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Ex-gitarista será o primeiro homem a percorrer, a nado, 5.430 km no rio Amazonas

22.01.2007
 
Ex-gitarista será o primeiro homem a percorrer, a nado, 5.430 km no rio Amazonas

Um ex-guitarrista e recordista mundial de nado ininterrupto esloveno , Martin Strel, será o primeiro homem a percorrer, a nado, 5.430 km no rio Amazonas . Ele começará o desafio no próximo dia 1o de fevereiro na cidade de Atalaya em Perú e chegará a Belém no dia 11 de abril.

 Ele pode não ser famoso para muita gente, mas o nome dele já faz parte do Guiness Book, o livro dos recordes por ter completado a maior extensão de rios a nado no Mundo. Foi em 2000, ao cruzar a nado o Danúbio na Europa durante 58 dias e percorrendo 3.004 quilômetros.Agora o desafio é ainda maior. O Rio Amazonas na sua extensão de 5.430 quilômetros deve ser coberto em 70 dias.

Três coisas assustam Martin no rio: candiru, piranha e pororoca, escreve Folha de São Paulo. 

"O primeiro é um peixinho que pode entrar no meu organismo e causar sérias doenças. O outro pode rasgar meu traje com os dentes. E a terceira é uma onda impressionante capaz de me matar afogado. Tive até pesadelos quando soube que teria tudo isso pela frente." Strel mede 1,85 m e tem uma barriga saliente. A um olhar desapercebido, nem parece esportista.

Mas seu currículo mostra que o projeto atual é apenas mais um a figurar na coleção particular de façanhas. Em 2000, nadou 3.000 km no rio Danúbio, o segundo maior da Europa. Dois anos depois, cumpriu 3.797 km no Mississipi (EUA). Por fim, em 2004, percorreu 4.000 km no Yangtzé, na China.

Todos os feitos, que lhe renderam o apelido de Homem-Peixe, estão registrados como recordes no livro Guiness. "Comecei a disputar provas longas na natação quando tinha 18 anos. Com o tempo, percebi que queria passar horas e horas nadando. Foi então que escolhi seguir projetos extremos. E não existe nada mais extremo do que nadar no Amazonas", diz.

A afirmação está embasada em três meses de pesquisas que Strel e sua equipe realizaram no Peru e no Brasil. O nadador conversou com especialistas e buscou relatos da população ribeirinha sobre a fauna e a flora.

Descobriu um rio repleto de vida e criou uma equipe de quase 20 pessoas para ajudá-lo.


Enquanto estiver na água, dois caiaques vão fazer sua escolta. Após cumprir a quilometragem programada – as distâncias variam entre 35 km e 100 km diários –, sobe em um barco que já foi utilizado pelo oceanógrafo francês Jacques Cousteau (1910-1997) para dormir e receber as refeições.

"Vou nadar sempre no meio do rio, onde a possibilidade de encontrar peixes perigosos ou cobras venenosas é menor. Minha equipe está precavida, e estamos levando até armas a bordo. Caso eu seja atacado, teremos como reagir", afirma.

O traje de neoprene também é reforçado e vai cobrir todo o corpo. Tais medidas preventivas, argumenta o nadador, minimizam riscos, porém acontecimentos fortuitos sempre complicam projetos do gênero. Strel traz uma reminiscência à tona para explicar sua teoria. Em 2004, havia feito treinamentos especiais para suportar a água fria do Yangtzé. As práticas surtiram efeito, e a temperatura não o atrapalhou. Só que, durante o percurso, um redemoinho muito incomum naquela localidade o tragou para dentro d'água.


"Eu não conseguia subir, e minha equipe nada podia fazer. Pensei que fosse morrer. Aí, liberei o ar de dentro de meu colete salva-vidas. Aquilo propiciou um empuxo que me levou de volta à superfície", lembra.

Falhas assim foram assimiladas. Strel e seu grupo hoje investem pesado em tecnologia. A embarcação de 21 metros está equipada com sistema para monitoramento do clima e do leito do rio. Via satélite, a equipe mantém contato com o departamento de medicina da Universidade do Arizona (EUA), que vai prestar consultoria em casos de acidentes. "Nosso orçamento é de US$ 1 milhão", revela Borut Strel, filho de Martin e responsável pela captação de recursos.


Ele vai acompanhar a travessia e prevê alguns "momentos assustadores" pelo caminho. E declara que só a determinação do pai é capaz de transmitir otimismo antes da empreitada. Martin treina de três a cinco horas por dia. Sabe que não terá outra chance. "Os anos têm passado depressa", conta. Por isso, acredita que a travessia mais difícil de sua vida precisa passar uma mensagem inspiradora, que transcenda o esporte. Assim, ao ser questionado sobre suas metas, responde em tom messiânico.

"Se eu posso cruzar esse rio, então palestinos e israelenses podem viver em paz. Se eu posso cruzar esse rio, os países mais ricos do mundo podem perdoar a dívida dos pobres. Se eu posso fazer o que julgam ser impossível, líderes religiosos e políticos também podem."



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