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Ciência

Amazônia: exploração colonial no séc. 21

23.06.2009
 
Pages: 12
Amazônia: exploração colonial no séc. 21

Construir o Programa Nacional para uma Amazônia Socialista e Livre

A região amazônica nunca foi objeto de atenção e reflexão programática adequada por parte da esquerda socialista brasileira e mesmo pela comunidade científica. Isto, apesar da região ser a última grande fronteira mundial estratégica ainda não totalmente incorporada pelo capitalismo. Por outro lado, ou por causa disso, a Amazônia sempre foi tema importante para a inteligência militar e interesses imperialistas estratégicos no Brasil. Isto talvez tenha gerado o fato da região ser tema preferencial da extrema direita brasileira. Além do contraponto a esta política ser feito inadequadamente: pela socialdemocracia.

A Amazônia, com 25 milhões de habitantes (IBGE, 2007) e nove estados, é uma região de duplo interesse estratégico para o imperialismo. Primeiro, pela magnitude financeira dos recursos (minerais, hídricos, biogenéticos) e, depois, pela importância da região para o equilíbrio climático global, diante do desastre provocado pela crise ambiental. Hoje, o crash ambiental uniu-se ao grande crash econômico, em dupla relação de causa e efeito.

O colapso ambiental global (onde a Amazônia é uma atriz principal) é um fator adicional à grande Crise Econômica atual, tornando-a pior que a Crise de 29, devido também ao risco à própria existência no Planeta. A combinação de vários desses fatores, pode ter dado origem a um novo período histórico mundial (ROBAINA; Um giro histórico na situação mundial / 2009). Esta conjuntura reforça a necessidade de reflexão sobre aspectos estruturais da relação dos grupos humanos que interferem na Amazônia e sua contextualização histórica.

O território das Américas e da Amazônia começou a ser habitado por humanos há mais de 10 mil anos - provavelmente no Pleistoceno. Porém, a História escrita pela metodologia científica do colonizador europeu, convencionalmente, trata e considera apenas os últimos 5 mil anos - seu "mundo" é centrado na sua própria compreensão da escrita e da linguagem, a partir do seu território e cultura (COOK; Uma Breve História do Homem/ 2003).

É importante ressaltar ainda alguns elementos: o hominídio fabrica ferramentas de trabalho há 2 milhões de anos; o comportamento humano moderno surgiu há cerca de 50 mil anos; há 20 mil anos o homem produz arte sofisticada; a agricultura começou a ser desenvolvida há 10 mil anos e; existe quase consenso arqueológico que a raça humana teve origem na África.

Portanto, uma História européia de 5 mil anos não nos basta. Deixa lacunas humanas que são aproveitadas em processos de dominação de classes e tem sido origem inconsciente de preconceitos contra colonizados (africanos, latino-americanos, nordestinos, amazônidas, indígenas). Isto ocorre na Amazônia de maneira especialmente perigosa, política e economicamente, pois a região guarda o maior estoque biogenético-hídrico-florestal associado a culturas complexas no mundo.

Consideradas as evidentes dificuldades cientificas de análise das origens do Homem e sua relação com o território, estes são apenas aspectos gerais e importantes para iniciar a compreensão da dinâmica humana (socioeconômica e político-cultural) em curso na Amazônia hoje, a última fronteira mundial possível e a mais atrasada no processo de incorporação de regiões no mundo, como o Oriente da Europa ou a China.

Apesar de fundar-se na epistemologia européia, o pensamento marxista contrapõe esta História Idealista ocidental à História dialética da Civilização (MARX; Contribuição à Critica da Economia Política/ 1859), que iniciou a construção e deu nome à nova epistemologia - referência essencial em construção há cerca de 150 anos.

O recorte histórico europeu (imperialista) é utilizado pelos currículos escolares e adotado pelo modo de produção dominante para "dirigir" o Planeta. Justificou os crimes na África, Ásia e nas Américas. Hoje, ajuda a explicar a I e II Guerras Mundiais, as tropas no Oriente Médio e, também, o fato de 70% das pesquisas científicas sobre Amazônia serem realizadas por europeus e norte-americanos e apenas 9% por pesquisadores da Amazônia (ABC - Academia Brasileira de Ciências/ 2009).

A compreensão de mundo adotada na Globalização do século 21 está ligada à lógica do Descobrimento do século 15, com velhos e novos métodos - no Iraque são os velhos, na Amazônia os novos. É o raciocínio de apropriação dos recursos da biodiversidade amazônica a custo da aniquilação cultural e ambiental. A (enorme) riqueza está associada à cultura e ao ambiente. A forma capitalista de exploração desconsidera as complexas cadeias culturais humanas existentes e as relações de produção com o território, existentes ao menos há 10 mil anos. É justamente o período de surgimento da agricultura e de provável começo da experiência do homem com os recursos da floresta amazônica.

Em 2007, a mineradora Vale comemorou 40 anos ininterruptos de exploração da Mina de Carajás, maior Província Mineral do Planeta Terra. Naquele momento, divulgou a marca alcançada de 1 bilhão de toneladas de minérios de ferro extraídos do coração da Floresta Nacional de Carajás, sul do estado do Pará. É o maior, mais importante e mais desenvolvido enclave econômico imperialista na região, com faturamento anual de R$ 72 bilhões. Nos últimos 10 anos, seu capital multiplicou por 15 e a taxa de lucro estimada da companhia é de 68% (Repórter Brasil/ 2009).

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