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Ciência

Cresce consumo de óculos pirata e risco de doenças nos olhos

23.12.2007
 
Cresce consumo de óculos pirata e risco de doenças nos olhos

Brasil: Pesquisa mostra que em 2007 o consumo de óculos pirata passou de 6% para 10%. Usar lentes escuras de má qualidade no verão pode causar fotoceratite, pterígio, catarata e degeneração macular. Aberrações das lentes piratas forçam o cristalino causando dor de cabeça, cansaço visual e desconforto.

A cada ano aumenta não só o calor como a radiação ultravioleta que se intensifica no verão, mas no Brasil é cada vez maior o número de pessoas que expõe os olhos aos efeitos nocivos do sol. Entre os 42% da população que consumiram produtos piratas em 2007, a compra de óculos no mercado paralelo passou de 6% em 2006 para 10% este ano, segundo pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos e Fecomercio - RJ (Federação do Comércio do Estado do Rio de Janeiro).

Para o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, a maior dificuldade em conscientizar a população da necessidade de usar lentes com garantia de proteção ultravioleta (UV) ocorre porque os efeitos do sol sobre os olhos são cumulativos e não são percebidos de imediato como acontece com a pele.

Uma pesquisa realizada pelo médico com mil pessoas demonstra que menos de 1% conhece os riscos da radiação UV para os olhos e 40% dos óculos não contam com proteção solar.

Ele alerta que de todos os riscos à saúde ocular intensificados no verão, a maior exposição à radiação UV é o mais nocivo porque aumenta a probabilidade de surgir fotoceratite, pterígio, catarata e degeneração macular. Outro problema dos óculos com lentes de baixa qualidade é a superfície irregular que força mais o cristalino a buscar uma acomodação ideal e por isso pode causar dor de cabeça, cansaço visual e desconforto.

A fotoceratite, explica, é uma inflamação da córnea que por precisar estar sempre lubrificada reage ao ressecamento da lágrima causado pelo sol. O pterígio é o espessamento da conjuntiva que para se defender cria uma película esbranquiçada sobre os olhos e por isso é confundido com catarata pela população, ressalta. A catarata não pode ser vista à olho nu.

É a perda de transparência do cristalino que como a pele pode ter um envelhecimento e opacificação precoces quando é muito exposto à luz solar. A falta de proteção UV nas lentes aumenta em 60% a chance de surgir a doença. Já a degeneração macular afeta a mácula, área central da retina responsável pela visão de detalhes, cujas células deixam de enviar luz à retina, impedindo o processamento das imagens.

Além de lentes com proteção UV, Queiroz Neto recomenda o uso de boné ou chapéu para proteger os olhos. A cor das lentes não influem na proteção, podendo ser até transparentes, desde que tenham certificação. Ele afirma que lentes escuras sem proteção são piores do que não usar nada. Isso porque no escuro as pupilas dilatam facilitando a entrada da radiação. A cor das lentes não influem na proteção.

O especialista alerta que a proteção dos olhos das crianças deve ser redobrada. Isso porque a pupila é maior, o cristalino mais transparente filtra apenas 25% da radiação UV que chega à retina e é na infância e adolescência que recebemos 80% da radiação UV por ficarmos mais tempo ao ar livre.

Fonte: Eutrópia Turazzi – LDC Comunicação


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