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Primeiro sistema de investigação biotecnológica com ovos de codornizes em Portugal

28.11.2017
 
Primeiro sistema de investigação biotecnológica com ovos de codornizes em Portugal. 27748.jpeg

Uma equipa de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) da Universidade de Coimbra (UC) desenvolveu um sistema inovador que permite a utilização de aves através de técnicas experimentais não invasivas, como sejam a simples recolha de ovos, em alternativa aos tradicionais ensaios realizados com mamíferos (por exemplo, ratinhos, coelhos e cabras).

O designado Sistema de Alojamento Modular de Aves, já com um pedido de patente internacional submetido, é um equipamento de alojamento de codornizes poedeiras em condições experimentais, personalizado para investigação e desenvolvimento de soluções biomédicas baseadas no potencial biotecnológico dos seus ovos.

O sistema, que respeita as diretivas europeias em vigor e está alinhado com a política dos três "Rs" (Reduzir, Reutilizar e Reciclar), permite a investigação e desenvolvimento de novos biofármacos e produtos de diagnóstico biomolecular, nomeadamente vacinas e anticorpos. Estes são a base para o desenvolvimento de terapias de combate a infeções bacterianas, fúngicas ou virais, de alternativas aos antibióticos tradicionais e de métodos inovadores de diagnóstico de doenças.

A criação de compostos derivados do ovo e suplementos para soluções farmacêuticas também poderão ser explorados.

Ricardo Vieira-Pires, investigador e coordenador da unidade experimental de Aves do CNC, explica que este equipamento «é único em Portugal e, do que tenho conhecimento, no resto da Europa» e acentua que «estamos interessados na capacidade natural das aves em acumular anticorpos na gema dos seus ovos e na sua valorização. A codorniz é a ave de eleição para uma investigação que precisa de customizar e processar os anticorpos de forma versátil, algo que não é tão linear com ovos de outras aves».

A tecnologia de base utilizada recolhe anticorpos da classe Imunoglobulina Y (IgY), equivalente à imunoglobulina da classe G humana com propriedades imunológicas de defesa do organismo, incorporados especificamente na gema de ovos. A abordagem é conhecida há mais de 100 anos como forma de produzir anticorpos terapêuticos com propriedades neutralizantes.

O investigador esclarece que «apenas temos de recolher ovos e eliminamos a necessidade de colher sangue do animal, como acontece para todos os outros casos que recorrem a ratinhos, coelhos ou cabras. Por exemplo, uma galinha produz até cinco vezes mais anticorpo que um coelho ao fim de um ano, e apenas se tem que recolher ovos diariamente, ao contrário de recolher 40-50ml de sangue a cada 15 dias. O nosso sistema permite a utilização de codorniz em ensaios preliminares que serão num segundo momento reproduzidos em galinha».

O projeto foi financiado por fundos FEDER através do Programa Operacional Fatores de Competitividade - COMPETE, por fundos nacionais através da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT), e pelo QREN - Programa Operacional Regional do Centro 2007-2013 com o apoio do Mais Centro e da União Europeia através do Projeto "CNC Biotech - investigação em Biotecnologia e capacitação do sector empresarial".

 

Cristina Pinto

Universidade de Coimbra

 


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