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Deus crê em Deus que crê em Deus que crê em Deus...

04.07.2011
 

Fernando Soares Campos

 

Deus crê em Deus que crê em Deus que crê em Deus.... 15250.jpeg"Por certo são maravilhosas as conquistas da ciência moderna. Contudo, a melhor forma de conhecer os segredos da natureza não é inventar instrumentos, mas sim o investigador aperfeiçoar-se a si mesmo. O homem tem em si faculdades que eliminam a distância, e em grau muito maior do que os mais potentes telescópios e microscópios podem consegui-lo em comparação com o olho nu. Esses sentidos ou faculdades são os meios de investigação usados pelos ocultistas, sendo também por assim dizer, o 'abre-te Sésamo' na procura da verdade." (Max Heidel, em "Conceito Rosacruz do Cosmos - ou Cristianismo Místico", 1909.)

                                                                                                                    

Desde o princípio, quando da aparição do ser humano sobre a Terra, o homem observa atentamente o mundo em que está inserido, inclusive com a curiosidade voltada para si próprio, tentando compreender o princípio de todas as coisas, a origem do universo imediato, tudo aquilo que está ao alcance de nossas vistas e sentidos em geral.

 

 

O firmamento, as estrelas, a Lua, o Sol, campos e florestas, as águas em suas diversas concentrações, sejam os mares e oceanos, rios e lagos, nuvens e o fenômeno da chuva, o fogo, as rochas, a imensa variedade de animais e vegetais, tudo isso sempre inquietou a alma humana, despertando-lhe o interesse em identificar e conhecer o começo e o fim do Universo, a origem e o destino da humanidade.

 

O sentimento da existência de Deus é universal. Em toda a face da Terra, desde tempos remotos, o ser humano professa a crença no Criador de todas as coisas. As formas expressas variam apenas de acordo com a época e o lugar, porém todas convergem para a existência de um ser regente universal, perfeito, justo, onipresente, onisciente e onipotente.

 

O ateu

 

Há quem acredite que Deus é fruto da fértil imaginação do ser humano, afirmando que a imagem e predicados divinos teriam sido criados pelo homem com o propósito de explicar o inexplicável, ou transmitir certa noção sobre aquilo que ainda não compreendemos. Para esses, as chamadas leis divinas foram "promulgadas" pelas religiões, a fim de exercerem controle social, refreando as más inclinações humanas.

 

 

 

O fanático

 

Há os que acreditam num deus à semelhança das imperfeições humanas, um deus capaz de amar, mas também de odiar. Quem de nós não ouviu pregações sobre um deus capaz de se irar ("A ira de Deus!")? Um deus capaz de lançar maldições sobre indivíduos ou coletividades humanas. Esses falam de um deus que ama apenas os bons, os obedientes, e condena os maus, os rebeldes, a penas eternas, sem direito a se redimirem de suas faltas. Um deus com características humanas, mas nem de todos os humanos; pois, nesse caso, existiriam pessoas até mais indulgentes que o próprio Deus: aquelas que se compadecem dos que ainda permitem que seus instintos se sobreponham à razão, praticando delitos contra suas próprias consciências.

 

Entretanto, ateu ou fanático, ambos têm lá suas razões de assim se comportarem. E podemos supor que tais razões seriam as mesmas para um e para o outro. Eles se distinguiriam apenas pelos caminhos escolhidos.

 

Em geral, ateu e fanático são o resultado de uma formação ou orientação religiosa distorcida, aquela que prega uma divindade à semelhança das imperfeições humanas. Diante de tal doutrina e em vista da impossibilidade de se identificar signos de lógica que alimente tal raciocínio, o primeiro optou por não acreditar em nada que se reporte a um ser supremo, nega-se a ser criatura. A evolução humana, para ele, é atributo exclusivo da matéria; e a alma, ou espírito, não lhe passa de uma abstração, resultado de processos mentais gerados por funções orgânicas, reflexos de um fenômeno puramente material que se apagaria após a morte do corpo físico. O segundo se deixou dominar pelo medo e aceita, sem qualquer questionamento, os princípios estabelecidos por supostas autoridades religiosas. Permite que os outros pensem por si.

 

O que ou quem é Deus?

  

O que distingue as religiões entre si são, basicamente, as interpretações que elas dispõem sobre a origem do Universo e das leis que regem a existência e comportamento dos seres animados e inanimados que compõem o cenário universal. A aceitação de tais interpretações está condicionada ao grau de instrução de cada indivíduo e aos nossos processos de recepção sensorial mais específicos: visão, audição, paladar, tato e olfato, e estão, invariavelmente, atreladas aos interesses imediatos de indivíduos ou de castas. Porém, se analisadas com o espírito despojado de sentimentos inferiores, como, por exemplo, o orgulho ilusório, e de paixões sem reservas, podemos perceber que as divergências interpretativas, na maioria dos credos religiosos, se sustentam apenas na superfície de pretensas filosofias que atendem a objetivos de dominação e consequente proveito por parte dos dominadores. Contudo uma análise um pouco mais aprofundada pode nos revelar que em geral estariam manifestando, basicamente, os mesmos conceitos. "Todos os caminhos levam a Roma", porém existem os mais ou menos curvos, os mais ou menos íngremes, os bem pavimentados e os esburacados, os mais largos e os mais estreitos, enfim, os mais ou menos adequados, os que oferecem maior ou menor risco, mais ou menos esforço...

 

O Espiritismo, doutrina fundamentada no conjunto de cinco livros que recebe a denominação de Codificação Kardequiana (de Allan Kardec), trata, na obra intitulada Livro dos Espíritos, da definição daquilo que vem a ser Deus, as provas de sua existência e os atributos da divindade. Também desenvolve temas relacionados com a imortalidade da alma, a natureza dos espíritos e suas relações com o homem, entre outras abordagens. O livro é composto de 1018 perguntas elaboradas por Kardec, e as respostas teriam sido dadas por espíritos que já alcançaram alto grau de evolução moral. A primeira pergunta é: "O que é Deus?", a qual recebeu a seguinte resposta: "Deus é a inteligência suprema, causa primária de todas as coisas".

 

 

2 - O que devemos entender por infinito?

- O que não tem começo nem fim; o desconhecido; tudo o que é desconhecido é infinito.

3 - Poderíamos dizer que Deus é infinito?

- Definição incompleta. Pobreza da linguagem dos homens, que é insuficiente para definir as coisas que estão acima de sua inteligência.

 

A pergunta número quatro se refere a provas da existência de Deus: "Onde podemos encontrar a prova da existência de Deus?" Resposta: "Num axioma que aplicais às vossas ciências: não há efeito sem causa. Procurai a causa de tudo o que não é obra do homem, e a vossa razão vos responderá". Segue-se um comentário de Kardec: "Para acreditar em Deus, basta ao homem lançar os olhos sobre as obras da criação. O universo existe, portanto ele tem uma causa. Duvidar da existência de Deus seria negar que todo efeito tem uma causa e admitir que o nada pudesse fazer alguma coisa".

 

Atributos da Divindade

 

Ainda extraído do Livro dos Espíritos:

 

 

10 - O homem pode compreender a natureza íntima de Deus?

- Não, falta-lhe, para isso, um sentido.

11 - Um dia será permitido ao homem compreender o mistério da Divindade?

- Quando seu Espírito não estiver mais obscurecido pela matéria e, pela sua perfeição, estiver mais próximo de Deus, então o verá e o compreenderá.

 

Comentário de Kardec: "A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da humanidade, o homem O confunde muitas vezes com a criatura, da qual lhe atribui as imperfeições; mas, à medida que o senso moral nele se desenvolve, seu pensamento compreende melhor o fundo das coisas, e ele faz uma idéia de Deus mais justa e mais conforme ao seu entendimento, embora sempre incompleta".

 

 

12 - Se não podemos compreender a natureza íntima de Deus, podemos ter idéia de algumas de suas perfeições?

- Sim, de algumas. O homem as compreende melhor à medida que se eleva acima da matéria. Ele as pressente pelo pensamento.

13 - Quando dizemos que Deus é eterno, infinito, imutável, imaterial, único, todo-poderoso, soberanamente justo e bom, não temos uma idéia completa de seus atributos?

- Do vosso ponto de vista, sim, porque acreditais abranger tudo. Mas ficai sabendo bem que há coisas acima da inteligência do homem mais inteligente, e que a vossa linguagem, limitada às vossas idéias e sensações, não tem condições de explicar. A razão vos diz, de fato, que Deus deve ter essas perfeições em grau supremo, porque se tivesse uma só de menos, ou que não fosse de um grau infinito, não seria superior a tudo e, por conseguinte, não seria Deus. Por estar acima de todas as coisas, Ele não pode estar sujeito a qualquer instabilidade e não pode ter nenhuma das imperfeições que a imaginação possa conceber.

 

E comenta Kardec: "Deus é eterno. Se Ele tivesse tido um começo teria saído do nada, ou teria sido criado por um ser anterior. É assim que, de degrau em degrau, remontamos ao infinito e à eternidade. É imutável; se estivesse sujeito a mudanças, as leis que regem o universo não teriam nenhuma estabilidade. É imaterial, ou seja, sua natureza difere de tudo o que chamamos matéria; de outro modo não seria imutável, porque estaria sujeito às transformações da matéria. É único; se houvesse vários deuses, não haveria unidade de desígnios, nem unidade de poder na ordenação do universo. É todo-poderoso, porque é único. Se não tivesse o soberano poder, haveria alguma coisa mais ou tão poderosa quanto Ele; não teria feito todas as coisas e as que não tivesse feito seriam obras de um outro Deus".           

 

 

 

Personificação de Deus

  

Inspirado pelos espíritos evoluídos que o acompanharam nos trabalhos da Codificação, Allan Kardec formulou perguntas e teceu comentários às respostas. Observe que Kardec não perguntou "quem é Deus", mas sim "o que é Deus". Ambas as partes concordam que "a pobreza da linguagem dos homens é insuficiente para definir as coisas que estão acima de sua inteligência", conforme afirmaram os espíritos. E concluiu Kardec: "A inferioridade das faculdades do homem não lhe permite compreender a natureza íntima de Deus. Na infância da humanidade, o homem O confunde muitas vezes com a criatura, da qual lhe atribui as imperfeições...".

 

Considerando a pobreza da linguagem humana e a nossa inferioridade intelectual, Jesus, quando entre nós encarnado, se utilizou, em diversas ocasiões, de prático método de comunicação que nos facilitaria compreender melhor as mensagens divinas: a parábola, narrativa alegórica capaz de estabelecer uma comparação entre o comportamento humano e os preceitos morais estabelecidos na nossa consciência desde o momento da criação; mas ainda em estado latente, em função da densa materialidade a que estamos sujeitos.

 

Porém Jesus não se expressou apenas por figuras de linguagem, ele também empregou o discurso direto, mesmo sabendo que somente muito adiante, quando avançássemos no campo científico e na elevação moral, poderíamos melhor entender algumas de suas declarações, como, por exemplo, quando afirmou: "Vós sois deuses". E acrescentou: "Podeis fazer tudo que faço e muito mais". Com isso, o Mestre de Nazaré evidenciou que aquilo que nos distingue um dos outros, inclusive dele próprio, é o grau de evolução que cada indivíduo haja conquistado.

 

 

Também o Pai a quem Jesus tantas vezes se referiu não é "a causa primária de todas as coisas", mas, sim, a personificação de Deus, uma entidade em altíssimo grau de evolução, da qual Jesus é assessor direto para as questões referentes à humanidade terrena. "Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém pode ir ao Pai senão por mim." João, 14 - 6.

 

Quando Jesus afirmou "Eu e o Pai somos Um", ele fazia referência à união entre as criaturas através do Espírito Santo ("inteligência suprema, causa primária de todas as coisas"), o Deus eterno e infinito, do que jamais desvendaremos o mistério de sua natureza íntima em toda extensão; do contrário, não seria eterno, infinito.

 

Voltemos à pergunta número onze do Livro dos Espíritos: - Um dia será permitido ao homem compreender o mistério da Divindade?

Resposta: - Quando seu Espírito não estiver mais obscurecido pela matéria e, pela sua perfeição, estiver mais próximo de Deus, então o verá e o compreenderá.

 

Veremos Deus personificado, o Pai a quem Jesus se reporta, pois esse é uma entidade perpétua, como cada um de nós. Perpétuo porque tem um começo, é criatura eternizada, imortal, não tem fim. E aí, diante dele, compreenderemos com relativa clareza "o que é Deus", a Lei Suprema que rege o Universo, eterna, imutável, imaterial e única a "inteligência suprema, causa primária de todas as coisas".

 

 

 

Hierarquia Universal

 

"Rezam as tradições do mundo espiritual que, na direção de todos os fenômenos do nosso Sistema, existe uma comunidade de espíritos puros e eleitos pelo Senhor Supremo do Universo em cujas mãos se conservam as rédeas diretoras da vida de todas as coletividades planetárias." (Do livro "A Caminho da Luz", ditado pelo espírito Emmanuel, psicografado por Francisco Cândido Xavier.)

 

Os sistemas hierárquicos piramidais que se verificam nas organizações das sociedades terrenas são reproduções experimentais fundamentadas em um sistema hierárquico universal. As famílias, as comunidades, as empresas, as cidades, as províncias ou estados e as nações são exemplos de organizações terrenas sob sistemas hierárquicos, cada qual sob o regime que lhe parecer mais adequado, daí o caráter experimental, se comparado ao que ocorre no Universo, onde a hierarquia acontece de forma inalterável, eterna e infinita.

 

 

 

À noite, muitos de nós costumamos contemplar as estrelas e daí afirmar que a Terra é como um grão de areia no deserto ou um cisco de poeira cósmica. "Somos insignificantes em relação ao Universo", afirmam diante da imensidão do firmamento. Porém, durante o dia, quando o Sol brilha impedindo a visão da abóbada celeste a olho nu, essas mesmas pessoas pasmam-se diante da imensidão dos mares, das gigantescas cadeias de montanha, das imensas geleiras das regiões polares, dos enormes desertos, das intensas florestas e de tantas outras grandiosidades geográficas do nosso "minúsculo" planeta. Encantam-se até mesmo diante de algumas obras humanas, tais como as pirâmides egípcias, pontes quilométricas, grandes edifícios, metrópoles...

 

O que isso tem a ver com hierarquia universal?

 

É que à noite, quando nos apequenamos diante da infinitude do firmamento, estamos propensos a negar a responsabilidade que nos cabe sobre a manutenção e equilíbrio da Criação Divina. Por isso, em vista de não sermos capazes de expressar nem mesmo uma noção específica do infinito e da eternidade (qualquer tentativa de formularmos uma idéia de infinito e eternidade acaba nos levando ao "nada"), uma angústia oriunda do nosso orgulho de deuses em princípio evolutivo assoma à nossa alma e preferimos acreditar que do nada viemos e ao nada retornaremos. Porém cada novo alvorecer, nos revelando a Terra em todo o seu esplendor, nos desperta para a Realidade, que traz em si os princípios da Verdade.

 

Quando nos apequenamos diante da imensidão do Universo conhecido, tentando acreditar que a Terra equivale a um insignificante grão de areia no deserto, manifestamos apenas a descrença em Jesus como Filho do Homem, reencarnado entre nós com o propósito de nos salvar do atraso em que nos enredamos.

 

Cada átomo tem um núcleo, cada organismo tem um comando, cada organização social tem um dirigente, toda nação tem um governante. No universo em geral não é diferente. Os planetas, as estrelas, as constelações, as galáxias, os grupos de galáxias, tudo tem governos definidos, subordinados entre si, organizados através do Sistema Hierárquico Universal. Assim, Jesus governa o planeta Terra e está subordinado diretamente ao Pai, de quem ele tanto falou, que por sua vez governa o Sistema Solar e se reporta ao governador da constelação a que o nosso sistema pertence (Plêiades?).

 

Na "Oração da Ave Maria", os católicos referem-se a Maria, mãe de Jesus na Terra, como "Santa Maria, mãe de Deus". Não estarão errados se considerarmos que Jesus é o Regente do nosso planeta e na escalada evolutiva está acima, muito além, de todos nós, habitantes do orbe terrestre.  É o Deus personificado para a humanidade terrena.

 

"Vós sois deuses"

 

Portanto Deus crê em Deus que crê em Deus que crê em Deus... Ao infinito. Eternamente.

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Alagoas na Net http://www.alagoasnanet.com.br/site/?p=materias_ver&materia=2

 

 

Leia também do mesmo autor:

"O Ser Integral" - Portal Maltanet

http://www.maltanet.com.br/literatura/exibe.php?id=89

"As pedras também amam" - Pravda.

 

http://port.pravda.ru/news/sociedade/12-04-2007/16541-pedra-0/

 

 


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