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Mulheres prejudicam visão, diz pesquisa

18.04.2010
 
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Mulheres prejudicam visão, diz pesquisa

A mulher brasileira não vê os óculos de grau com bons olhos. É o que mostra uma pesquisa inédita Transitions/IBOPE, realizada de 1 a 12 de março, com 284 mulheres que não enxergam bem. O levantamento mostra que 71% das entrevistadas têm vícios de refração – miopia, hipermetropia ou astigmatismo – contra 50% de incidência no País.

1/3 das brasileiras que não enxergam bem deixam de usar óculos de grau e correm maior risco de perda visual severa.

A mulher brasileira não vê os óculos de grau com bons olhos. É o que mostra uma pesquisa inédita Transitions/IBOPE, realizada de 1 a 12 de março, com 284 mulheres que não enxergam bem. O levantamento mostra que 71% das entrevistadas têm vícios de refração – miopia, hipermetropia ou astigmatismo – contra 50% de incidência no País. Apesar de só 29% usarem óculos de leitura para corrigir a vista cansada ou presbiopia, 1/3 das entrevistadas afirmaram que deixam de usar os óculos de grau e 2 em cada 10 que eles atrapalham no dia-a-dia. De acordo com o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, a maior incidência da miopia em mulheres está associada ao fato de exercerem atividades que exigem mais da visão de perto. Já o hábito de coçar os olhos, relacionado ao uso de maquiagem e cosméticos, pode agravar o astigmatismo. A falta de correção visual é apontada pela OMS (Organização Mundial da Saúde) como a maior causa da deficiência visual grave. Só para se ter uma idéia, o último censo da OMS revela que no mundo 153 milhões de pessoas correm risco de cegueira por erros refracionais não corrigidos. Esse número ultrapassaria 300 milhões de pessoas, caso fossem somados os casos de presbiopia não corrigida. Significa que este comportamento da população feminina em relação aos óculos pode gerar em 10 anos um crescimento exponencial da deficiência visual que hoje soma 4 milhões de pessoas no Brasil.

Presbiopia falseia miopia

Queiroz Neto diz que mulheres com mais de 5 graus de miopia, podem ter maior dispersão pigmentar. Esta alteração predispõe ao desenvolvimento do glaucoma porque leva ao aumento da pressão intra-ocular, maior fator de risco para a doença. Na população feminina que tem hipermetropia o risco é mais elevado porque a mulher tem a câmara anterior dos olhos mais rasa, comenta. Outro complicador é o consumo pelas mulheres de 92% dos inibidores de apetite que causam alterações no diâmetro pupilar. O problema é que o glaucoma não apresenta sintomas e por isso metade dos portadores ignora ter a doença que causa danos irreparáveis na visão. Mulheres míopes com idade acima de 40 anos devem estar ainda mais atentas, alerta. Isso porque, a partir dessa idade surge a presbiopia que dá a impressão de que a miopia está regredindo. Resultado – o grau evolui e a mulher não se dá conta. O especialista diz que as mais graves doenças oculares surgem com o envelhecimento e dificilmente são percebidas em estágio inicial. Por isso, a recomendação da OMS para adultos é fazer um exame de vista anualmente, mas no Brasil a maioria só vai ao oftalmologista a cada 5 anos, quando precisa renovar a CNH (Carteira Nacional de Habilitação).

Maioria não protege os olhos do sol

A pesquisa mostra que só 8% das mulheres usam óculos escuros com grau quando vão à praia, embora 97% acreditem que a radiação UV (ultravioleta) prejudique a saúde ocular. Segundo Queiroz Neto, estudos apontam que a falta de proteção UV aumenta em até 60% a chance de contrair catarata. A doença é a maior causa de cegueira tratável que responde por 47% dos casos de perda da visão no Brasil. Tem incidência 30% maior na mulher por conta da formação de radicais livres que está associada ao estresse da dupla jornada de trabalho e às flutuações hormonais. No sol, ressalta, as lentes também devem filtrar a luz azul que aumenta o acúmulo de lipofuscina abaixo da mácula (parte central da retina). Este acúmulo, explica, provoca a DMRI (Degeneração Macular Relacionada à Idade), maior causa de cegueira definitiva na terceira idade.

Como se não bastasse, de acordo com CBO (Conselho Brasileiro de Oftalmologia) 5% dos casos de cegueira no País são decorrentes de opacidades na córnea. O médico diz que a maior incidência de olho seco na mulher, 6,6% contra 2,8% entre homens, predispõe à ceratite (inflamação da córnea). A menor produção lacrimal, especialmente após a menopausa, associada à exposição solar sem proteção UV, aumenta a evaporação da lágrima e a chance de opacidades corneanas entre mulheres, afirma. Para prevenir a síndrome do olho seco ele recomenda o consumo de frutas e legumes ricos em vitamina A e E, além da semente de linhaça e nozes que contêm Ômega 3.

A falta de proteção ocular contra a radiação UV ainda pode causar o pterígio. Trata-se do espessamento da conjuntiva - membrana que cobre a esclera (parte branca do globo ocular) e a superfície interna das pálpebras. Em estágio inicial, comenta, a doença é tratada com colírios antiinflamatórios, mas exige intervenção cirúrgica quando evolui.

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