa. Sem ninguém para combater, os 22 arqueiros vagueiam pelas ruas e por mero acaso encontram o cientista responsável pelo desenvolvimento da bomba e sua filha, sequestrando-os e levando-os com o poderoso artefato para Fenwick, juntamente com alguns oficiais do exército americano.

Ao retornar ao país Bascomb conta à incrédula Duquesa sobre a mudança de planos e que Fenwick havia "vencido a guerra". De fato, ao saber que a poderosíssima Bomba "Q", capaz de destruir todo um continente, estava em poder do diminuto e quase desconhecido país, as autoridades americanas vêem que não lhes resta alternativa a não ser render-se a Fenwick.

O país, por fim, acaba impondo aos Estados Unidos algumas sanções, como o pagamento de um milhão de dólares e a retomada do mercado americano para seu vinho, além do completo armistício mundial.

Marino Boeira é jornalista, formado em História pela UFRGS

 


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