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Ciência

Ficção e realismo no Planeta dos Macacos

19.08.2011
 

Ficção e realismo no Planeta dos Macacos. 15437.jpegOs chimpanzés compartilham 99.4% de seus genes com os seres humanos, em estado natural, fabricam utensílios e lanças e em cativeiro, podem ler e escrever centenas de signos.

 Por Isaac Bigio*

ESPECIAL, de Londres

Para  Via Fanzine

Tradução: Pepe Chaves

 

A sétima versão do filme "Planeta dos Macacos" é uma obra mestra das novas tecnologias, ainda que proponha algo impossível: que num futuro próximo, uma aliança entre chimpanzés, gorilas e orangotangos (três espécies distintas e que juntas não contam nem um milhão de indivíduos) pudesse destruir à tecnocivilização dos sete bilhões de seres humanos.

 

A produção também não mostra que, faz alguns milênios, nosso planeta estava "conquistado" por um ramo de símios.

 

No filme, grandes primatas se libertam de suas jaulas, em San Francisco, derrotam à polícia desta metrópole e se refugiam num bosque, esperando que o mesmo vírus que os tornaram inteligentes venha minar os humanos.

 

Quando eu assistia esta produção - na qual, se supõe, a polícia deixará que os primatas agressores se desenvolvam em liberdade -, nas ruas próximas ao cinema de Londres onde me encontrava, as forças da ordem encurralavam mais de mil pessoas que promoviam manifestações de rua.

 

Resulta inaudito sugerir que os EUA não pudessem ou buscassem abafar um levante promovido por outras espécies e que, ademais, cairiam - não sob a ação de russos, marxistas, muçulmanos, latinos ou extraterrestres - diante de grandes primatas. O único império que pode cair e que está relacionado a este filme é o do proprietário do estúdio que o produziu: Rupert Murdoch.

 

Entre o resgatável desta produção, à exceção de seu provocador argumento e seus efeitos especiais, está a maneira de mostrar quando os 'humanos' se tornam macacos e como estes se convertem em predadores de humanos.

 

Ficção e realismo no Planeta dos Macacos. 15437.jpegOs chimpanzés compartilham 99.4% de seus genes com os seres humanos. Em estado natural, fabricam utensílios e lanças e, em cativeiro, podem ler e escrever centenas de símbolos.

 

Até cerca de seis milhões de anos, os ancestrais dos macacos e dos humanos poderiam se cruzar entre si. Para a ciência, todos os humanos são símios e todos os símios são hominídeos.

 

Esta nomenclatura classifica os humanos (e os nossos antepassadoshomos ou australopitecos) como parte da mesma tribo hominini, que inclui os chimpanzés e bonobos; vez que os homininis e os gorilas são partes da subfamília dos hominídeos; que os hominídeos e os orangotangos integram à família hominídea; e que os hominídeos e as quatro espécies vivas de gibões são partes da superfamília de 'humanóides', a qual integra a árvore dos primatas catarrinos - ou macacos do velho mundo.

 

Para a ciência, os chimpanzés, assim como os humanos, são hominishomininoshominídeos e humanóides. Um especialista da National Geographic, entretanto, propõe reclassificar os chimpanzés como um outro gênero humano: o homo troglodytes.

 

Todo esse travalínguas não é um homicídio à linguagem, mas um reconhecimento de que, aqueles que estamos caçando e enjaulando, são nossos familiares.

 

A situação proposta em "Planeta dos Macacos" não deverá jamais ocorrer, pois já se deu faz muitos anos, quando uma tribo destas começou a se multiplicar, aprendeu a cultivar, urbanizar-se e colonizar todos os rincões do globo: a nossa.

 

* Isaac Bigio é professor e analista internacional em Londres.

- Leia outros artigos de Isaac Bigio em português:www.viafanzine.jor.br/bigio.htm.

 

 


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