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Novo livro de Machado de Assis em russo

08.08.2007
 
Novo livro de Machado de Assis em russo

O Centro Lusófono Camões da Universidade Pedagógica Estatal de Hertzen, de São Petersburgo (Rússia), com o apoio financeiro do Ministério das Relações Exteriores do Brasil e da Embaixada brasileira em Moscou, acaba de lançar mais um livro de Machado de Assis (1839-1908) em edição bilingüe (russo-português), com prefácio do jornalista e escritor Adelto Gonçalves, doutor em Letras pela Universidade de São Paulo e professor de Jornalismo da Universidade Santa Cecília (Unisanta) e do Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte), de Santos-SP.

Machado de Assis – contos escolhidos reúne 13 contos, que foram traduzidos por especialistas russos sob a supervisão do professor Vadim Kopyl, diretor do Centro Lusófono Camões. Os contos são “Teoria do medalhão”, “O segredo do bonzo”, “O anel de Polícrates”, Mariana”, “O diplomático”, “Verba testamentária”, “Conto de escola”, “A cartomante”, “Evolução”, Trio em lá menor”, “Conto alexandrino”, “O cônego ou metafísica do estilo” e “O dicionário”. Em 2006, o Centro Lusófono Camões já havia lançado Machado de Assis: contos, reunindo outros 12 textos machadianos, também com prefácio do professor Adelto Gonçalves.

No prefácio “Machado de Assis: ironia e sedução”, o professor Adelto Gonçalves faz uma aproximação do autor brasileiro com o romancista russo Dostoievski (1821-1881), afirmando que ambos refletem o pensamento pessimista do século XIX, de que nada de grandioso se poderia esperar do homem. “Olhando agora para o que foi o século XX, de fato, esse pessimismo não era nada fortuito”, observa o autor do prefácio, lembrando que é pouco provável que Dostoievski tenha exercido qualquer influência sobre Machado de Assis, ainda que este o tenha citado numa crônica de 1889.

Ao explicar o interesse despertado tanto por Machado de Assis como por Dostoievski nos dias hoje, o prefaciador diz que ambos tratam de temas de uma atualidade surpreendente e permanente. “São tratados de psicologia que ninguém pode deixar de ler sem que faça um exame da própria consciência”, diz.

Ao se referir a “Conto alexandrino”, o professor observa que Machado de Assis nesse texto antecipa, de modo premonitório, o terror nazista e as experiências do médico alemão Joseph Mengele (1911-1979) no campo de extermínio de Auschwitz, durante a Segunda Guerra Mundial.

O convite a Adelto Gonçalves para participar da edição partiu de Dário Moreira de Castro Alves, embaixador do Brasil em Portugal nos anos 80 e secretário cultural da Embaixada brasileira em Moscou na década de 1960, que lançou recentemente em São Petersburgo a tradução para o português do romance em versos Eugenio Onegin, de Alexandr.Pushkin (1799-1837).

Adelto Gonçalves, 55 anos, é professor de Jornalismo da Universidade Santa Cecília (Unisanta) e do Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte). É ainda mestre em Língua Espanhola e Literaturas Espanhola e Hispano-americana pela USP e autor de Fernando Pessoa: a Voz de Deus (Santos, Editora Universidade Santa Cecília, 1997), Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e Bocage: o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003), entre outros.

É colaborador especial do suplemento Das Artes Das Letras do jornal O Primeiro de Janeiro, do Porto, do Diário dos Açores, de Ponta Delgada, e das revistas Vértice e Colóquio/Letras, de Lisboa, Forma Breve, da Universidade de Aveiro, Cultura: Revista de História e Teoria das Idéias, da Universidade Nova de Lisboa, e Letteratura-Tradizione, da Universidade de Perugia, Itália.

No Brasil, escreve em publicações acadêmicas como Metamorfoses, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Revista do Centro de Estudos Portugueses, da Universidade Federal de Minas Gerais, e nos jornais A Tribuna, de Santos, A Tarde, de Salvador, Jornal do Brasil, do Rio de Janeiro, Gazeta Mercantil, de São Paulo, e Jornal Opção, de Goiânia, entre outros. Foi redator e editor durante dez anos de O Estado de S.Paulo, tendo trabalhado ainda na Editora Abril, Empresa Folha da Manhã e A Tribuna, de Santos. É sócio-correspondente da Academia Brasileira de Filologia.

Adelto GONÇALVES

BRASIL


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