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Novo dispositivo reduz risco da cirurgia de catarata

31.10.2014
 
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Novo dispositivo reduz risco da cirurgia de catarata

Plugue libera medicação dentro do olho na dosagem certa por 30 dias após remoção da catarata. Estudo mostra que o mau uso de colírio compromete 67% dos tratamentos oculares no Brasil.

Estudo multicêntrico que acaba de ser apresentado em Chicago durante a reunião 2014 da AAO (Academia Americana de Oftalmologia) comprova a segurança do primeiro implante no canal lacrimal de um dispositivo com dexametazona, corticóide indicado  para tratar inflamação e dor após a cirurgia de catarata.

De acordo com o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, um dos maiores riscos da cirurgia é a contaminação do olho após o procedimento, relacionada a falhas na administração de  colírios. Por isso, na opinião dele o dispositivo vai garantir melhor visão a quem passa pelo procedimento. O médico explica que o olho contaminado pode perder células irrecuperáveis. A  medicação é essencial no tratamento e 67% dos brasileiros não sabem usar colírio.  É o que ficou comprovado por um estudo conduzido no hospital por Queiroz Neto com 2,7 mil pacientes.

Os erros mais comuns relatados pelos participantes foram:

  • A instilação de mais de uma gota de colírio em cada olho que leva ao desperdício de medicamento
  • A descontinuidade do tratamento por piscar repetidamente após a instilação.
  • A contaminação do bico dosador pelo contato com o dedo ou superfície ocular.

"Qualquer uma dessas falhas pode comprometer o resultado da cirurgia" afirma. 

Conclusões do estudo multicêntrico

O estudo apresentado em Chicago com o novo dispositivo reuniu 60 pacientes  divididos em 2 grupos de 30 pessoas. Em um dos grupos foi implantado no canal lacrimal o plugue que fornece uma liberação constante de dexametazona durante 30 dias. O outro recebeu um placebo. Já no primeiro dia, os pacientes que usavam o plugue com medicamento tiveram 3 vezes menos dor que o grupo do placebo. Depois de duas semanas. o grupo placebo relatou uma dor 11 vezes mais intensa que o grupo medicado. Os pesquisadores também avaliaram nos dois grupos o nível de inflamação através do número de células na câmara anterior do olho tratado. Depois de 30 dias só 13% do grupo placebo não tinha sinais de inflamação contra 60% dos que usaram o plugue com medicamento.

O implante

Queiroz Neto afirma que o implante do dispositivo é realizado no final da cirurgia de catarata. A doença torna o cristalino do olho opaco conforme envelhecemos. No Brasil são 350 mil novos casos/ano e o único tratamento é a cirurgia em que uma lente substitui o cristalino opaco. O dispositivo é implantado sob anestesia local e fixado no ducto lacrimal. O dispositivo libera uma dose constante de dexametazona na câmara posterior do olho. O paciente deve instilar lágrima artificial nos olhos após a cirurgia e usar lentes que filtrem 100% da radiação ultravioleta. Depois de 30 dias o dispositivo que é biodegradável dissolve e é absorvido pelo corpo sem necessidade de procedimento para ser retirado.  Segundo Queiroz Neto as principais vantagens do implante são: garantir a dosagem correta e constante da medicação e eliminar o risco de contaminação através do bico dosador do colírio. O dispositivo já foi aprovado nos EUA e Europa. No Brasil já tem similar para tratamento de  retinopatia diabética. Por isso, o médico acredita que em breve deve chegar ao país.

As principais recomendações do médico para o uso correto de colírios são:

  • Lave as mãos antes da aplicação.
  • Verifique no frasco se é recomendado agitar o produto antes de usar
  • Incline a cabeça para trás.
  • Flexione a pálpebra inferior com o indicador.
  • Com a outra mão segure o dosador
  • Coloque o medicamento sem relar no bico dosado, evitando a contaminação.
  • Feche os olhos por 3 minutos para garantir o efeito
  • Pressione com o polegar o canto interno do olho para reduzir efeitos colaterais
  • Se usar lentes de contato retire-as antes da aplicação
  • Recoloque as lentes de contato depois de 10 minutos da aplicação
  • Em caso de prescrição de mais de um colírio aguarde 15 minutos entre um e outro
  • Só aplicar medicação dentro do prazo de validade estipulado na embalagem

 

Eutrópia Turazzi

LDC Comunicação

 


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