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Ciência

Nostalgia x tecnologia (e o futebol?)

10.02.2011
 

Nostalgia x tecnologia (e o futebol?): Avanços tecnológicos determinam o fim de instituições - A luta das instituições pela própria sobrevivência, nos últimos anos tem atingido proporções inimagináveis em detrimento do esforço dramático de alguns abnegados mecenas.

por Sergio Prata

A luta das instituições pela própria sobrevivência, nos últimos anos tem atingido proporções inimagináveis em detrimento do esforço dramático de alguns abnegados mecenas. A tecnologia que passava ao largo dos seus sonhos e aspirações, hoje avança ferozmente em várias direções atingindo "em cheio" as estabilidades de organizações que fizeram parte da história, muitas delas quase centenárias como clubes e jornais.


Em síntese, muitas instituições que ousaram resistir aos avanços tecnológicos simplesmente desapareceram em função do déficit financeiro e cerraram suas portas. Poucas conseguiram alcançar a façanha da extinção legal e oficial, transferindo seu acervo para outras instituições, conforme determina a legislação, no caso das organizações não governamentais, e que no futuro a instituição beneficiária poderá vir a ter destino idêntico, ou em casos de litígios, quando tiveram seus bens nomeados à penhora, que somarão pífias importâncias para os litigantes.


Segundo o IBGE os mais recentes casos de desaparecimento ou extinções de instituições vêm se dando em função do avanço da internet e seus mecanismos de exploração. Com a nova mudança de hábitos, muitas instituições entraram em decadência pela perda de seguidores. A pesquisa observou que somente tiveram crescimento os seguintes segmentos institucionais em função da adequação dos seus espaços para o mundo virtual: universidades, museus e bibliotecas.


Os pontos mais interessantes na pesquisa apontam diretamente para o processo de formação cultural no tocante a leitura. Diminuiu a quantidade de indústrias gráficas (livros, jornais e revistas) e de livrarias, apontando a retração do mercado editorial, mas aumentou o número de bibliotecas, informando com isto que os impressos estão tendo um destino fechado e direcionado. Os clubes recreativos, redutos tradicionais da classe média alta, reduziram em mais de 10% (dez por cento) nos últimos 4 (quatro) anos, demonstrando que as famílias deixaram de frequentar aqueles espaços de lazer, esporte e cultura.


O período coincide com o processo de democratização da informática e acesso a internet, quando muitas instituições entraram em decadência, perdendo espaço para outros segmentos de convivência. A própria TV aberta, mesmo com o crescimento populacional, perdeu nesse período, cerca de 4% (quatro por cento) de assistentes.


A tendência deverá ser confirmada com os próximos levantamentos. Segundo o IBGE, o estudo mostrou o crescimento de quase 240% (duzentos e quarenta por cento), o número de cidades com provedor de internet, mostrando que a internet chegou a mais da metade dos municípios brasileiros (56%). Com isto, as crianças e os adolescentes estão tendo mais contato com o computador do que com o esporte.


As videolocadoras perderam mais de 80% (oitenta por cento) e os cinemas cerca de 20% (vinte por cento) do mercado, e segundo o relatório, pode ser explicado em razão de outras formas de acesso aos vídeos e filmes (TV por assinatura e internet), mas mesmo assim, o mesmo relatório permitiu identificar a evidencia de um avanço no traço audiovisual brasileiro.


Das poucas instituições brasileiras que pouco ou nada sofreram com o avanço da internet, podemos garantir que foram os nossos grandes clubes de futebol. Nenhuma outra competição de futebol tem tanto apelo global quanto o futebol brasileiro que é uma vitrine de craques. Como a crise financeira que abalou o mundo pouco afetou o Brasil, os investimentos no esporte estão se voltando para os nossos clubes, em detrimento dos clubes europeus.


São recursos controlados por milionários estrangeiros, que despejam fortunas (muitas de origem duvidosa) para reforçar equipes. A maioria dos "investidores" sequer está atrás de lucro. Querem apenas dar uma nova origem ao dinheiro, notoriedade e diversão.
E o IBGE não viu esta tendência!

Fonte: Diapasão

http://www.guiasaojose.com.br/web/coluna_ler.asp?id=4923

 


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