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Da farsa à barbárie

05.10.2019
 
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Da farsa à barbárie

O filme Tora, Tora, Tora, que a Sala Redenção da UFRGS exibiu recentemente, tem duas histórias interessantes, a do filme propriamente dita  e a das razões do ataque à base americana de Pearl Harbor,no Haway, no dia 7 de dezembro de  194, então uma base militar no Pacífico e não ainda um estado americano.

Tora, Tora, Tora, o nome em código da operação (Tigre, Tigre, Tigre), é de 1970, foi produzido por duas unidades, uma americana e outra japonesa. A americana tinha a direção de Richard Fleischer e a japonesa deveria ser dirigida pelo grande Akira Kurosava,que acabou se afastando da produção, sendo substituído por Kinji Fukaaku e Toshio Masuda. O elenco não tinha grandes nomes, mas seus atores eram bem conhecidos das produções de Hollywood, como Martin Balsan e Jason Roberts. O mais famoso era Joseph Cotten. Obviamente o filme dá a versão oficial das razões do ataque japonês e o heroísmo dos defensores americanos e se destacou na época pela alta qualidade das cenas de combate, se aproximando bastante de uma linha documental.

A segunda história, mas interessante, é a de que os americanos sabiam da possibilidade do ataque e que o alvo seria Pearl Harbor e, de certa forma estimularam os japoneses a esse ataque desesperado.

Em 1941, a guerra se arrastava há dois anos e os Estados Unidos, quase abertamente, ofereciam equipamentos militares à Inglaterra, embora oficialmente estivessem fora de guerra. A população americana,  segundo pesquisas da época, desaprovavam a participação de soldados dos Estados Unidos nos campos de batalha, mas o governo Roosevelt já percebera que o mundo seria dividido depois entre as potências vencedoras.e não queriam fica de fora.  O interesse econômico dos Estados Unidos estava no Pacífico, onde já tinham montado uma grande base militar no Haway. No verão de 1941, os EUA entraram, junto com a Inglaterra, com um embargo de petróleo contra o Japão. O Japão precisava de óleo para a sua guerra com a China e não tinha outra opção, a não ser a invasão das Índias Orientais e o Sudeste da Ásia para obter novos recursos que necessitava.  Roosevelt queria manobrar o inimigo para que este atacasse primeiro. O presidente precisava de um ataque capaz de levar a opinião pública a uma comoção extrema e com disposição para apoiar uma guerra longa contra um inimigo "desleal e bárbaro".

Pouco antes do ataque, providencialmente, todos os porta-aviões americanos da frota do Pacífico deixaram Pearl Harbor e partiram para os EUA. Só os navios velhos e ultrapassados foram deixados em Pearl Harbor.

Segundo a maioria dos historiadores mais sérios houve ainda outros indícios de que Roosevelt estava bem a par das intenções japonesas:

No dia 27 de janeiro de 1941, Joseph C. Grew, o embaixador dos EUA para o Japão, enviou uma mensagem para Washington afirmando que ele tinha descoberto que o Japão estava se preparando para ataca Pearl Harbor. 

Em 24 de setembro, um despacho da inteligência naval japonesa, para o cônsul geral do Japão em Honolulu foi decifrado. 

A transmissão revelava um pedido de uma grade com as localizações exatas de todos os navios em Pearl Harborr.

Surpreendentemente, Washington optou por não compartilhar essas informações com os oficiais em Pearl Harbor. 

Inclusive, na mesma noite antes do ataque, a inteligência dos EUA decodificou uma mensagem apontando para domingo de manhã, como o prazo estabelecido para algum tipo de ação japonesa. 

A mensagem foi entregue ao alto comando em Washington mais de quatro horas antes do ataque a Pearl Harbor. 

Mas, como muitas mensagens antes, a informação não foi transmitida ao alto comando em Pearl Harbor.

O ataque japonês ocorreu no dia 7 de dezembro de 1941. Os Estados Unidos declararam guerra ao Japão no dia seguinte, 8 de dezembro. A guerra iria durar até agosto de 1945 com a explosão das bombas atômicas sobre Hiroshima e depois Nagasaki.

O que começara como uma farsa terminou com a barbárie atômica.

Marino Boeira é jornalista,formado em História pela UFRGS

 


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