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Brasil-África: aproximações

01.10.2007
 
Pages: 12

Entre os novos caminhos da história comum entre os dois países, o ensaísta ressalta o atual boom na produção de trabalhos acadêmicos sobre temas africanos no Brasil, com a abertura de disciplinas ligadas à temática africana nos departamentos de História e Ciências Sociais, além da descoberta do Brasil como alternativa acadêmica por muitos estudantes africanos, especialmente angolanos. Este articulista, por exemplo, orienta atualmente um trabalho de conclusão de curso na área de Jornalismo do Centro Universitário Monte Serrat (Unimonte), de Santos-SP, em que as alunas Vera Oscar, Carolina Ferreira e Elys Santiago procuram fazer um levantamento da inserção de jornalistas negras nos meios de comunicação do Estado de São Paulo, o que, ao que se saiba, é uma pesquisa inédita.

No ensaio “História, estrutura social de privilégios e ações afirmativas no Brasil”, Edson Borges, mestre em Antropologia pela Universidade de São Paulo e professor do Instituto de Humanidades da Universidade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro, defende medidas mais incisivas – educacionais, saúde, econômicas, distributivas, políticas, jurídicas e sociais – que possam produzir resultados a curto e médio prazo, beneficiando a sociedade como um todo, em vez da importação de modelos de ações afirmativas de contextos históricos diferentes como os Estados Unidos e África do Sul, já que a mestiçagem tornou praticamente impossível qualquer tentativa de classificação racial.

O autor destaca a iniciativa em 2003 do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de tornar obrigatória nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira, cujo conteúdo programático inclui o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional.

Em resumo, Brasil/África: como se o mar fosse mentira reúne ainda, na primeira parte, dois textos curtos do embaixador Alberto da Costa e Silva e do compositor Martinho da Vila sobre a memória musical e a presença africana na música brasileira. Na segunda parte, encontram-se os artigos de caráter ensaístico, dos quais destacamos aqui três, em que estudiosos de várias áreas oferecem novos pontos de vista para o diálogo Brasil-Africa. Na terceira parte, a literatura surge de forma mais direta, com os poetas que têm na cultura africana a referência para os seus trabalhos.

Todos esses trabalhos mostram que vivemos, portanto, um momento de amplas possibilidades de intercâmbio entre o Brasil e os países africanos de expressão portuguesa – e não apenas comerciais –, como exemplo é este próprio livro, um lançamento conjunto da Editora da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e das Edições Chá de Caxinde, de Luanda, com o apoio da Odebrecht Angola, Lda., ramo angolano de uma empresa brasileira presente há largos anos na África.

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BRASIL/ÁFRICA: COMO SE O MAR FOSSE MENTIRA, de Rita Chaves, Carmen Secco e Tania Macêdo (organizadoras). São Paulo: Editora da Universidade Paulista (Unesp). Luanda: Edições Chá de Caxinde. 453 págs., 2006, R$ 55,00. E-mail: feu@editora.unesp.br

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Adelto Gonçalves é doutor em Literatura Portuguesa pela Universidade de São Paulo e autor de Gonzaga, um Poeta do Iluminismo (Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1999), Barcelona Brasileira (Lisboa, Nova Arrancada, 1999; São Paulo, Publisher Brasil, 2002) e Bocage – o Perfil Perdido (Lisboa, Caminho, 2003). E-mail: adelto@unisanta.br

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