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Ciência

Evolução cientifica x Ética, Como se dá essa relação?

24.12.2013
 
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Evolução cientifica x Ética, Como se dá essa relação?

Nascida de uma resposta da sociedade organizada aos demandos da ciência, a Bioética é a ética aplicada a vida, a qual envolve temas que vão desde uma simples relação interpessoal à fatores que interferem a sobrevivência do próprio planeta.

Legenda: Bioquímico brasileiro, Jolival Soares
Juliana Tito*
 
Nascida de uma resposta da sociedade organizada aos demandos da ciência, a Bioética é a ética aplicada a vida, a qual envolve temas que vão desde uma simples relação interpessoal à fatores que interferem a sobrevivência do próprio planeta.
 
Dentre as razões que originaram a ciência, alguns escândalos nos Estados Unidos foram essenciais para o seu desenvolvimento. Na cidade de Tuskegee, ao sul da Geórgia, um grupo de negros foi separado para se estudar a fisiopatologia da Sífilis. Eles foram tratados por médicos e enfermeiros do governo que aplicavam placebo nos pacientes, no intuito de ver como a doença se desenvolveria e chegaria ao seu estado final. De acordo com o bioquímico brasileiro, Jolival Soares, que esteve presente na região nesta época, dentre os resultados obtidos, muitos voluntários ficaram paralíticos e outros cegos, além de chegarem a óbito, "se não for impossível é quase impossível você conseguir um negro para ser voluntario em uma pesquisa medica nos Estados Unidos", disse o especialista.
 
De acordo com Soares, além desse escândalo com os negros, tiveram casos de senhoras que tiveram todos os tipos de células de câncer injetadas para estudar a doença, crianças que apresentavam síndromes tiveram todos os tipos de hepatite injetados para ver como a doença mata, dentre outras formas de estudos realizados em seres humanos. Foi ai que a sociedade americana ao saber do que vinha acontecendo, pressionou o governo e foi criada a convenção de Vermont, a qual serviu para o nascimento da bioética.
 
Em um mundo cada vez mais desenvolvido tecnologicamente, a ciência pôde crescer muito com o passar dos anos, mas o que muitas vezes entra em divergência é até onde a ética é realmente seguida. Segundo o bioquímico, a ciência é importante "mas ela não está acima de qualquer outro conhecimento humano, do filosófico ou ético, ela é integrante da herança cultural da humanidade", então ela precisa ter uma ética normativa, ou a própria ciência que colabora com os seres humanos, pode vir a acabar com a espécie.
 
 
Técnicas, doenças e questionamentos
 
Uma técnica que também levanta muito o questionamento dos profissionais de bioética é a utilização de células-tronco embrionárias. A pesquisa tem como principal objetivo utilizar as células para recuperar tecidos danificados por doenças e traumas. Porém existem barreiras éticas e cientificas que apresentam limitações para esse tipo de estudo. "Nós já estamos a um passo a frente, porque não se precisa mais das células-tronco embrionárias. Há um paradigma científico que foi rompido. Antigamente nós achávamos que as células que transferiam a herança, aquilo que nós herdamos de nossos pais, era só o que estava no espermatozóide ou no óvulo, chamadas pela biologia reprodutiva de células gênicas. Hoje nós sabemos que a célula da sua pele contém toda a programação genética de qualquer célula do seu corpo" relata o bioquímico.
 
Há uma discussão muito grande em torno de quando se inicia a vida humana e para Jolival Soares essa é uma questão muito difícil de ser respondida. Porém, ele acredita que desde o processo em que o espermatozóide consegue penetrar no óvulo, um projeto de ser humano já começa a se desenvolver, "desde aquela fusão do espermatozóide com o óvulo, todo o projeto de um ser humano já está ali, aquilo é um ser em potência, só precisa cuidar, cercar de proteção". Para o estudioso a ética em torno do aborto está proporcional a um filho que tem um pai muito idoso e que não tem condições de fazer mais nada sozinho ,e devido a isso o filho gostaria de dar fim na vida dos pais.
 
Ainda se tratando de temas polêmicos, Soares define a clonagem humana como utopia. "Não existe a menor possibilidade de ninguém clonar você, por uma razão simples, temos os cromossomos nas células gênicas, os espermatozóides e óvulos, porem a 1% de DNA humano que está na mitocôndria do óvulo e só quem tem óvulo é mulher, resumo: só quem passa 100% do que recebe é a mulher, nos homens não, então nunca será possível ter uma copia sua".
 
Dentre técnicas adotadas para a cura de determinadas doenças, o especialista defende a utilização do transplante de medula. Segundo ele, o transplante de medula é uma alternativa fantástica "porque pode ser doado enquanto você está sadio para um banco de medula", então caso você adquira uma doença auto-imune, como Lúpus Eritromatoso, doença reumática grave, doenças degenerativas, câncer de sangue, alguns deles, você pode utilizar a sua própria medula sadia guardada para se curar "pelo mecanismo da Hemocaterese no fígado e baço destruídos vão sendo alimentados".
 
Mesmo com a evolução constante da ciência e dos medicamentos, o bioquímico aponta duas doenças que ate hoje causam questionamentos entre a classe de estudiosos, a AIDS e a gripe. A AIDS foi descoberta há mais de 25 anos e até hoje não tem cura, apenas o coquetel que ajuda os pacientes a estenderem a vida e que ainda trazem inúmeros efeitos colaterais. Já a gripe, que não é uma doença do mesmo patamar da AIDS, apesar de ter cura de uma maneira muito simples a base de medicamentos e alimentação, ainda não há uma definição do que ela é para a ciência "nós não temos resposta se eu quiser definir para você o que é uma gripe" conta Soares.
 

 
Para explicar o por que de doenças, como o câncer por exemplo, serem mais graves e devastadoras em alguns pacientes do que em outros, o bioquímico aponta a fé como um "remédio" muitas vezes milagroso e mais eficiente do que ate mesmo os tratamentos aplicados. Com base em pesquisa realizada na Universidade de Stanford, nos Estados Unidos - uma das mais conceituadas e onde se gasta milhares de dólares por dia em pesquisas, a qual Soares pode acompanhar em algumas instancias, "temos no hipotálamo, uma glândula que fica no cérebro acima da hipófise, que de lá, se você receber uma noticia que tem um câncer, ou que você está com uma doença grave, tipo AIDS" e a pessoa acredita em Deus e tem fé na sua cura "estas obras do espírito capacitam o Hipotálamo e você começa a produzir uma droga que foi descoberta lá em Stanford que é chamada pro-opiomelanocortina, essa droga que cai no teu cérebro, ela dispara para estimular o teu sistema imunológico", passa por alguns processos e se transforma em plasmocito, responsável pela produção dos anticorpos IGA, IGG, IGM e IGE, que segundo o especialista, são de total importância para a nossa saúde e disposição diária.
 
A ciência e a fé possuem uma coisa em comum: ambas estão em busca da verdade. A ciência em busca de respostas que as vezes não conseguem ser encontradas e a fé dando o suporte para a limitação da razão. Como o próprio Soares declarou, a fé é algo que quem tem não consegue explicar, é abstrato, "ela vem ao auxílio da minha razão que não consegue me dar respostas para questões profundas da minha existência". Com isso percebe-se a importância da ciência ser acompanhada de ética e fé na realização do seu desenvolvimento. "Eu e você somos homens. Deus sem você e sem mim, ele continua Deus, mas eu e você sem Deus somos nada", finaliza o estudioso.
 
*Juliana Tito é jornalista e editora do portal de turismo Pelo Mundo.
O texto foi extraído a parti de uma entrevista de Jolival Soares publicada pelo semanário NoiteDia.


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