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FSMBIO 2015: Bacias hidrográficas

08.02.2015
 
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FSMBIO 2015: Bacias hidrográficas

Fortalecimento de comitês e diálogo entre diferentes atores podem ser saída sustentável para preservação das bacias hidrográficas, segundo participantes da plenaria no FSMBIO 2015

 

Por Susana Sarmiento - Portal Setor3 (Senac SP)

Em épocas de crise hídricas em alguns Estados brasileiros, o debate sobre água se torna cada vez mais importante a diferentes atores sociais. Aqui em Manaus não é diferente. Hoje à tarde na programação do Fórum Social Mundial da Biodiversidade 2015 as bacias hidrográficas ganharam destaque na plenária do penúltimo dia do evento no auditório da Divisão de Desenvolvimento Profissional do Magistério, na Vila Amazonas, em Manaus (AM). 

A pauta do encontro foi Bacias Hidrográficas como Base de Planejamento com a participação de diferentes atores sociais, de lideranças indígenas, a pesquisadores acadêmicos, a representantes de programas da empresa privada, e de órgão público: capitão tenente Ricardo Magalhães Valois e capital tenente Bruno de Farias Santos, da Marinha do Brasil; Juliana Belota, pesquisadora e presidente da Associação dos Moradores Caravelhes APA Tarumã; Roseninho Saw Munduruku, do Conselho Indigenista Missionário; Nádia Verçosa Mestrinho, da ONG Womará; Valéria Sucena Hammes, pesquisadora da Embrapa e do Instituto de Cidadania da Amazônia; e Elton de Jesus, do Comitê da Bacia do Puraquequara (AM). 

Os representantes da Marinha se colocaram a disposição para contribuir com pautas relacionadas com preservação de bacias importantes da região Amazônia. Explicaram ainda que eles realizam levantamentos dos rios e monitoramento. 

Já a pesquisadora Nádia inicialmente explicou como a ONG Womarã atua em projetos de geração de renda e empregos e trabalhos socioambientais. "A água está valendo ouro neste momento. Espero que a organização do FSM discuta sobre as bacias amazônicas". 

Já o indígena do povo Munduruku contou o combate contra o projeto da Usina de Tapajós. Ainda ressaltou a importância da consulta pública para construção desse tipo de obra. "Estamos nessa briga. E ainda eles falam que não tem mundurucu lá, mas como as outras secretarias trabalham lá, como a saúde, educação e até FUNAI. E depois falam que não tem indígenas", criticou. 

Roseninho questionou porquê o governo não investe em energias alternativas. Defendeu ainda a importância da união dos indígenas e outros povos, como ribeirinhos e outros que convivem na região Amazônia, para ajudar no combate contra projetos que impactam o meio ambiente. "E eles ainda perguntam: Por quê indío quer tanta terra? E nós para o governo: por quê eles querem tanta terra para desmatar?"

Juliana falou que a preservação está no campo do invisível, por isso é difícil ilustrar para muitas pessoas. Ela mostrou um projeto de parque na APA Tarumã, caracterizado como um último cinturão verde de Manaus. Seria o Parque da Água Branca, um espaço turístico e destinado também para pesquisadores e cientistas fazerem seus estudos na região. Essa parte está ameaçada pela perda de mananciais. Segundo a pesquisadora, essa parte da capital do Amazonas está sofrendo com a expansão de empreendimentos, devastamento clandestino e perda de nascentes com instalação de obras. Ela mostrou que as principais empresas envolvidas são Manaus Energia e Infraero. Sugeriu ainda que para o licenciamento de obras poderia ser obrigatório a presença de um engenheiro ambiental para acompanhar a elaboração do projeto e a sua implementação, minimizando os impactos ambientais. 

Juliana convidou Michele Moraes para apresentar o blog Água Branca Online, que acompanha novidades da APA Tarumã, mostrando animais, vegetação local e outras questões interessantes dessa região. 

Elton falou que são duas bacias que são mais impactadas com nova expansão de Manaus. Uma delas é a do Puraquequara. Em sua opinião o comitê de bacia precisa de mais apoio do governo. "O governo repassou para a ANA (Agência Nacional das Águas) 750 mil reais, esperamos que venha algum recurso para os comitês".

A pauta sobre bacia hidrográfica é urgente, mas os interesses dos atores envolvidos são diversos. Dessa forma, Valéria Hammes sugeriu o diálogo como uma saída sustentável. "Em minha opinião, precisamos diversificar as ferramentas para compactuar melhores saídas". Após contextualizar os desafios mundiais, ela defendeu que cada escolha determina o futuro, envolvendo a questão do consumo, a busca das funções dos papeis sociais dos indivíduos.

"Acredito que é interessante compartilhar soluções para melhorar as redimensões no tratamento necessário. Esse diálogo foi construído nesse discurso. E cada povo tem uma organização de pensamento para aprender a lidar com a diversidade", apontou.

O representando da Itaipu Binacional resumiu o Programa Cultivando Água Boa. Para ele, os desafios estão na água, alimentos e energia. Contextualizou o consumo diário de energia e o custo disso, além de esclarecer que a Itaipu é responsável por 60% da produção de energia do País. "O que vemos hoje é que não temos feito bem os empreendimentos estratégicos".

O Programa Cultivando Água Boa envolve planejamento e participação da sociedade civil. Essa iniciativa promove atividades com os comitês gestores de cada comunidade, como oficinas do futuro, muro das lamentações, árvores de esperança, e construção de planos, até a construção da Carta da Terra no Pacto das Águas. "Talvez a solução seria ter uma coalizão para resolver essa situação".

 


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