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A Barbárie Fascista no III Reich e o Apagamento da História

03.04.2010
 
Pages: 1234
A Barbárie Fascista no III Reich e o Apagamento da História

Miguel Urbano Rodrigues

A morte de um delinquente cubano, mascarado de preso político, após prolongada greve da fome, e a entrada em greve da fome de outro cubano são há semanas tema de editoriais e reportagens nos media internacionais. O segundo, em liberdade, exige, tal como o fez o primeiro, a libertação de todos os «presos políticos cubanos».

Os dois cidadãos que desafiaram o governo de Havana com tão inédita reivindicação foram imediatamente guindados a heróis pela comunicação social, de Washington a Paris, de Londres a Otawa. Simultaneamente, chovem sobre Cuba violentas criticas, acusando o seu governo de ditadura desumana e desrespeitadora dos direitos humanos.

Os mesmos órgãos de comunicação social que participam dessa campanha anti-cubana, de âmbito mundial, raramente dedicam um mínimo de atenção aos crimes, esses sim, muito reais diariamente praticados no Afeganistão e no Iraque pelas forças dos EUA e da NATO que ocupam esses países. Quanto à tortura de prisioneiros em Guantanamo e aos horrores do presídio de Abu Ghrabi são temas há muito esquecidos pelos grandes jornais e emissoras de televisão do Ocidente.

O denominador comum nesta campanha anti - cubana é um anti - comunismo transparente.Tudo serve aos analistas e politólogos de serviço para deturpar os factos, de modo a despejaram calunias contra a Ilha, com tempero de ataques a Fidel, Marx e Lenine.

O objectivo desta gritaria reaccionária é, afinal, o mesmo das campanhas que visam criminalizar o comunismo, equiparando-a ao fascismo.

Nestes tempos em que na Republica Checa tentam proibir o Partido Comunista, e em Riga a direita desfila prestando homenagem aos letões que combateram nas SS de Hitler contra a União Soviética, a imprensa «bem pensante», que se apresenta como democrática e anti-comunista, mantem um silencio praticamente total sobre os crimes do fascismo.

Se a Alemanha da Sra. Merkel é o motor da União Europeia, para que recordar o que foi o III Reich, desaparecido há 65 anos?

O apagamento da Historia é imprescindível à sua falsificação.

MENSAGENS E SONHOS DE HITLER

O achado pelo exército dos EUA nos últimos dias da guerra de 485 toneladas dos arquivos do Ministério dos Estrangeiros do III Reich, em castelos e cavernas das montanhas de Harz, permitiu o conhecimento de documentação muito valiosa sobre a Historia contemporânea da Alemanha. Outros arquivos ainda mais importantes permaneceram sepultados até 1955 num depósito do exército norte-americano, na Virgínia.

Foi após cinco anos de estudo de parte dessa documentação que o jornalista William Schirer escreveu a sua obra The Rise and Fall of the Third Reich, editada em 1960 em Nova York, e cuja tradução brasileira em quatro tomos foi publicada em 1963 pela Civilização Brasileira, do Rio de Janeiro (1).

Não conheço outro trabalho que, a partir dos arquivos secretos alemães, ilumine tão ampla e minuciosamente a ascensão e o desmoronamento do nazismo e a personalidade de Hitler.

William Shriver que viveu na Alemanha como correspondente do Chicago Tribune de 1926 a 1941, foi um observador privilegiado da Historia nesse período.

Quando a sua obra me chegou às mãos eu acabava de ler uma tradução do Mein Kampf (A Minha Luta), de Adolph Hitler, definido pelo Ministério da Educação nazi como «a infalível estrela polar pedagógica».

Como foi possível, perguntava-me, que tenha chegado a chanceler do Reich (chamado pelo marechal Hindenburgo) um tresloucado ex-cabo austríaco que durante onze anos iria impor despoticamente a sua vontade a um povo de velha cultura, conduzindo a humanidade a uma hecatombe (mais de 40 milhões de mortos, dos quais 20 soviéticos e 8 alemães)?

Shriver, um liberal americano do qual me distancio ideologicamente ajudou-me a entender melhor Hitler e a marcha para o abismo da Alemanha. Empurrou-me, alias, para uma releitura do Mein Kampf.

No seu único livro – o mais vendido no país durante anos - Hitler expõe, afinal, numa linguagem primária, a sua concepção louca e megalómana do mundo e esboça o projecto que o levaria ao poder, à guerra e à destruição da Alemanha.

Na sua opinião, «o Estado Tribal deve agir de modo a que tudo gire em torno da raça (…) providenciar para que apenas às pessoas sadias seja conferido o direito de procriar».

Caberia aos arianos (os alemães seriam o seu ramo mais puro) dominar o mundo, mas as decisões seriam tomadas por um só homem. Somente ele (Hitler), liderando o povo predestinado, «poderá exercer a autoridade e o direito de comando».

A NOVA ORDEM

O que parecia uma impossibilidade absoluta aconteceu. E não é surpreendente que, ao tomar o poder com a aprovação do Reichstag, Hitler tenha principiado a levar à prática, a Nova Ordem que idealizara.

A destruição da cultura alemã e mundial, acumulada durante séculos, surgiu-lhe como necessidade.

As fogueiras de obras clássicas foram realizadas nas praças públicas com o aplauso da juventude nazi e a indiferença do novo Exército, a Wehrmacht. Os livros de autores como Heine, Thomas Mann,Einstein, Freud , Proust , Gide, Zola,H.G.Wells

foram queimados perante multidões entusiasmadas. Dirigindo-se aos estudantes, Goebells, ministro da Propaganda comentou: «Estas chamas não só iluminam o final de uma velha era, mas lançam luzes sobre a nova».

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