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Ciência

Nova versão de formação do Sistema Solar

15.12.2006
 
Nova versão de formação do Sistema Solar

Uma nova versão para o processo de formação do Sistema Solar apeareceu depois da análise detalhada da primeira amostra de um cometa recolhida no espaço pela missão Stardust ("poeira estelar") . O resultado surpreendeu os cientistas por revelar que a sua composição não difere da de outros corpos do Sistema Solar.

 "Muitas pessoas imaginavam que os cometas se teriam formado num isolamento total em relação ao restante Sistema Solar. Mostrámos que isso não é verdade ", afirma Donald Brownlee, responsável científico da missão, num comunicado da Universidade de Washington. Segundo os pesquisadores, isso significa que, há 4,6 bilhхes de anos, quando o Sistema Solar se formou, houve transporte de material do seu interior para o seu exterior.

No final de uma viagem de quase sete anos, a cápsula Stardust trouxe para a Terra, em 15 de Janeiro passado, um milhar de partículas microscópicas recolhidas da cauda do cometa Wild 2. Depois disso, vinte laboratórios em todo o mundo examinaram uma minúscu la fracção de 10 microgramas da preciosa amostra.

Por provir dos confins gelados da cintura de Kuiper, os cientistas esperavam que o Wild 2 fosse composto por gelo e poeira interestelar. Todavia, constataram que integra uma proporção importante, talvez 10 por cento, de matéria nascida nas regiões centrais e incandescentes do disco original que deu origem ao Sol e aos seus planetas, segundo um relatório das análises hoje publicado pela revista Science.


"A mineralogia da amostra é extremamente rica e variada. Está ligada a altas temperaturas que implicam uma formação na nebulosa solar e não nas margens do Sistema Solar", segundo o astroquímico francês Louis d'Hendecourt, que participou no estudo das partículas. Para Michael A'Hearn, que assina um comentário na Science, não subsiste "nenhuma dúvida" de que os cometas se formaram em órbitas semelhantes, pelo menos em parte, às que podemos observar agora".


As observações da Stardust implicam que, em tempos recuados, ocorreu um a mistura massiva entre zonas internas e externas do disco proto-planetário. Desconhece-se no entanto o que a causou e como se formaram os cometas. Para Brownlee, o processo de formação do Sistema Solar foi provavelmente caótico e instável, fazendo com que partículas a alta temperatura fossem expelidas para os confins do Sistema Solar, onde eventualmente se fundiram e congelaram, dando origem ao cometa. "Stardust trouxe-nos certamente muita matéria de estudo", nota A'Hearn.

 Ciência Hoje

  


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