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Paraná sobre rodas, trilhos e águas

02.11.2009
 
Pages: 12
Paraná sobre rodas, trilhos e águas

Livro-reportagem mostra fatos e personagens relevantes para o desenvolvimento do transporte no estado

A história paranaense se confunde com a evolução dos meios de transporte. A colonização da área que hoje corresponde ao Paraná co­­meçou com a chegada dos navegadores portugueses ao litoral. Curi­­tiba nas­­ceu como um ponto de parada no caminho dos tropeiros que percorriam o trecho entre Viamão (RS) e Sorocaba (SP). Para lembrar o passado, mostrar o presente e sugerir o futuro dos modais de transporte no Paraná, o jornalista Gilberto Larsen está concluindo o livro-reportagem Quilômetros de História, com lançamento previsto para 2010.

Larsen lembra que o primeiro por­­to com importância econômica para o estado foi o de Barreiros, em Morretes. “Este local foi o ponto de partida para o desenvolvimen­­to do litoral paranaense”, diz uma placa colocada em uma curva do Rio Nhundiaquara, a 6 km da sede do município. “Serviu de ancoradouro dos batelões que faziam transporte de carga do planalto, descendo o Rio Nhun­­dia­­quara, até o Porto de Paranaguá, nos ciclos da erva-mate e da banana, desde o ano de 1700 até a construção das estradas de rodagem e de ferro.”

Propaganda do Lloyd Paranaense em revista da época: inaugurado em 1915, permaneceu em atividade até 1953

Balão Granada pousou em cima da Catedral

No trabalho de pesquisa para o livro que está escrevendo, o jornalista Gilberto Larsen resgatou histórias pouco conhecidas do modal aéreo no Paraná. No dia 6 de fevereiro de 1876, o vôo de um mexicano em um balão trazido por um circo de passagem pela capital provocou comentários que duraram semanas. Passados 33 anos, outro balão causou alvoroço no céus de Curitiba, após atingir a altura de 970 metros e permanecer 34 minutos no ar. Era o Granada, pilotado pela espanhola Maria Aida, que fez um pouso atrapalhado em cima da Catedral. “Consta que Aida rapidamente se livrou do balão, desceu pela claraboia, entrou na igreja e saiu pela porta da frente para os triunfais cumprimentos”, conta o jornalista.

Derrotada na Primeira Guerra Mundial, a Alemanha foi forçada a abandonar a aviação militar, concentrando esforços nas aeronaves comerciais. Eram dessa época os Junkers G24 usados na primeira linha regular de hidraviões no país, ligando o Rio a Porto Alegre, em 1927. As aeronaves faziam escala para reabastecimento em Paranaguá, pousando no Rio Itiberê. Nove anos mais tarde, outra aeronave germânica chegou ao Paraná. A colônia alemã em Curitiba recebeu um planador do 3.º Reich.

“Atualmente, uma das grandes discussões da logística aérea paranaense é a construção da terceira pista no aeroporto Afonso Pena, em São José dos Pinhais”, afirma. “A obra, que atenderia também ao transporte de carga, tem muitos defensores, embora alguns técnicos defendam primeiro a extensão das atuais pistas.” (AS)

Obra surgiu da experiência e pesquisa

A ligação do jornalista Gilberto Larsen com os transportes é antiga. “Trabalhei muito tempo na Secretaria de Estado dos Trans­portes e na [extinta] Rede Fer­­roviária Federal (RFFSA), aqui e no Rio”, lembra. “Também passei pela Ferroeste e pelo Geipot [Empresa Brasileira de Pla­­nejamento de Transportes, que conserva a sigla da antiga denominação, Grupo Executivo de Integração da Política de Trans­portes].”

A ideia de produzir a obra surgiu no ano passado durante uma conversa com um amigo. “Estava falando com o [engenheiro] An­­­tônio Ribas, que era do Depar­ta­­mento de Estradas de Rodagem do Paraná (DER) e está na Itaipu, e ele me sugeriu: ‘Que tal reunir toda a sua experiência e escrever um livro? ’”, conta. A partir daí surgiu o trabalho de pesquisa e coleta de dados. Agora o livro está na fase de edição. A conclusão da obra está prevista para o início do ano que vem.

Larsen levantou os fatos marcantes do transporte no Paraná desde o descobrimento, passando pelo período colonial e pelo Império, até a República. A obra registra a navegação pelo Rio Iguaçu, os portos marítimos, aeroportos e os modais terrestres (rodoviário e ferroviário), até os dias atuais. “Um dos capítulos mostra a malha viária do Paraná, incluindo oleoduto, gaseoduto e infovias e a compreensão do território para estabelecer as vias de transporte”, conta o jornalista. “Outro aborda os caminhos históricos: Peabiru, Cubatão, Graciosa, Itupava, Arraial, dos Ambrósios, da Mata e das Missões, entre outros.”

O trabalho terá farto material ilustrativo, incluindo fotos, infográficos e mapas históricos, como o que mostra a perda de território durante a Guerra do Contestado. “Um capítulo será dedicado às personalidades do setor”, revela o autor. A atuação das Forças Ar­­madas nos transportes, com a im­­plantação da chamada Estrada Estratégica (a atual BR-277, que liga Paranaguá a Foz do Iguaçu) e outras iniciativas também estarão no livro, que destaca a influência de entidades como a Associação Nacional das Empresas de Obras Rodoviárias (Aneor) e a Associação Paranaense dos Empresários de Obras Públicas (Apeop). Os tópicos abordados incluem ainda planos de transportes e planejamento.

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