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Projeto de geração de energia eólica e solar em Terra Indígena vai sair do papel

14.03.2016
 
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Projeto de geração de energia eólica e solar em Terra Indígena vai sair do papel

Parceria entre ISA, Conselho Indígena de Roraima e Universidade Federal do Maranhão, projeto Cruviana surgiu como alternativa à construção de hidrelétricas e será o primeiro sistema de geração eólica em Terra Indígena do Programa Luz para Todos

O Ministério de Minas e Energia (MME) anunciou que irá instalar, ainda este ano, um sistema de geração de energia para mil pessoas em duas comunidades na Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em Roraima.

A notícia foi anunciada nesta quarta (9/3), em reunião entre Conselho Indígena de Roraima (CIR), Fundação Nacional do Índio (Funai), ISA, Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Eletrobrás, Luz Para Todos e Companhia Energética de Roraima (CERR), na sede do ministério, em Brasília.

Desde 2012, o ISA realiza pesquisas sobre o potencial eólico em comunidades da região, junto com o CIR e a UFMA. O projeto chama-se "Cruviana", termo popular usado em todo o Brasil que designa vento frio e úmido da madrugada. A ideia de gerar energia solar e eólica em comunidades indígenas surgiu como uma alternativa aos projetos hidrelétricos previstos para a região, que podem trazer vários impactos socioambientais negativos e destruir locais sagrados para os índios.

O governo anunciou que irá iniciar imediatamente a execução da iniciativa. Cada usina receberá um investimento de aproximadamente R$ 2,5 milhões do Programa Luz Para Todos. Os sistemas de geração vão utilizar a combinação de energia eólica, solar, geradores a diesel e baterias. O MME determinou que o Plano de Obras será definido pela CERR, que tem 30 dias para apresentar o documento ao ministério.

A expectativa é de que em 60 dias a Funai já possa realizar o processo de consulta nas duas primeiras comunidades beneficiadas. Se elas aprovarem o projeto, o Luz Para Todos vai realizar o processo de licitação para contratação da empresa que vai iniciar as obras ainda no segundo semestre. A perspectiva é de que a energia comece a ser gerada no início de 2017.

O projeto Cruviana continua a realizar estudos na região e vai apresentar até o fim de março o mapeamento das outras 90 comunidades que podem ser beneficiadas nos próximos anos. Segundo os levantamentos, há capacidade de levar luz para até 10 mil pessoas em aproximadamente 100 comunidades. Na maior comunidade beneficiada pelo projeto, a instalação dos sistemas de geração deve evitar a queima de pelo menos 20 mil litros de diesel por ano, evitando a emissão de gases do efeito estufa.

O projeto Cruviana é apoiado pela Ajuda da Igreja Norueguesa (AIN), Associação Bem-Te-Vi Diversidade, CAFOD, e Fundação Mott.

Letícia Leite

ISA


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