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Ciência

"Cãoterapia" em hospital em Campinas

12.12.2007
 
"Cãoterapia" em hospital em Campinas

Quando o estudante Paulo Henrique de Almeida Bosso, 10 anos, viu cachorros passeando pelo corredor do Hospital Municipal Dr. Mario Gatti, em Campinas (SP), logo pensou em uma invasão canina e imaginou a correria dos funcionários. Depois descobriu que os bichos eram conduzidos por voluntárias da Ong Criança e Cão em Ação.

A entidade utiliza cães para levar bem-estar na recuperação de pacientes em tratamento de saúde. A instituição é a primeira do interior de São Paulo a aderir ao programa abrindo sua pediatria para a presença de cães. Desde o mês de outubro, às quintas-feiras, das 14h às 15h, eles fazem "uma visita" às crianças internadas. A unidade pediátrica dispõe de 25 leitos. O hospital atende uma média de 1,2 mil pessoas por dia pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

"Meus amigos nem vão acreditar que vieram uns cachorros no hospital", disse Paulo Henrique, que se recupera de um ferimento no joelho direito depois de sofrer uma pancada durante um jogo de futebol. Ele fica maravilhado com a delicadeza dos animais e com a beleza de Luna, um São Bernardo fêmea com 5 anos de idade, que chama a atenção pela sua exuberância.

De acordo com a coordenadora da unidade de internação pediatrica do hospital, Silvia Benvenuti de Oliveira a presença dos animais ameniza a rigidez no ambiente hospitalar. Ela explica que a iniciativa foi aplicada após experiências positivas em várias unidades de saúde dentro e fora do País. "A presença de animais facilita a recuperação e favorece a melhora do paciente que passa a se sentir mais relaxado e receptivo ao tratamento", conta.

Em geral, explica a médica, quando a criança adoece, deixa de brincar. A chegada dos bichos torna o espaço hospitalar menos formal e mais acolhedor, caloroso e afetivo.

De acordo com a presidente da Criança e Cão em Ação, a bióloga Silvia Ribeiro Jansen Ferreira, a terapia com animais é conhecida no mundo há 40 anos, mas a atuação em instituições hospitalares foi introduzida a quase uma década. A iniciativa de fundar a ONG surgiu após uma experiência pessoal. O filho portador do Síndrome de Asperger começou a interagir melhor após a família ter ganhado uma cachorra Labradora. Hoje o rapaz conclui mestrado na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

"Há o efeito desestressante não só entre os pacientes mas também com familiares e profissionais que circulam dentro de um ambiente pesado que é um hospital", fala a bióloga, que não parou de estudar o assunto. Semanalmente os cães visitam instituições como abrigos da terceira idade e entidades que assistem pessoas portadoras de necessidades especiais.

Físico e emocional
A fisioterapeuta Carina Dalpoz Oliveira e voluntária da Criança e Cão em Ação, explica que o animal desperta sentimentos, provoca sensações e reações. "Age no físico e no emocional e até na fala", aponta a voluntária.

O controlador Roberto Murilo da Silva acompanha a filha Beatriz Lima da Silva, 7 anos internada no hospital. "Ela deve ter alta nos próximos dias", diz aliviado. Beatriz caiu da cama beliche enquanto dormia e bateu a cabeça no chão. Segundo ele, após uma semana longe de casa a presença dos cães por alguns minutos deixa a menina mais calma.

"Em casa tem uma poodle chamada de Mel", fala a menina, enquanto brinca com o Border Collie chamado de Flash Brown de pelagem marrom e branco. E vai relacionando os sete cachorros batizados em parte por nomes de personagem de desenho animado que moram na casa da avó.

Larissa tem 4 anos e 8 meses e praticamente está internada desde que nasceu. Ela tem hidroencefalia e é dependente de aparelhos para sobreviver. "Ela respode muito bem aos estímulos dos animais" conta a mãe Lucicléia Marques Carvalho.

Isac vai completar 2 anos em fevereiro e só parou de chorar quando viu os cachorros balançando o rabo. "Agora ele parece um pouco animado e a gente aguarda a opinião da pediatra sobre os problemas nos rins", explica a mãe Andréia Aparecida dos Santos. "Os cachorros aparecerem e ele fica quietinho".

É proibido latir
A veterinária Camila Sakavicius é outra voluntária. Ela conta que os animais obedecem uma rigorosa sessão de higienização antes de entrar no hospital: banhos com shampoo antiseptivo, o mesmo princípio ativo usado pelos médicos, limpeza cuidadosa de patas, vacinação, vermifugação e exames de sangue e fezes em dia.

Para atender ao programa os animais são selecionados por linhagem, temperamento, boa índole e docilidade. "É preciso ser um cão obediente, não necessariamente adestrado, mas que aprecie o contato de pessoas. E é proibido latir aqui dentro", avisa. A cada visitação é feito um revezamento e o período mínimo de descanso é 15 dias. "É preciso dar uma folga, eles ficam cansados e precisam se recuperar".

A voluntária Wanda Pires de Oliveira Silva, dona da Nyna, diz que a cachorra da raça Lhasa-apso fica eufórica quando recebe a bardana da ONG pois sabe que vai passear. "Ela é dócil e gosta de pessoas. Adora bater perna".

 Fonte Terra


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