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Com ou sem Boas Maneiras em Locarno?

08.08.2017
 
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Com ou sem Boas Maneiras em Locarno?

Uma parte do público aplaudiu o filme Boas Maneiras, de Juliana Rojas e Marco Dutra, na sua estreia na competição internacional no Festival Internacional de Cinema de Locarno, mas teria sido por boas maneiras? 

Uma parte da crítica tem dúvidas, alguns pediram tempo para pensar quando perguntados, houve os que gostaram e os que se decepcionaram. Em síntese, não há unanimidade na reação, o que garante críticas positivas, que poderão influenciar a crítica brasileira.

Começando pela boa notícia, podemos quase apostar num prêmio de melhor interpretação para Isabel Zuaa, pela sua segurança e excelência no papel de mãe adotiva do lobisomem. 

Ela é a enfermeira e doméstica envolvida num caso homoafetivo com a mãe biológica da estranha criatura, meio-homem meio-lobo, concebida numa noite de lua-cheia, cujo ventre explodiu no momento do parto, no estilo dos ovos do Alien implantados em ventres alheios.

Isabel é o anjo da guarda do pequeno Joel, que dorme num calabouço, bastando uma noite de fuga para devorar seu companheiro de brinquedos. Ela protege também o filme, com sua figura de bela mulher negra e deixa a impressão de haver na São Paulo rica uma perfeita integração com a periferia pobre. Porém, trata-se de um fábula, mais ao estilo Disney que de Grimm ou La Fontaine. 

Alguém dentro de casa guarda um lobo, disfarçado em criança normal, criança vegetaliana, mas morrendo de vontade - mesmo sem saber - de comer um bife ou qualquer coisa com sangue, mesmo sem ser churrasco. 

Isabel vai além de merecer o premio de melhor atriz, ela merece um premio dos direitos humanos por tentar ou ter conseguido humanizar o garoto lobisomem. Será que ele continuará vegan?

Logo no início, quando o filme As Boas Maneiras começa a dar os primeiros sinais de filme sobrenatural, a tendência é de se pensar num outro bebê, encomendado no ventre de Mia Farrow por satanistas. Digamos que o bebê diabo de Rosemary poderia ter sido primo do bebê lobisomem de Clara. Porém, não há possibilidade de se comparar fotos ou imagens, porque Roman Polanski não mostrou esse filho do diabo, que deveria ter dois chifrinhos e um rabo em ponta de seta. 

Já pensaram o susto, se Polanski nos tivesse brindado com um close do bebê de Rosemary? Mas o sabido polonês evitou materializar o filho do diabo, sabendo que, mesmo nos Estados Unidos, os minutos finais de seu filme seriam comprometidos com a figura kitch de um diabinho vermelho de chifres e rabo. 

Rui Martins está em Locarno, convidado pelo Festival Internacional de Cinema.

 


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