Pravda.ru

Ciência

2010 é o Ano Internacional da Biodiversidade

12.01.2010
 
Pages: 123
2010 é o Ano Internacional da Biodiversidade

E já no ano 2000 o então Secretário-Geral das Nações Unidas, Kofi Annan, apelou ao estabelecimento de uma avaliação do estado dos ecossistemas do planeta e da sua capacidade para assegurar a manutenção do bem-estar humano. Essa avaliação foi denominada Millennium Ecosystem Assessment (MA), e foi desenvolvida a nível global entre 2001 e 2005. No entanto, para além do nível global, o MA integrou um conjunto de Avaliações Sub-Globais a escalas regionais, nacional e local.

A Avaliação Sub-Global para Portugal (ptMA) foi uma das 18 Avaliações Sub-Globais do Millennium Ecosystem Assessment. Foi liderada pelo Centro de Biologia Ambiental da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, iniciou-se em 2003 e envolveu uma equipa de mais de 60 cientistas de uma dezena de instituições. A ptMA foi concebida para responder às necessidades de informação dum grupo de utilizadores nacionais, que incluíram instituições governamentais, organizações não governamentais de ambiente, agricultores e industria.

Os resultados finais da Avaliação Sub-Global para Portugal do Millennium Ecosystem Assessment foram reunidos num livro, “Ecossistemas e Bem-Estar Humano: Avaliação para Portugal do Millennium Ecosystem Assessment”, que será apresentado no próximo dia 13 de Janeiro, pelas 17h, na livraria Escolar Editora, no edifício C5 da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. A sessão será presidida pelo Secretario de Estado do Ambiente, Prof. Doutor Humberto Rosa.


O livro foi co-editado por Henrique Miguel Pereira (FCUL), Tiago Domingos (IST), Luis Vicente (FCUL) e Vânia Proença (FCUL).

Os Ecossistemas portugueses
Os ecossistemas portugueses providenciam um conjunto de serviços de ecossistema essenciais para o bem-estar humano.

Na base de todos esses serviços está a biodiversidade, que em Portugal Continental inclui mais de 3000 espécies de plantas vasculares, cerca de 400 espécies de vertebrados, e um número desconhecido de espécies de invertebrados. Nos Açores e na Madeira ocorrem mais de 1700 espécies de organismos endémicos, isto é, que não existem em mais nenhuma parte do mundo.
As alterações humanas aos ecossistemas portugueses começaram há milhares de anos. O domínio progressivo dos ecossistemas pelas populações humanas, principalmente no sentido de melhorar a produção de alimento, levou ao declínio da floresta e de várias espécies de grandes mamíferos. No final do século xix, só cerca de 10% do território nacional era coberto por floresta e havia graves problemas de erosão nas montanhas. Para mitigar esses problemas e para aumentar a produção de produtos florestais, o Estado Português fomentou várias campanhas de florestação, principalmente com pinheiro-bravo. Simultaneamente, a crescente procura de cortiça e de carne de porco de raça Alentejana levou ao aumento da área de montado de sobreiro e azinho. Em meados do século xx a área florestal tinha já triplicado.

Nos últimos 50 anos assistimos a alterações significativas nos ecossistemas portugueses impulsionadas por profundas modificações socioeconómicas. A economia aumentou mais de seis vezes, o número de agricultores diminuiu mais de 60% e a área agrícola reduziu-se em 40%. Ocorreu a intensificação agrícola e a florestação com monocultura de eucalipto, com impactes negativos na biodiversidade e nos serviços de regulação dos ecossistemas. Os nossos rios sofreram modificações dramáticas com a construção de barragens e com o aumento da poluição proveniente da agricultura e da indústria. O problema das espécies exóticas invasoras agravou-se nas ilhas e aumentou a pressão sobre os ecossistemas costeiros. Em muitos ecossistemas manteve-se ou agravou-se o nível de sobre-caça e sobre-pesca.


Actualmente 30% das espécies de vertebrados terrestres e 70% das espécies de peixes dulciaquícolas e migradores autóctones encontram-se ameaçadas. As florestas naturais no Norte do país têm uma distribuição escassa, embora no Sul o montado de sobro e azinho, um sistema agro-florestal semelhante à floresta natural desta região, esteja relativamente em bom estado. O sistema nacional de áreas protegidas e a Rede Natura 2000 cobrem algumas das áreas mais importantes para a biodiversidade. Outras opções de resposta para proteger a biodiversidade incluem a condução da regeneração da floresta em áreas agrícolas abandonadas, a conversão parcial das florestas monoespecíficas em florestas biodiversas, a utilização de práticas agrícolas que promovam a biodiversidade, o controlo das espécies invasoras, a protecção da integridade dos sistemas de água doce em bom estado, o controlo das fontes de poluição aquática e a expansão do sistema de áreas protegidas marinhas.

Pages: 123

Loading. Please wait...

Fotos popular