Pravda.ru

Ciência

Recuperar Guarapiranga

23.01.2007
 
Pages: 12
Recuperar Guarapiranga

Em reunião nesta segunda-feira com Francisco Graziano, representantes de organizações da sociedade civil que atuam na região da Guarapiranga apresentaram idéias para frear a degradação do manancial que abastece 4 milhões de pessoas na Grande São Paulo. Entre elas, a criação de um mosaico de áreas protegidas, investimento em saneamento básico, incentivo às práticas de preservação e valorização dos serviços ambientais prestados pela região.

O plano de ações para recuperar e conservar a Bacia Hidrográfica da Guarapiranga, que o governo de Estado de São Paulo promete tornar público no começo de março, recebeu uma importante contribuição das entidades da sociedade civil que atuam na região. Em reunião nesta segunda-feira, 22 de janeiro, o secretário de Meio Ambiente de São Paulo, Francisco Graziano, recebeu um documento com a síntese das propostas resultantes do Seminário Guarapiranga 2006 .

A bacia da Guarapiranga é um dos mais importantes mananciais para o abastecimento público da Região Metropolitana de São Paulo – fornece água para 4 milhões de pessoas – e ao mesmo tempo é um dos mais ameaçados pela poluição, ocupação desordenada e desmatamento de seu território. Saiba mais sobre a Guarapiranga e outros mananciais de São Paulo.

O documento apresentando ao novo secretário de Meio Ambiente de São Paulo, que já declarou que a recuperação e preservação dos mananciais do Estado estão entre as prioridades de sua gestão, está dividido em duas partes. A primeira, intitulada “O que a Guarapiranga precisa para se tornar um manancial de água de boa qualidade”, traz dois conjuntos de estratégias: “Ampliar áreas com condições naturais para produzir água de boa qualidade” e “Recuperar as áreas onde as condições atuais prejudicam o manancial”. A segunda parte apresenta uma listagem de 37 propostas, sendo 22 ações e 15 diretrizes, com indicação do responsável pela ação e o prazo para sua execução. Leia aqui o documento na íntegra.

Propostas

A ampliação e criação de Unidades de Conservação na bacia é uma das propostas apresentadas, como a criação de parques para proteger as várzeas dos rios Embu-Mirim e Parelheiros, além de um mosaico de áreas protegidas ligando o Parque Estadual da Serra do Mar e o Reserva Estadual do Morro Grande, em Cotia. O grupo de ONGs também propõe, entre outras iniciativas, a elaboração de um programa governamental metropolitano para reverter o adensamento e orientar a expansão urbana para áreas dotadas de infra-estrutura; criação de um fundo governamental para aquisição de outras áreas protegidas; lançamento de programa governamental de pagamento por serviços ambientais e incentivos econômicos e tributários voltados para comunidades, proprietários e prefeituras que desenvolvam ações de preservação, recuperação de áreas e produção de água; condicionamento do licenciamento de empreendimentos à avaliação dos serviços ambientais ameaçados nas áreas objeto de intervenção.

O documento ainda alinha as áreas prioritárias para serem transformadas em parques e aquelas mais ameaçadas, como a área de influência do trecho sul do Rodoanel. Já para a recuperação das áreas cujas condições atuais comprometem a produção de água pelo manancial foi proposta a adoção de soluções efetivas de saneamento ambiental, com base em metas publicamente estabelecidas de melhoria das condições da qualidade, quantidade e regularidade da água produzida na bacia; e a avaliação por parte do governo dos níveis de risco ambiental e proposição de metas de redução para atividades existentes e projetadas para a região, entre elas cemitérios, aterros e lixões, estabelecimentos de saúde, mineração, postos de combustíveis, transposição de água, lançamento de esgoto.

Este conjunto de ações traduz as diretrizes gerais das propostas apresentadas e detalhadas no documento final do Seminário Guarapiranga 2006 , que são: valorizar os serviços ambientais prestados pelos mananciais para a cidade, implantar saneamento ambiental nas áreas urbanizadas, fomentar atividades compatíveis com a produção de água no território, aprimorar a gestão e garantir participação social.

O documento entregue ao secretário foi produzido pelas entidades Centro de Direitos Humanos e Educação Popular do Campo Limpo, Centro de Estudos da Metrópole/Cebrap, Centro Universitário Senac, Espaço – Formação, Assessoria e Documentação, Fórum em Defesa da Vida Contra a Violência, Instituto Polis, Instituto Socioambiental, Sesc Interlagos, SOS Mata Atlântica, SOS Represa Guarapiranga e Yacht Clube Santo Amaro (YCSA).

Presença do Estado e conscientização

O secretário Graziano elogiou o trabalho apresentado. “Poucas vezes vi algo tão bem elaborado. Isso me entusiasma e permite que façamos avaliações específicas de cada proposta”. Disse também que o conjunto de propostas reflete o alto grau de conhecimento da situação da região por parte da sociedade, “o que nos permite começar logo a fazer coisas, pois a marca do nosso governo é de ação”. Francisco Graziano afirmou que, ainda que o governo comece a atuar em curto prazo, os primeiros resultados da nova política ambiental para a região dos mananciais da Região Metropolitana de São Paulo só poderão ser avaliados em dois anos.

Pages: 12

Loading. Please wait...

Fotos popular