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Brasil prepara plano nacional para a mudança climática

27.09.2007
 
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Brasil prepara plano nacional para a mudança climática

Criada em abril, a Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental do Ministério do Meio Ambiente tem como um de seus desafios construir o Plano Nacional de Mudanças Climáticas, com eixos orientados para as especificidades regionais, para a diminuição do volume dos gases responsáveis pelo efeito e adaptação aos impactos da mudança climática.
À frente da nova estrutura, Thelma Krug, graduada em Matemática, mestre e doutora em Probabilidade e Estatística e em Estatística Espacial, respectivamente pela Roosevelt University, nos EUA, e University of Sheffield, na Inglaterra, fala nesta entrevista ao Em Questão de vários temas pertinentes às alterações do clima no mundo e, em particular, no Brasil.

Em Questão - A Secretaria de Mudanças Climáticas e Qualidade Ambiental foi criada recentemente pelo Ministério do Meio Ambiente. Por que a implementação de uma secretaria que atue diretamente sobre a questão climática?

Thelma Krug - A mudança do clima é considerada, hoje, como um dos maiores problemas ambientais do mundo. A criação da nova secretaria dá visibilidade maior à importância desse tema dentro do Ministério do Meio Ambiente. O órgão já atuava em várias frentes nessa temática, mas de maneira menos visível e menos estruturada. Ao se considerar que a maior contribuição brasileira para as emissões de gases de efeito estufa está relacionada à conversão de florestas para outros usos, particularmente na Amazônia, e entender-se que grande parte das ações e medidas para prevenção e controle do desmatamento são de responsabilidade do Ministério do Meio Ambiente, é mais que natural imaginar que esse ministério tivesse atuação à altura de sua responsabilidade nesta questão

EQ – E quais seriam as principais atribuições e responsabilidades da Secretaria?

TK – Inicialmente, nossos esforços estão voltados para a estratégia de construção do Plano Nacional de Mudanças Climáticas, que se irá constituir no arcabouço formal para a elaboração do Plano e suas ações associadas. Na minha visão, há de se respeitar as especificidades regionais, uma vez que as medidas de adaptação à mudança do clima, por exemplo, deverão ser distintas nas diferentes regiões do País, pois as vulnerabilidades regionais são diferenciadas. Uma vez aprovada a estratégia de construção do Plano, os trabalhos para sua elaboração terão início e deverão requerer participação intensa da Secretaria.
 Há também um aspecto importante de nossa atuação: o fortalecimento de ações do Governo para intensificar a participação brasileira no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, particularmente nos projetos que visam a implementação de atividades de florestamento e reflorestamento de pequena escala, focadas em comunidades de baixa renda. Tais atividades também incluem a recuperação de matas ciliares e áreas de reserva legal, para as quais se espera que metodologias já estejam aprovadas no âmbito internacional para serem implementadas nos países em desenvolvimento.

EQ – Já é possível verificar vários impactos da mudança climática no mundo. Quais os efeitos disso que podem ser percebidos no Brasil?

TK - É difícil diferenciar, de maneira inequívoca, se algumas das alterações já observadas no ecossistema terrestre, no marinho e no de água fresca são devidas à mudança climática em si ou à variabilidade natural. Em outras palavras, é naturalmente complexo distinguir-se entre eventos provocados pela ação humana dos que se espera ocorram em função da variação natural no sistema climático.
O Painel Intergovernamental sobre Mudança do Clima (IPCC) indica, com alto grau de confiança que o efeito médio global líquido das atividades humanas desde 1750 foi de aquecimento. Nesse mesmo período, as concentrações atmosféricas globais de dióxido de carbono, metano e óxido nitroso, todos gases de efeito estufa, aumentaram acentuadamente como resultado da ação do homem. Em algumas partes do mundo, mudanças têm sido observadas nos ecossistemas terrestres, como, por exemplo, a antecipação de eventos associados à primavera e à movimentação de plantas e animais. Aquelas mudanças, com alta probabilidade, estão relacionadas ao aquecimento recente.
 No ecossistema marinho e no de água fresca, o aumento da temperatura da água está, com grande segurança, associado com mudanças na abundância de algas, plâncton e peixes. No Brasil, alguns fenômenos observados nos últimos anos – como a seca na Amazônia em 2005 e a ocorrência do furacão Catarina, no sul do Brasil, em 2004, entre outros – têm sido atribuídos ao aquecimento global. No entanto, não existe ainda associação direta inequívoca entre esses fenômenos e a mudança climática.

EQ – No Brasil, como o problema climático tem impactado nossas regiões?

TK – De certa forma, a resposta à pergunta anterior responde parcialmente esta questão. A nossa preocupação mais recente tem sido melhorar a capacidade de fazer projeções confiáveis com relação ao clima futuro de forma a permitir que ações de adaptação possam ser planejadas e seus custos, avaliados como forma de resposta à mudança climática. Para tanto, modelos globais do clima precisam ser cada vez mais refinados de modo a introduzir tanto o componente natural quanto o antrópico.

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