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Ciência

Calor aumenta síndrome do olho vermelho

16.10.2015
 
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Quatro em cada 10 crianças que frequentam piscinas e praias têm a síndrome do olho vermelho" afirma. Os grandes vilões são o hábito de ficar mais tempo na água e nadar de olhos abertos sem óculos de natação.

Síndrome atinge 20% dos brasileiros, é mais frequente entre crianças e inclui doenças oculares com sintomas semelhantes e tratamentos diferentes.

 Olhos vermelhos, lacrimejamento, coceira, sensação de corpo estranho, queimação, fotofobia e visão borrada são os sintomas da síndrome do olho vermelho que atinge 20% dos brasileiros no calor, segundo o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto. A síndrome pode estar relacionada à conjuntivite, alergia, ceratite (inflamação da córnea) ou olho seco. O tratamento é diferente para cada uma dessas doenças, ressalta, mas 30% dos brasileiros costumam se automedicar quando têm algum problema nos olhos. O oftalmologista explica que o órgão mais afetado pelos termômetros em alta é o olho. Isso acontece por causa das mudanças de hábito, maior evaporação da lágrima. queda da imunidade e proliferação de bactérias.

Síndrome é maior entre crianças

Queiroz Neto afirma que os olhos das crianças são os mais afetados.  "Quatro em cada 10 crianças que frequentam piscinas e praias têm a síndrome do olho vermelho" afirma. Os grandes vilões são o hábito de ficar mais tempo na água e nadar de olhos abertos sem óculos de natação. O contato da mucosa ocular com o excesso ou falta de cloro nas piscinas e com a água contaminada do mar pode causar  alergia ocular, ceratite, conjuntivite viral ou bacteriana.  O Estudo Multicêntrico Internacional de Asma e Alergias na Infância (ISAAC) demonstra que 20% da população brasileira têm algum tipo de alergia e seis em cada 10 alérgicos manifestam o problema nos olhos. "Os sintomas da alergia ocular, da ceratite e da conjuntivite viral são idênticos -olhos vermelhos, coceira, fotofobia e visão borrada" elenca o especialista.  Mas os tratamentos são diferentes. A alergia ocular, ressalta,  é tratada com colírio anti-histamínico e compressas frias. A ceratite e a conjuntivite viral   com colírio anti-inflamatório e compressas frias. Já a conjuntivite bacteriana provoca uma secreção amarelada e o tratamento é feito com colírio antibiótico e compressas quentes.

Riscos da automedicação

O uso prolongado de colírio anti-inflamatório é perigoso porque a fórmula pode conter corticóide que aumenta o risco de surgir catarata e glaucoma, afirma Queiroz Neto. Os anti-inflamatórios não hormonais que são livres de corticóide podem desencadear alergia severa  em pessoas com predisposição a reações alérgicas.    Por outro lado, alerta, o uso prolongado de colírio vasoconstritor para combater a irritação ocular predispõe à catarata precoce. O medicamento também diminui a circulação sanguínea e a oxigenação. Resultado: "os olhos ficam mais expostos a contaminações" afirma.

O especialista alerta para o risco da  conjuntivite mal tratada reincidir de forma mais grave e predispor à  ceratite, inflamação da córnea. Já as alergias oculares podem progredir para ceratocone, doença que afina e deforma a córnea apontada pelo médico como a maior causa de transplante no país.

Lente de contato é o grande vilão entre adultos

Se entre crianças os maiores vilões no calor são a água do mar e piscina, entre adultos é o abuso de lentes de contato, ar condicionado  e as viagens aéreas longas. Isso porque, explica, este três fatores aumentam o risco de olho seco e ceratite.

O uso de lentes de contato por muito tempo, o excesso de ar condicionado que retira a umidade do ar e viagens aéreas longas podem r4essecar  a lágrima e diminuir a oxigenação da córnea

A córnea, explica,  tem a função de proteger o olho e absorve o oxigênio de que precisa diretamente do ar, não da corrente sanguínea como as demais estruturas do nosso corpo. Por isso, a  má oxigenação acarreta sua inflamação, facilita a contaminação por bactérias e a formação de úlceras. A recomendação do médico é retirar as lentes de contato nas viagens aéreas com mais de 3 horas de duração porque o ar é mais rarefeito dentro dos aviões, evitar o abuso de ar condicionado e proteger os olhos com lágrima artificial sem conservante.

Tanto crianças como adultos podem prevenir a conjuntivite mantendo as mãos limpas, e evitando o compartilhamento de equipamentos de informática, maquiagem, toalhas e fronhas.

Para garantir a produção de lágrima o especialista diz que é importante fazer uma dieta com pouco carboidrato, gordura e carne bovina, porém rica em vitaminas A e E(presentes em alimentos como as frutas, verduras e legumes), além da suplementação com Ômega 3, presente nas sementes de linhaça, nozes e algumas verduras.

Eutrópia Turazzi

LDC Comunicação

 


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