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Ciência

O Biorisco das tecnologias Traitor e Terminator

17.07.2009
 
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As palavras Traitor e Terminator de origem inglesa referem-se a traços (de traits para expressão genética) e exterminador (de Terminator). Quando nos referimos às sementes Terminator logo vem à cabeça o filme de ficção estrelado por Arnold Schwarzenegger. Dividido em 3 partes a saga narra a estória de uma família tentando impedir que o futuro seja devastado pelas máquinas. O "Exterminador do Futuro" vivido por Schwarzenegger volta ao passado para proteger o futuro sobrevivente e líder da resistência, John Connor, que tenta no presente salvar o mundo que um dia será dominado por máquinas altamente desenvolvidas pelo computador Skynet.

Não é à toa que o termo tenha sido colocado na semente produzida por nossos vizinhos da América do Norte. Em 1998 a multinacional Delta & Pine obteve do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) o direito de patente sobre o 'Controle de Expressão Genética Vegetal' das sementes que se comportam como suicidas, ao terem determinados traços de expressão genética ativados. A empresa do ramo de sementes, transgênicos e agrotóxicos é uma das mais expressivas na área de sementes geneticamente modificadas e híbridas.

O termo correto para tais tecnologias é 'Tecnologia de Restrição no Uso Genético' em inglês 'Genectic Use Restriction Technology' (GURT's). As tecnologias GURT's dependem da ativação ou desativação de genes através de indutores químicos ou pela multiplicação de organismos estéreis já com seus genes de esterilização ativados. Dentro das GURT's existem duas tecnologias distintas: a T-GURT e a V- GURT.

Traitor / T-GURT

Do inglês 'trait variety genetic use restriction technologies' onde o T refere-se a traits (traços) e consiste na transferência de genes que conferem determinadas características (traços) à semente e suas respectivas plantas. Tais particularidades podem ser de esterilização ou não, e ocorrem mediante a aplicação de determinado produto químico. As características podem conferir o crescimento, o nascimento de frutos etc. Tal tecnologia também é conhecida como 'switch technologies', ao pé da letra, tecnologias de interruptor, nas quais as plantas são 'ligadas' por 'interruptores químicos'.

Terminator / V-GURT

Do inglês 'variety genetic use restriction technologies' onde o V refere-se a variety (variedade) e consiste na transferência de genes que tornam totalmente estéreis as sementes da 2.ª geração, e por isso são denominadas sementes suicidas e /ou estéreis. A tecnologia V-GURT, vulgo Terminator, representa o último grau no processo de esterilização das gerações iniciado pela hibridação, onde por meio do melhoramento genético – diferente de transgenia – as gerações de sementes posteriores não atingem o mesmo grau de excelência da primeira geração, tendo algumas comportamento inclusive estéril.

A tecnologia Terminator confere às empresas que obtiverem o uso de sua patente um benefício econômico inigualável, pois a partir dessas sementes é criado um mecanismo de exclusão tecnológica: O agricultor seria obrigado a comprar sementes a cada safra, o replantio seria abolido e não por vias contratuais como é atualmente, mas pela impossibilidade genética de replantio.

Devido a essa questão que fere o direito dos agricultores em perpetuar suas plantações sem a intromissão de empresas multinacionais e também pelo fato de que a tecnologia Terminator não tem comprovação segura quanto aos seus riscos de disseminação, contaminação e na saúde, é criada uma moratória em 2000 com relação a sua venda, uso, patenteamento, licenciamento e registro como OGM. Entendendo o perigo que a tecnologia representa, foi a CDB de 2000 quem primeiro requeriu aos governos de todo o mundo a não comercialização e o não plantio - inclusive experimental - dessas sementes.

Segundo o economista David Hathaway as tecnologias Traitor e Terminator foram criadas para fortalecer a proteção sobre o direito de propriedade das empresas que as fabricam, assegurado que os agricultores que as utilizem não as replantem, nem a concorrência as copiem. As tecnologias Traitor também conferem benefícios econômicos às multinacionais ao comercializar sementes em conjunto a outros produtos fornecidos pela empresa, como o caso da soja Round-up Ready da Monsanto, resistente ao herbicida Round-up fabricado por ela, e do milho Starlink, resistente ao herbicida fabricado pela Aventis.

O bloco das Biotecnologias

Desde 1996 é possível verificar a fusão e incorporação de empresas do ramo farmacêutico, de agro-químicos, sementes e alimentos. Segundo Gabriel Fernandes um dos dirigentes da campanha "Por um Brasil Livre de Transgênicos", sozinha a Monsanto domina 88% do mercado de sementes transgênicas e em relação ao mercado de sementes mundial, 10 empresas concentram 50% do mercado. Cargill, Novartis, Du Pont, Pioneer, Quaker Oats Co., Delta & Pine, conhecidas mundialmente como empresas do ramo de cereais e agroquímicos agora colocam suas fichas no monopólio de sementes.

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