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Ciência

Bremelanotide é Viagra para mulheres

12.04.2007
 
Bremelanotide é Viagra para mulheres

O mercado está saturado de livros em como reviver líbido cansada ou apimentar o sexo monótono, e terapeutas sexuais dizem que a “falta de desejo” é uma das reclamações mais comuns que eles ouvem de pacientes, principalmente mulheres.

Desde o sucesso espetacular do Viagra e de drogas similares, a indústria farmacêutica vem procurando por um equivalente similar do Viagra – um tratamento que faria pela reclamação mais comum das mulheres, falta de desejo, o que sildenafil fez pelos homens, disfunção erétil.

Experiências iniciais com Viagra em mulheres foram decepcionantes. Realmente, a droga ampliava o tecido vaginal, assim como fazia com o pênis, mas aquele pequeno pedaço a mais de aumento de pélvis não fazia nada para aumentar o desejo das mulheres ou o prazer do sexo.

O que é necessário para o tratamento da chamada disfunção de desejo sexual hipoativo, segundo os pesquisadores, é uma droga razoavelmente segura e efetiva que aja no sistema nervoso central, nos centros de prazer do cérebro ou no circuito sensitivo que os serve.

Por um tempo, muitos terapeutas sexuais e médicos ficaram otimistas com o adesivo de testosterona da Procter & Gamble, Intrinsa, que transmite pequenas pulsações, através da pele, de hormônios que se pensava terem um papel crucial e mal entendido, tanto na libido feminina quanto na masculina. Mas em 2005, a FDA recusou a aprovar a Intrinsa, declarando que seus riscos médicos eram maiores do que os benefícios modestos que pode oferecer.

Recentemente, outro tratamento potencialmente promissor para desejo hipoativo está abrindo seu caminho em experiências clínicas, escreve The New York Times. O composto, chamado bremelanotide, é uma versão sintética de um hormônio envolvido com pigmentação da pele, e foi inicialmente desenvolvido por Palatin Technologies, de Nova Jersey, como um potencial agente de bronzeamento que ajudaria a prevenir câncer de pele.

 Mas quando estudantes homens que participaram de testes seguros iniciais relataram que a droga ás vezes proporcionava ereções, a empresa começou a explorar a utilidade de bremelanotide como um tratamento para disfunções sexuais.

Estudos feitos em roedores demonstraram que a droga não dava somente ereções espontâneas aos ratos machos, mas também instigava excitação sexual nas fêmeas, estimulando-as a balançar suas orelhas, pular animadamente, esfregar os narizes com machos e mostrar, de outras maneiras, marcas inconfundíveis de excitação de roedores.

As fêmeas responderam à droga somente sob condições do laboratório, onde eles podiam manter um senso de controle sobre o acasalamento. Tire a oportunidade da fêmea escapar, ou proceder em seu ritmo preferido, e nenhuma quantidade de bremelanotide conseguiria fazer aquelas orelhas balançarem. Em outras palavras, Annette M. Shadiack, diretora de pesquisas biológicas de Palatin, disse: “isso não parece como uma potencial droga de estupro”.

Inspirados pelo trabalho dos roedores, a empresa decidiu fazer uma tentativa da droga com as mulheres. Resultados de um estudo piloto de 26 mulheres que já haviam entrado na menopausa e sido diagnosticadas com a disfunção sexual sugeriram que bremelanotide pode ter algumas propriedades moderadas afrodisíacas.

Respondendo ao questionário depois de tomar a droga ou um placebo, 73% das mulheres do bremelanotide responderam se sentir excitadas genitalmente, comparado com as 23% das que tomaram placebo; e 43% do grupo do bremelanotide disse que o tratamento aumentou seu desejo sexual, contra somente 19% do outro grupo.

Mulheres no grupo de tratamento também tiveram mais sexo com seus parceiros durante o período de teste do que aquelas no grupo de controle, embora quem tenha iniciado a relação não foi especificada.

Maiores experiências da droga em 20 centros clínicos pelo EUA estão à caminho. Entre outras coisas, os pesquisadores tentarão adequar a dosagem para ver se mais bremelanotide pode provocar uma reação mais robusta com o mínimo de efeitos colaterais desagradáveis ou constrangedores.

Por exemplo, pesquisadores ainda não têm certeza se o uso contínuo de bremelanotide irá acabar fazendo o que a droga era para fazer em primeiro lugar, dando aos seus felizes clientes um bronzeado saudável.

Natalie Angier


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