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Ciência

MS capacita profissionais em transplantes de órgãos

17.07.2009
 
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MS capacita profissionais em transplantes de órgãos

O Ministério da Saúde e o Hospital Sírio-Libanês fecharam parceria que possibilitará o desenvolvimento dos Centros de Transplantes de Órgãos em 16 estados do Brasil onde o número deste tipo de cirurgias ainda é baixa. O curso da Rede Nacional de Transplantes (RENTRANS) capacitará cerca de 40 profissionais de saúde até o próximo ano em temas que vão desde a captação de órgãos, passando pela distribuição, até a realização efetiva dos procedimentos.

Com a iniciativa, o governo contribuirá para facilitar o acesso de pacientes aos transplantes em áreas onde essa cobertura ainda é frágil, o que reforça a assistência nos níveis mais altos de complexidade. A abertura do curso foi realizada nesta segunda-feira (13), no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

 
Nessa primeira turma, sete médicos de seis estados (veja quadro abaixo) farão o estágio presencial em São Paulo num período que vai de dois meses a um ano, no Hospital do Rim, na Central de Transplantes da Secretaria Estadual de Saúde, na Organização de Procura de Órgãos (OPO) da Santa Casa de São Paulo e no próprio Hospital Sírio-Libanês, dependendo da modalidade de treinamento. Quando retornarem aos seus estados, eles atuarão numa área cujos serviços de saúde atendem cerca de 60 milhões de pessoas. O investimento no curso será de R$ 3,5 milhões até o próximo ano.


Redução das desigualdades – O curso busca diminuir as desigualdades regionais por meio da transferência de conhecimento e tecnologia para os estados mais distantes do eixo Rio de Janeiro – São Paulo. Para a coordenadora do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) do Ministério da Saúde, Rosana Nothen, cursos como esse contribuem para a promoção do nivelamento entre as regiões e reduzem a perda de oportunidades de doação e transplante. “Alguns órgãos estão condicionados ao tempo possível de preservação e, muitas vezes, não resistem ao transporte para lugares distantes. Assim, havendo doador, se o estado não puder realizar o procedimento, o órgão se perde”, disse Rosana.


O Secretário de Atenção à Saúde do Ministério da Saúde, Alberto Beltrame, explicou que as desigualdades na oferta de serviços têm relação com o desenvolvimento econômico de cada região. Assim, reforçou ele, além de levar o conhecimento para esses estados, o desafio é multiplicá-lo junto aos demais profissionais de saúde para aperfeiçoar a rede. “Começamos com 40 alunos, mas o projeto não para aqui. Há um longo caminho pela frente. Vamos criar uma massa crítica dentro dos hospitais e centrais de transplantes e transferir tecnologia para a realização dos procedimentos”, destacou Beltrame.


O superintendente de Estratégia Corporativa do Hospital Sírio-Libanês e responsável pela área de transplante de fígado infantil do curso do Projeto RENTRANS, Paulo Chapchap, afirmou que os projetos filantrópicos do HSL envolvem 1,3 mil colaboradores em seu corpo docente. Segundo ele, muitos trabalham sem remuneração, o que aumenta a capacidade de multiplicação do conhecimento por todo o Brasil. “Apenas uma parcela pequena da população tem acesso a serviços de excelência. Treinando profissionais, o nosso desafio é que os serviços de saúde de qualidade sejam acessados por muito mais pessoas”, disse Chapchap.


Segundo dados do Ministério da Saúde, dos 18.989 transplantes realizados em todo o país, apenas 16,4% foram nos estados participantes do curso – Acre, Amazonas, Pará, Rondônia, Maranhão, Piauí, Rio Grande do Norte, Paraíba, Alagoas, Sergipe, Bahia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás, Santa Catarina e Distrito Federal. Juntos, esses estados fizeram apenas 3.126 cirurgias em 2008. Esse número é menor do que a soma dos procedimentos realizados em Minas Gerais e no Paraná (veja quadro abaixo).


Captação ativa – Coordenador do curso, o professor aposentado da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Silvano Raia, observou que, além de ensinar as técnicas, a iniciativa formará coordenadores intra-hospitalares de transplante que serão responsáveis pela captação de órgãos nos seus respectivos estados. A exemplo do modelo já testado na Espanha, esses profissionais aprenderão a identificar pacientes com quadro clínico sugestivo de morte cerebral e mantê-lo em boas condições de internação.


Caso a morte seja diagnosticada, esse plantonista saberá como sensibilizar a família e, obtendo autorização, avisar a família e encaminhar o processo para a Central de Transplantes. “É uma nova especialidade que demanda conhecimento sobre aspectos legais e sobre como notificar as secretarias de saúde, entre outros. É um projeto inovador que transferirá um acervo técnico e cultural para o desenvolvimento desses estados”, afirmou Raia. “Não basta ter um transplantador se não houver alguém que saiba abordar a família”, reforçou Beltrame.


Na avaliação do diretor do Hospital do Rim, José Medina, a capacitação é um passo para melhorar o atendimento em todo o país. “A demanda por transplantes está crescendo muito no Brasil. Por isso, precisamos formar cada vez mais pessoas”, analisou Medina. Além do estágio presencial, a capacitação inclui outras duas ações dirigidas: manutenção e atualização das futuras equipes de transplantes. A previsão é que a manutenção seja realizada por meio de uma remuneração adicional, a ser definida, para as comissões intra-hospitalares, que trabalharão na captação de órgãos.

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