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Ciência

Nordeste exporta tecnologia de convivência com seca para o Sul do País

31.01.2011
 

A tecnologia de cisternas, desenvolvida no nordeste brasileiro para conviver com o clima do semiárido, começa a ser repassada para o Sul do País. Perto da fronteira com o Uruguai as estiagens estão cada vez mais freqüentes: oito secas em 11 anos.

Nessa região, os períodos sem chuvas também tendem a ser cada vez mais longos, a atual já chega a seis meses. "Os moradores estão assustados com a mudança climática, que é bastante recente", diz o coordenador-geral de Acesso à Água do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), Igor Arsky.

O MDS prepara um edital para a construção de 6 mil cisternas, o primeiro a ser elaborado para famílias agricultoras fora do semiárido nordestino. O público e os objetivos serão semelhantes: fornecer uma alternativa a quem vive em sítios isolados e fica sem água para o consumo pessoal (beber, cozinhar e higiene). O MDS espera também que alguns desafios sejam os mesmos, como a capacitação do morador para receber o equipamento, por exemplo.

A reserva de água da chuva é suficiente para cerca de oito meses e deve ser protegida de qualquer contaminação, como o contato com insetos, ratos e outros animais. Bastante pura para ser armazenada sem problemas, ela não pode ser misturada com outra de fonte menos confiável. No Nordeste, essa água de má qualidade é vendida num mercado paralelo, por meio de caminhões pipa. Como essa cultura ainda não existe no Rio Grande do Sul, é possível que esse seja um problema a menos para transferir a tecnologia.

Segundo Arsky, a iniciativa deverá despertar na socidade local uma necessária consciência ambiental, já que grande parte do problema enfrentado hoje pelos gaúchos se deve a um modelo inadequado de uso dos recursos naturais. O agricultor não poderá mais desperdiçar água na irrigação ou permitir a perda de cobertura do solo e erosão. "A convivência com a seca implica gestão racional da água e não usar mais do que o necessário", diz Arsky.

O próximo passo será levar as outras tecnologias, como barraginhas e cisternas de calçada (com mais capacidade para uso na agricultura),  e a introdução de novas culturas mais resistentes. "Esse é o começo do processo, que visa salvar as famílias da sede, mas, com a nossa experiência acumulada no Nordeste, podemos esperar que outras boas práticas serão desenvolvidas em seguida", avalia.

MDA - O Ministério do Desenvolvimento Agrário deverá anunciar, nesta semana, um pacote de medidas para a agricultura familiar da região atingida pela seca. Veja no Em Questão de sexta-feira (28) mais sobre as políticas públicas de apoio ao Rio Grande do Sul.

Programa de cisternas leva qualidade de vida ao sertanejo

No Nordeste, 470 mil famílias já receberam as cisternas destinadas a consumo humano, com a água coletada em telhados e capacidade para 16 mil litros. Isso é suficiente para uma família de cinco pessoas agüentar a seca. Em 2007, uma pesquisa com 4.189 domicílios rurais, atendidos ou não pelo programa, constatou as diferenças na qualidade de vida de quem tem acesso ao sistema.

A melhoria da qualidade da água consumida reduziu a frequência em que adultos e crianças ficam doentes. E houve uma redução do tempo dedicado para busca e transporte de água, reduzindo dramaticamente a carga de trabalho de mulheres e crianças. Sem a cisterna, o nordestino passa 36 dias no ano trabalhando para conseguir água.

A cisterna é construída por pedreiros e pelas próprias famílias, que escavam o buraco de dois metros de profundidade para a construção. Os pedreiros são remunerados pelo programa e a contribuição das famílias nos trabalhos de construção se caracteriza com a contrapartida no processo.

Além de água de beber, o nordeste já construiu 5,7 mil cisternas de 52 mil litros, o suficiente para garantir a produção de alimentos para a subsistência, hortas e criação de animais. A água neste caso é coletada numa calçada limpa ou de um tanque de decantação que coleta o fluxo de uma enxurrada.

Escolas com reserva de água própria

Unindo os acessos à água para beber e para produzir, o MDS desenvolveu o Programa Cisternas nas Escolas, em parceria com o governo da Bahia e o Ministério da Educação, que financiou 110 cisternas.

O projeto conta com investimento de R$ 5,2 milhões e beneficia 13 municípios baianos com os mais baixos Índices de Desenvolvimento Humano (IDH). Dessa forma, além das escolas, as famílias das crianças pertencentes a essas unidades educacionais também serão beneficiadas com a construção de mais 811 cisternas de consumo.

Fonte: SECOM

 


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