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Ciência

Células-tronco recebidas sem destruir embriões

24.08.2006
 
Células-tronco recebidas sem destruir embriões

A empresa de biotecnologia dos Estados Unidos Advanced Cell Technology desenvolveu uma nova forma de criar células-tronco sem destruir embriões humanos, apresentando-a como uma solução potencial para o debate ético e político em torno da nova tecnologia.

 “Isso vai tornar ainda mais difícil ser contra esta pesquisa”, disse o representante da empresa Robert Lanza, apresentando ontem a descoberta.

A técnica extrai uma única célula de um embrião e a utiliza para fertilizar uma linha de células-tronco. O embrião sobrevive e pode, em tese, dar origem a um ser humano saudável. O artigo que descreve o avanço está na revista científica Nature. No ano passado, a técnica já se havia mostrado viável em ratos.

Pesquisadores da área disseram-se impressionados pela capacidade da nova técnica, que gerou duas linhas robustas de células-tronco sem precisar destruir embriões. Uma porta-voz da Casa Branca referiu-se ao resultado como encorajador.

Mas poucas pessoas, nos dois lados do debate, acreditam que o novo procedimento possa pôr fim ao impasse em torno do uso de embriões em pesquisas.

Os cientistas envolvidos em estudos com células-tronco reclamam que a técnica da Advanced Cell Technology é menos eficiente que o método tradicional, que envolve a destruição do embrião após cinco dias de desenvolvimento, quando ele é composto de cerca de 100 células.

 As células-tronco dão origem, geralmente, aos tipos celulares dos tecidos de onde são provenientes. Assim, as células retiradas da medula óssea ou do sangue de cordão umbilical dão origem facilmente a células sanguíneas.

 A utilização para fins terapêuticos pode representar talvez a única esperança para o tratamento de inúmeras doenças ou para pacientes, que sofreram lesões incapacitantes da medula espinhal, o que impedem seus movimentos. As células-tronco existem em vários tecidos humanos, no cordão umbilical e em células embrionárias na fase de blastócito (após a fecundação o ovo).

 Elas se diferem das restantes por terem a capacidade de se auto-renovar e se dividir indefinidamente, além de serem capazes de se diferenciar em linhagens celulares distintas. Segundo o biólogo doutor em Genética Humana, Fábio Faucz, estudos recentes têm apontado que, o sangue de cordão possui uma população de células com elevado potencial de diferenciação.

"Todos os pacientes tratados com células-tronco no combate a doenças cardíacas e esclerose múltipla - doenças que não tem ainda aprovado a utilização em rotina hospitalar - já viram benefícios. Pode não ser a cura completa, mas já foi o equilíbrio do quadro clínico, no caso da esclerose múltipla, doença degenerativa progressiva, com a ajuda das células-tronco a doença não progride e o quadro clínico fica estabilizado. Isto para o doente já é um ganho qualidade de vida. Acredito que, em médio prazo teremos a utilização das células-tronco bastante disseminadas dentro dos hospitais", conta.
  



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