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Ciência

Como blindar a visão na gravidez

23.01.2015
 
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Das doenças oculares pré-existentes, ceratocone e glaucoma  são os grandes vilões, mas não os únicos. Especialista dá dicas de como proteger  a visão da gestante e do bebê.

Não tem como escapar. Toda gestante sofre alterações na visão relacionadas aos hormônios. Algumas são passageiras, mas nem todas. De acordo com o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, o ceratocone e o glaucoma pré-existentes exigem planejamento da gravidez. Isso porque, o ceratocone pode agravar durante a gestação por causa da maior retenção de líquido pelo organismo que aumenta o abaulamento da córnea típico da doença. É o que mostra um estudo realizado na Turquia. O problema é que  ao contrário da alteração temporária no grau dos óculos e lentes de contato, a piora do ceratocone não tem volta e dependendo do estágio que atingir só pode ser tratado com transplante.  Por isso, Queiroz Neto recomenda consultar um oftalmologista antes de engravidar, para uma aplicação de crosslink. O procedimento, explica, aumenta a resistência da córnea que com a doença perde a  rigidez, associando riboflavina (vitamina B2) à luz ultravioleta. Por isso, permite uma gestação mais tranquila. A troca de óculos ou lente de contato só deve ser feita durante a gravidez quando a mudança temporária do grau causa desconfortos como dor de cabeça, tontura e enjoo. Caso contrário é melhor consultar o oftalmologista depois do parto. Pode ser que o grau se mantenha.

Laser antes da gestação

O especialista afirma que o adiamento da gestação para depois dos 40 anos, faixa etária em que geralmente surge o glaucoma primário de ângulo aberto, faz com que seja  cada vez mais comum grávidas conviverem com a doença. Este tipo de glaucoma, explica,  é caracterizada pelo aumento da pressão intraocular que leva a danos irreversíveis no nervo óptico se não forem usados colírios para  manter a pressão interna do olho sob controle. Apesar da pressão intraocular poder diminuir na segunda metade da gestação por causa do aumento da produção de progesterona e da relaxina, a estimativa da OMS (Organização Mundial da Saúde) é de que 3% dos defeitos congênitos sejam causados pelo uso indevido de medicamentos. Por isso,  Queiroz Neto afirma que para maior segurança da mãe e do bebê, mulheres com glaucoma podem ter indicação de uma aplicação de laser antes de engravidar, visando diminuir o uso de colírios. O ideal é fazer o procedimento, com pelo menos dois meses de antecedência. "Este é o período para que o laser comece a controlar a pressão intraocular", explica.

O médico destaca que o colírio antiglaucomatoso mais seguro na gestação é o  tartarato de brimonidina que não revelou alterações em fetos de cobaias, segundo relatório do FDA (Food and Drugs Administration), agência americana similar à ANVISA no Brasil. Os derivados de prostaglandina são os mais utilizados no país, mas são  contraindicados para gestantes porque nos estudos com cobaias ficou demonstrado que induzem a contrações do útero que podem causar  interrupção prematura da gestação. Outra classe de colírio antiglaucomatoso que deve ser evitada  por gestantes são os betabloqueadores. "Isso porque, podem alterar a frequência cardíaca da mãe e do feto" afirma

Olho Seco

A maior produção de estrogênio predispõe gestantes à síndrome do olho seco. Os sintomas são ardência, coceira, sensação de corpo estranho, vermelhidão, visão borrada que melhora com o piscar, lacrimejamento excessivo e sensibilidade à luz, Para aliviar o desconforto o médico diz que o uso de lágrima artificial com conservante virtual que desaparece ao entrar em contato com a mucosa ocular é o único lubrificante liberado. Todos os demais exigem consulta médica.

Visão do bebê

Para garantir a saúde ocular do bebê a mãe deve fazer exames de sangue e checar se já foi  infectada pelo toxoplasma ou pelo vírus da rubéola. Queiroz Neto afirma que a maioria das mulheres já teve contato com o toxoplasma. Significa que estão imunizadas contra o parasita que é encontrado em verduras ou frutas mal lavadas e em carnes contaminadas. Caso tenha o primeiro contato durante a  gravidez, o especialista explica que o parasita pode atravessar a placenta e provocar uma inflamação no fundo do olho, acoriorretinite que afeta os vasos sanguíneos. A doença geralmente se manifesta na adolescência. Se a inflamação for leve deixa a visão turva, mas pode levar à deficiência visual grave é até à cegueira caso a mácula, porção central da retina seja atingida.

Contra a rubéola, Queiroz Neto afirma que  as mulheres podem tomar vacina caso o exame de sangue dê negativo, até 3 meses antes de engravidar. Se contrair o vírus durante a gestação o bebê pode nascer com catarata congênita, doença que responde por 30% dos casos de cegueira infantil. Ele afirma que o diagnóstico é feito ainda na maternidade através do teste do olhinho, logo que o bebê nasce. O pediatra joga luz no olho do bebê com um oftalmoscópio, aparelho parecido com uma lanterna. Quando o reflexo da luz é vermelho e contínuo significa que o olho é saudável. Quando é descontínuo indica catarata. Quanto antes for feito o tratamento, melhores são os resultados.

  

Eutrópia Turazzi

LDC Comunicação

 


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