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Ciência

Livre comércio incentiva mau uso de lente de contato

26.04.2011
 

Uma em cada 4 adaptações de lente de contato é feita sem receita médica. 15% da população não têm condições de usar lentes, alerta especialista.

A indicação e adaptação de lentes de contato, inclusive as cosméticas para mudar a cor dos olhos é um procedimento que só pode ser feito com receita médica.  É o que determina a resolução 1965 do CFM (Conselho Federal de Medicina), em vigor desde o início de março. Mas, na prática não é o que acontece. Isso porque, a resolução não tem o poder de impedir o comércio sem receita médica. Resultado:  Uma em cada 4 adaptações de lentes são feitas sem a supervisão de um especialista.  

Segundo o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto o problema é que 15% da população não têm condições de usar lente de contato. "São pessoas com olho seco ou outras doenças oculares que podem agravar com o uso de lente" afirma. A adaptação depende ainda do ajuste perfeito à curvatura e relevo da córnea mesmo no caso das sem grau.  "É este ajuste que evita a formação de úlceras que podem provocar a perda da visão", comenta.

Estudo aponta os principais erros no uso

Lente mal adaptada não é o único problema. Um estudo realizado por Queiroz Neto com 210 pacientes mostra que o mau uso prejudica 2 em cada 10 usuários. Permanecer com a lente além do prazo de validade ou durante a noite responde por 45% das complicações, alergias por 35%, contaminação por manutenção e armazenamento inadequados por 20%.

O médico diz que mesmo as liberadas para uso noturno devem ser retiradas durante o sono porque à noite a produção de lágrima é menor. Já as lentes vencidas sofrem deformações.  Por isso, nos dois casos a chance de contaminação e ulceração da córnea é 10 vezes maior.

As alergias são mais comuns entre mulheres por causa do contato da região ocular com cosméticos e  maquiagem que facilitam a formação de depósitos nas lentes.

O especialista diz que o enxágüe com soro fisiológico é o erro mais comum na manutenção. Isso porque, soro não contém conservante e depois de aberto se torna um campo fértil para a multiplicação de bactérias e fungos que facilitam a contaminação dos olhos. A recomendação é usar soluções higienizadoras tanto na limpeza como no enxágue.

Lentes causam o dobro de complicações que refrativa

Enquanto a lente de contato prejudica a visão de 20% dos usuários, a cirurgia refrativa para a correção de miopia, astigmatismo e hipermetropia causa complicações em até 10% dos pacientes. A boa nova é que estas complicações podem ser previstas e moldadas em mais da metade dos casos. Esta é a conclusão de Queiroz Neto na revisão de 14 estudos publicados sobre refrativa entre 2004 e 2010. Por exemplo, comenta, a síndrome do olho seco é a complicação mais freqüente após Lasik e ablação de superfície (PRK). Exames cada vez mais precisos da superfície da córnea (ceratometria) e da topografia corneana, ajudam a minimizar este problema. Além disso, ressalta, avanços como o intralase que tornou a cirurgia um procedimento inteiramente a laser também diminui o risco de surgir a síndrome por causa da facilidade de cicatrização.

O corte mais superficial reduz o enfraquecimento da córnea decorrente da profundidade da incisão, enquanto a precisão elimina a hipo ou hipercorreção do grau que são provocadas pela irregularidade do corte. Ainda assim, o médico diz que a técnica não se aplica a toda  pessoa. Nos casos de altos míopes, entre 6 e 12

graus, a tecnologia ideal é a lente cachet. Queiroz Neto explica que se trata de uma lente intraocular que é implantada no olho sem retirada do cristalino. Os procedimentos de ultima geração não são cobertos pelos planos de saúde, mas pode sair por menos do que trocar constantemente os óculos, afirma.

 

Eutrópia Turazzi - LDC Comunicação

eutropia@uol.com.br


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