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Ciência

Volta do mundo num avião sem combustível

14.09.2014
 

 

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Num hangar do aeroporto de Payerne, na Suíça, um avião, cujas asas, 72 metros de ponta a ponta, são mais longas que as de um Jumbo 747, aguarda o momento de sua grande aventura: dar a volta ao mundo sem combustível, usando apenas a luz solar.

Rui Martins

Sustentando essas longas asas, uma estreita fuselagem de 24 metros, dando ao aparelho uma aparência de libélula de asas abertas. No extremo da fuselagem a cabine ou cockpit, onde se instalará durante cinco dias e cinco noites a única pessoa no avião, o piloto.

Solar Impulse 2 é o nome desse avião solar, cuja finalidade ao fazer a volta ao mundo em 25 dias, será a de desafiar o mundo para ousar o salto tecnológico em direção das energias alternativas.

A primeira versão do Solar Impulse já fez alguns vôos na Europa, foi até o Marrocos e atravessou de costa a costa os Estados Unidos, onde enfrentou os primeiros problemas decorrentes de sua fragilidade e leveza, pois seu peso total é de duas toneladas e meia. 

O princípio é simples: com 17.248 células solares implantadas nas asas e na fuselagem o avião captará da luz solar a energia elétrica para movimentar os quatro motores que acionam quatro hélices. Ao mesmo tempo, a luz solar será estocada em quatro acumuladores de lítium, com um peso total de 633 quilos, ou um quarto do total do peso do avião.

Com os acumuladores carregados pela luz solar durante o dia, Solar Impulse 2 deverá voar toda a noite, tornando possível um tipo de vôo perpétuo sem outro combustível senão a luz do sol.

Bertrand Piccard, o pioneiro inventor e criador do avião solar, diz que o objetivo principal do Solar Impulse não é o de transportar passageiros mas de lançar um desafio em favor de novas soluções capazes de melhorar a qualidade de vida da humanidade, com tencologia limpa e energia renovável.

Porém, além da resposta a esse desafio, é provável que, provada a viabilidade do avião solar, surjam versões capazes de voar de dia, substituindo o peso dos acumuladores pelo de passageiros. Outra consequência poderá ser o surgimento de aviões elétricos, quase silenciosos, usados para pequenos trajetos.

O desafio da volta do mundo no Solar Impulse 2 será no próximo mês de março. O roteiro já foi traçado e se situa acima do Trópico de Câncer. Estão previstas cinco etapas de cinco dias consecutivos de vôo. Para isso, a cabine do piloto foi construída, inclusive com wc, para que ele possa ficar ali instalado durante os cinco dias, sentado ou deitado, tendo à sua disposição os alimentos e a água necessários, podendo dormir por curtos períodos, enquanto o avião a 8,5 km de altura se deslocará a uma velocidade média de 70 km por hora.

Durante todo esse período de 25/26 dias de vôo, em cinco etapas, o piloto ficará conectado a uma base terrestre que, além de controlar sua pressão e pulsação, ajudará a passar o tempo nas longas travessias e não deixará que durma nos momentos perigosos como sobrevôo de cidades e riscos de turbulências e tempestades.

Dois pilotos se revezarão nas etapas de cinco dias, o próprio Bertrand Piccard, filho e neto de cientistas visionários, já fez a volta do mundo num balão sem escala; e André Borschberg, engenheiro, que se associou a Piccard no início do projeto.

Em março 2015, haverá, portanto, a primeira volta do mundo num avião solar, sem uma gota de combustível.

 


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