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Moab completa 20 anos protestando contra a construção da usina de Tijuco Alto, no Vale do Ribeira (SP)

09.03.2009
 
Moab completa 20 anos protestando contra a construção da usina de Tijuco Alto, no Vale do Ribeira (SP)


No dia 14 de março, sábado próximo, comemora-se o Dia Mundial de Luta contra Barragens e o Movimento dos Ameaçados por Barragens (Moab), do Vale do Ribeira, em SP promoverá uma manifestação na cidade de Adrianópolis (PR), em protesto contra a usina de Tijuco Alto. Começam também as comemorações de 20 anos de resistência do Moab contra as barragens no Rio Ribeira de Iguape.

"Terra sim, barragem não!" é o slogan do Movimento dos Ameaçados por Barragens (Moab) do Vale Ribeira, região que abrange os estados de São Paulo e Paraná. Como em todos os anos, o Moab promoverá em 14 de março, sábado, Dia Mundial de Luta contra Barragens, uma manifestação contra a construção da usina de Tijuco Alto, pleiteada desde a década de 1980 pela Companhia Brasileira de Alumínio (CBA), empresa do Grupo Votorantim, como geradora de energia para sua fábrica na região de Sorocaba (SP). A manifestação do próximo sábado será na cidade de Adrianópolis, do lado paranaense do Vale do Ribeira, e terá início de manhã com uma concentração no município vizinho de Ribeira, do lado paulista. Ambos são separados por uma ponte sobre o Rio Ribeira de Iguape. (Veja no final do texto).

O Moab também está completando 20 anos de luta contra barragens no Rio Ribeira de Iguape e pelo direito à terra. Embora sua fundação formal tenha se dado em 1991, o movimento se articulou efetivamente em 1989, diante da ameaça da construção de hidrelétricas no Rio Ribeira. Quem conta um pouco dessa história é a irmã Maria Sueli Berlanga, uma das coordenadoras do Moab, militante de primeira hora do movimento e integrante da EEACONE (Equipe de Articulação das Comunidaddes Negras do Vale do Ribeira), organização que atua no Vale do Ribeira. “Era fevereiro de 1986 e estávamos no Quilombo de Ivaporunduva fazendo mais uma reunião de leituras bíblicas reunindo lideranças de várias comunidades quilombolas quando surgiu o assunto da construção das barragens”, explica.

Começou aí a conversa entre as comunidades para entender o que isso significava. Basicamente sérios prejuízos sociais e ambientais, disfarçados em promessas de “progresso” e “geração de empregos” para a região. Três anos depois, o movimento estava mais estruturado mas só em 1991 ganharia o nome de Moab. A partir daí, todos os anos, no mês de março, quando se comemora o Dia Mundial de Luta contra as Barragens, o Moab coloca suas faixas e seus militantes na rua ao lado de outros movimentos sociais e do Movimento dos Atingidos por Barragens, MAB, que tem caráter nacional, para sensibilizar a sociedade contra a construção de hidrelétricas.

Principal conquista foi a conscientização

Na avaliação de irmã Sueli, a conquista fundamental do movimento foi a organização das comunidades em torno dessa luta. “Na primeira manifestação pública que fizemos em Registro, o pessoal não tinha coragem de abrir as faixas”, conta. "Hoje, 20 anos depois, o grande ganho do Moab é a efetiva participação das comunidades quilombolas e não quilombolas do Vale do Ribeira".

Da descoberta do projeto da hidrelétrica pelas comunidades até hoje muita coisa aconteceu. A CBA, por exemplo, na expectativa de que o projeto de Tijuco Alto seria aprovado rapidamente, começou a comprar terras na região a ser alagada pela obra, pressionado os moradores a vender. Muitos dos que venderam terminaram engrossando o contingente de moradores miseráveis da periferia de Curitiba, capital do Paraná. Os resultados foram desastrosos para o desenvolvimento do Vale do Ribeira que estancou nos lugares onde se previam as barragens. As terras compradas ficaram abandonadas e os que não venderam não quiseram investir em algo de futuro incerto.

Depois de muitas idas e vindas, incluindo a saída do projeto da esfera estadual para a federal, já que o Ribeira de Iguape é um rio federal porque abrange dois estados (São Paulo e Paraná); o indeferimento do primeiro EIA-Rima em 2003 e a apresentação de um novo em 2005, em fevereiro do ano passado, o Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) emitiu parecer favorável ao empreendimento. Saiba mais .

Apesar da grande resistência regional, de problemas metodológicos na elaboração dos estudos de impacto ambiental e de recomendação do Ministério Público para não emitir a Licença Prévia, a equipe técnica do órgão federal elaborou relatório concluindo pela viabilidade ambiental da usina hidrelétrica.

Ler mais:

http://www.socioambiental.org/nsa/detalhe?id=2848


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