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Pouca carniça pra muito bico

07.09.2007
 
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Esse troço é muito asqueroso!

Os urubus mais malhados já estavam bem próximos. Acelerei. Velocidade máxima!, deixando pra trás tudo quanto é vírgula, ponto, ponto-e-vírgula, parênteses, o escambau.

Se no Atacama não tiver preá legítimo, deve ter pelo menos algum roedor parente. E daqui pra lá esse bando de urubu vai diminuir, os mais fracos vão cair no oceano.

Oceano?!

Peralá! Estou indo pra África! Chegar no Atacama por aqui, só se eu der a volta à Terra! Essa geringonça não tem autonomia pra isso! Se eu deletar "teco-teco" e digitar "jatinho", os carniceiros não vão conseguir me acompanhar. Preciso voltar, pegar a rota oeste.

Aí pintou um baita problema: se eu desse uma guinada de 180 graus, estouraria o teco-teco na nuvem de urubu.

Olhei pra trás. Observei que considerável parte do bando havia desistido. Já dava pra ver grandes falhas na nuvem. Buracos brancos. Acho que entenderam que é pouca carniça pra muito bico.

Resolvi arriscar. Guinei a bombordo e mirei num espaço vazio. Vupt!

Mergulhei. Senti o maior alívio quando vi a cidade do Rio de Janeiro lá na frente. Maravilhosa! Quando pousei, os urubus fizeram a farra, não sobrou um fiapo da isca artificial.

Desisti da fábula. Apaguei tudo isso aí em cima.

À noite, avaliando a minha malograda tentativa de escrever uma fábula ambientada no Deserto do Atacama, concluí que fui salvo pela pressa e pelo escasso material de que dispunha.

Explico. Como vocês viram, leram ou sentiram, milhares de urubus desistiram do banquete, por entenderem que a carniça, apesar do apetitoso estado de putrefação, não ia dar pra todos. Também teve aqueles que se contentaram com o vômito. Foi aí que apareceram os buracos brancos. Acontece que, devido à minha pressa e à pouca merda pra escrever o nome da isca, pintei apenas

CONG. NAC.

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