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Medos e Paranóias da Vida

07.10.2008
 
Medos e Paranóias da Vida

“A Metamorfose” surrealista - Como abater medos e paranóias que norteiam nossa alma? Como abater algo abstrato, criado e difundido em nossa mente e que muitas vezes não é do conhecimento das pessoas próximas a nós?

Já imaginou você – estudante de comunicação, professor universitário, delegado, médico, enfermeiro, gerente comercial de uma empresa – acordar transformado em algo asqueroso? Em algo nojento de se ver e que causa repulsa em outras pessoas? Franz Kafka, escritor tumultuado por problemas pessoais, é o autor do livro “A Metamorfose”, obra escrita em 1916 e considerada por muitos autores como surrealista.

“A Metamorfose” conta a história surpreendente de Gregor Samsa, um jovem caixeiro- viajante que vivia com sua família e era o provedor financeiro das despesas da casa. O pai de Gregor estava desempregado, a mãe não trabalhava e a irmã ainda estava na escola. Ele sustentava a família com seu trabalho e salário e não recebia qualquer reconhecimento da família, além de possuir um chefe pérfido.

"Quando certa manhã Gregor Samsa acordou de sonhos intranqüilos, encontrou-se em sua cama metamorfoseado num inseto monstruoso". Para alguns leitores, a descrição do inseto monstruoso refere-se a uma barata, para outros, um besouro. A situação de metamorfose ocorrida com o protagonista da história evidencia uma análise do valor sentimental e do interesse visível que os seres humanos demonstram ter por bens materiais. Ele talvez aponte o desinteresse, a negligencia e o desprezo que a sociedade tem pelos enfermos e por pessoas improdutivas, já que uma pessoa debilitada – transformada em um inseto repugnante – não pode ter de uma vida normal, cotidiana de trabalho e produção, não pode contribuir para o desenvolvimento da sociedade e dos valores burgueses.

A relação de Gregor com a família também sofre mudanças significativas, mas não boas. Enquanto Gregor vai sentindo as transformações de seu corpo, agora um inseto horrível e com um "dorso duro e inúmeras patas", sua família desloca o seu eixo de atenção, assumindo responsabilidades quanto ao pagamento do aluguel e à manutenção da casa. O pai consegue um emprego de porteiro, a mãe, de costureira, e a irmã passa a fazer pequenos serviços domésticos.

Em relação a Gregor, a família assume postura de distanciamento e inquietação. A mãe e o pai não se aproximam do quarto e também não desejam que o filho saia de lá. Gregor é alimentado por sua irmã, a única que entra no quarto para levar comida estragada e outras coisas podres para ele comer. Ao deixar de sustentar a casa o jovem nota a sua real importância no seio da família: talvez nenhuma.

Qual era o maior medo que norteava Gregor? Talvez a resposta seja encontrada nas páginas do livro ou talvez na reflexão individual que cada um faz ao deparar-se com uma situação adversa e conflituosa. Qual era o maior medo que norteava a família de Gregor? Qual é o medo ou paranóia que norteia as nossas vidas? Talvez valha a pena parar e pensar um pouco antes de responder.

PlanetaOsasco.com

Jucelene C Oliveira


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