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Ciência

Ensaio, Clima: Com a verdade, me enganas…

12.02.2007
 
Ensaio, Clima: Com a verdade, me enganas…

É uso dizer-se entre nós “com a verdade, me enganas” quando alguém servindo-se de uma verdade procura esconder segundas intenções. Assim parecem as recentes conclusões sobre a evolução do clima do Planeta até ao final do presente século, resultantes do “conclave científico” reunido em Paris sob a égide do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change).

Quando vemos tanta conversa à volta de um mesmo assunto, como temos assistido sobre as “mudanças climáticas” por efeito dos gases de estufa, nomeadamente o CO2, ficamos em estado de alerta e desconfiamos da bondade das intenções. Pensamos logo que alguém está interessado em vender alguma coisa… Mais, quando não nos chegam os critérios e os métodos científicos utilizados que fundamentam as conclusões, havendo quem as refuta cientificamente e por isso não é tido pelo “Establishment Climático” da ONU, como foi o caso do climatologista Richard S. Lindzen, temos que desconfiar. Além disso, o facto de alguns dos membros do IPCC e muitos dos 2500 participantes na reunião de Paris, na sua maioria políticos, representarem de algum modo interesses económicos e estratégicos associados às chamadas energias limpas, incluindo o nuclear, torna os relatórios desta organização pouco fiáveis e credíveis.

Sabemos que esta nossa afirmação vai no sentido contrário de tudo que nos últimos dias se tem escrito e dito a respeito das “Mudanças Climáticas”. Quem nos ler dirá até que não estamos preocupados com a poluição. Estamos. Porém é necessário, antes do mais, perceber os grandes interesses económicos e estratégicos que se movimentam à volta do chamado “Aquecimento Global”.

Vejamos alguns exemplos. Al Gore com a sua “Verdade Inconveniente”, devia chamar-se “Verdade Conveniente”, tem interesses económicos nas chamadas energias alternativas. Por outro lado, há quem o acuse de estar a promover a sua candidatura à presidência dos USA para as próximas eleições, além da publicidade encapotada à Apple Macintosh. A opinião pública americana é cada vez mais sensível aos problemas ambientais. Nada melhor portanto que um político “engajado” na Ecologia” para convencer o eleitorado. James Lovelock, autor do “best sellers” “As Eras de Gaia”, que postula que o Planeta Terra é um super organismo vivo, tendo sido durante grande parte da sua vida um ferrenho ecologista, defende hoje a “energia nuclear” como a única alternativa viável aos combustíveis fósseis, considerados que são os vilões do “aquecimento global”, apesar do perigo de morte que o urânio enriquecido representa para todas as formas de Vida no Planeta.

Em Portugal temos também exemplos dessa categoria. Em palestra realizada em Setembro do ano passado a propósito do filme de Al Gore, dois políticos da nossa praça marcaram a presença defendendo os sectores energéticos que representam. Carlos Pimenta, um ecologista de renome, referiu-se, com o entusiasmo que se lhe reconhece, às energias renováveis, nomeadamente a eólica, e Pedro Sampaio Nunes, dirigente do Partido Popular, defendeu o nuclear. Ambos têm curiosamente interesses empresariais em cada um dos ramos citados.

Haverá mais exemplos. É que as energias renováveis, ditas “limpas”, é o que está a dar. É a nova coqueluche dos Iluministas da Globalização. Nesse sentido, que credibilidade têm os avisos que o IPCC faz sobre o “Aquecimento Global”? Se a isto juntarmos o “mercado do carbono”, estabelecido pelo Protocolo de Kyoto e confirmado no ano passado no Quénia, ainda mais “transparentes” ficam as boas vontades inesperadamente interessadas no lucrativo mercado das energias alternativas.

Segundo o jornalista norte-americano James Hovard Kunstler, no seu livro “O Fim do Petróleo – O Grande Desafio do Século XXI”, metade das reservas mundiais do petróleo está esgotada, precisamente aquela que estava mais acessível. Daqui para a frente, a outra metade, será mais difícil de extrair, mais cara e de menor qualidade, nunca sendo possível atingir o fundo do poço... E as alternativas energéticas possíveis não substituirão o petróleo na íntegra, havendo até algumas que dependerão deste para existir, até mesmo em termos do fabrico do hardware necessário ao seu funcionamento. Nestes termos, a Economia vigente, na ausência de uma base energética barata e abundante como o petróleo, irá a prazo entrar em falência. Isto explica em grande parte as preocupações do Establishment Internacional com a energia. O sistema procura por diversas formas introduzir “entropias negativas” no desenvolvimento económico, sobretudo ao nível dos países em desenvolvimento, de modo a manter-se na “crista da onda”, depois de um longo período de esbanjamento e desperdício, com os resultados negativos sobre a mãe Natureza que se conhecem. Entretanto, os oportunistas de sempre, como chacais, irão banquetear-se com os restos… No caso, com a escassez dos combustíveis fósseis, não passando de meros pretextos as cínicas preocupações ecológicas que manifestam.

Artur Rosa Teixeira

artur.teixeira@netcabo.pt


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