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Ciência

Poluição Provoca Doenças Oculares

13.08.2008
 
Poluição Provoca Doenças Oculares

Queimadas devem atingir nível crítico em agosto e setembro. A piora da qualidade do ar causa grave inflamação da córnea, conjuntivite tóxica e dobra a síndrome do olho seco.

A rota do biocombustível deu origem a 200 novas usinas no País e a mais de 4 milhões de hectares com plantação de cana-de-açúcar só no estado de São Paulo. Segundo o oftalmologista do Instituto Penido Burnier, Leôncio Queiroz Neto, a má notícia é que sem prevenção este investimento coloca a saúde ocular em risco. Isso porque, a previsão do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) é de que nos meses de agosto e setembro as queimadas devem atingir níveis críticos no País. Queiroz Neto explica que a piora da qualidade do ar contribui para a maior evaporação da lágrima que tem a função de proteger os olhos das agressões externas. Significa que mesmo quem tem boa saúde ocular fica mais vulnerável às doenças.

Ele afirma que a população rural merece atenção especial. Isso porque no campo é mais freqüente a ceratite fúngica, inflamação que pode causar graves lesões na córnea, perfuração e até a perda da visão. Isso acontece, observa, porque lavradores mantêm os olhos mais expostos a traumas por partículas contaminadas durante o trabalho. Outros grupos de risco são: pessoas mal nutridas, imunodeprimidas, que já têm doenças pré-existentes na córnea, como por exemplo, herpes, e usuários de lentes de contato por manuseio e manutenção incorretos.

O especialista adverte que os sintomas da ceratite são bastante parecidos com os da conjuntivite: olhos vermelhos, dor, lacrimejamento, sensibilidade à luz e visão borrada. Os tratamentos, entretanto, são bastante diferentes e exigem diagnóstico médico já que a instilação de colírio impróprio pode levar à perda irreparável da visão.

SAIBA COMO PROTEGER OS OLHOS

Outro problema que pode decorrer da poluição é a conjuntivite tóxica, inflamação da conjuntiva, membrana que recobre as pálpebras e superfície ocular. Queiroz Neto explica que é favorecida pela transpiração e oleosidade da pele que permitem a penetração dos poluentes nos olhos.

Ele diz que a poluição também agrava a síndrome do olho seco, uma alteração em um dos três ingredientes da lágrima – água, proteína e gordura. A combinação de frio, estiagem e poluição fazem a síndrome do olho seco atingir 20% da população contra 10% no restante do ano. A síndrome, observa, também pode ser causada por: ar seco, uso intensivo de computador, menopausa, envelhecimento que reduz em até 60% a produção lacrimal, doenças auto-imune, uso de pílula anticoncepcional e medicamentos para hipertensão, alergia, digestão, depressão, disfunções da tireóide ou inflamações. Os sintomas são olhos vermelhos, ardência, fotofobia (aversão à luz), vista embaçada e cansaço visual. Para eliminar o desconforto do olho seco o tratamento é feito com colírio de lágrima artificial. Quem pensa que qualquer colírio resolve o problema, se engana. Existem diversos tipos de lubrificante e cada um atua de uma forma sobre a lágrima. Por isso é necessário passar por avaliação médica para diagnosticar qual das camadas está sofrendo alteração para usar a medicação correta. As principais dicas de Queiroz Neto para proteger os olhos são:

Hidratação ●Beba bastante água ●Coloque vasilhas com água nos ambientes ●Faça compressas com água filtrada nos olhos ●Procure seu médico se a irritação não desaparecer em 2 dias ●Evite ar condicionado

Síndrome do olho seco ●Colírio de lágrima artificial sob prescrição médica ●Suplementação ou alimentação rica em Ômega 3 encontrado no bacalhau, salmão, atum, arenque e semente de linhaça.

Descontaminação ●Use óculos nas atividades externas ●Lave os olhos em caso de penetração de poluentes ●Lave o rosto e as mãos com freqüência ●Enxugue a transpiração com toalhas descartáveis ●Não compartilhe produtos de beleza, toalhas ou colírios ●Evite receitas caseiras.

Medicação Não use colírios sem prescrição médica porque podem agravar doenças, causar catarata e glaucoma.

Lentes de contato ●Não durma com lentes ●Respeite o prazo de validade ●Troque o estojo a cada 4 meses ●Use solução multiuso na limpeza e enxágüe ●Friccione bem na limpeza ●Coloque antes da maquiagem ●Interrompa o uso no primeiro desconforto ●Guarde o estojo em ambiente limpo e seco

Computador ● Pisque voluntariamente ●Faça pausas de 5 a 10 minutos a cada hora ●Posicionar o monitor 20 graus abaixo do nível dos olhos, contra a janela, com pouco brilho e máximo contraste.

Trabalho no campo, com substâncias químicas ou faíscas Use equipamento de proteção ocular individual.

Eutrópia Turazzi


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