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Piolho: mitos sobre o vilão que preocupa pais e professores a cada volta às aulas

05.02.2009
 
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Piolho: mitos sobre o vilão que preocupa pais e professores a cada volta às aulas


Especialista esclarece as principais dúvidas e aponta que as ações educativas são a estratégia mais importante para o tratamento eficaz do problema.

Há milhares de anos, a infestação por piolhos atinge a humanidade em todas as partes do mundo. Na volta às aulas, estes minúsculos insetos que vivem no couro cabeludo se transformam em vilões: com a aglomeração diária de crianças, os piolhos encontram o ambiente ideal para se reproduzir.

Pesquisador do Instituto Oswaldo Cruz (IOC), Julio Vianna Barbosa conscientiza de que o piolho é uma doença – a pediculose, causada pela infestação pelo inseto Pediculus humanus capitis. Criador do Disque-Piolho, serviço de atendimento telefônico que tira dúvidas sobre o tema, o pesquisador esclarece mitos e verdades sobre o assunto e defende que as ações educativas são a estratégia mais importante para o tratamento eficaz.

A infestação por piolhos está relacionada à falta de higiene?

Esta é uma visão completamente errada. O piolho não está associado a baixa renda ou a falta de higiene. Pelo contrário, piolho gosta de cabelo limpo. Por isso, quem lava o cabelo diariamente também pode ter piolho. As crianças sofrem discriminação, ganham apelidos desagradáveis na escola, mas nosso papel é esclarecer que qualquer pessoa, independente de raça ou renda familiar, pode ser infestada. Prova disso é que a pediculose está descrita na Bíblia, 1.300 anos antes de Cristo.

É verdade que, ao contrário do que todos imaginam, o piolho não pula e nem voa? Como ele é transmitido?

Apesar de ser um inseto (artrópode), ele não tem asas e nem pernas adaptadas para o salto. A pulga pula, o mosquito voa – o piolho não voa e nem pula. Ele pode ser carregado pelo vento, porque é leve. Além disso, passa de uma cabeça para outra pelo contato direto. Isso explica a alta incidência e a prevalência em crianças em idade escolar, já que brincam juntos e compartilham os mesmos objetos, como escovas.

A coceira intensa é causada pela picada ou por outro motivo?

Os insetos têm artifícios para que o hospedeiro não perceba que está sendo parasitado. Com o piolho não é diferente. Na saliva dele existe uma substância que funciona como anestésico e outra que tem propriedades anticoagulantes. O anestésico não deixa que a pessoa sinta que está sendo picada e o anticoagulante não permite que o sangue coagule no abdômen do inseto. Como estas enzimas são estranhas ao organismo, quando ele acaba de fazer a hematofagia, que é a alimentação com sangue, acontece uma reação imunológica que causa a coceira. A coceira intensa pode causar feridas, que acabam funcionando como uma porta de entrada para infecções oportunistas, principalmente bacterianas.

Qual a eficácia de medicamentos como loções e xampus?

Com raríssimas exceções, os medicamentos disponíveis no mercado trazem em sua embalagem o pente fino. Se o produto funciona, por que esta cortesia? Nosso trabalho educacional tem o objetivo de mostrar que o que funciona mesmo é a velha receita da vovó. Passar o pente fino diariamente, como se escova os dentes. Este é o método mais eficaz, principalmente no caso de crianças em idade escolar devido ao contato contínuo com outras crianças infestadas. Uma boa saída é ensinar a criança a usar o pente fino durante o banho, porque neste momento o piolho é eliminado junto com a água corrente.

Muitos pais vêm utilizando um medicamento via oral para combater a infestação de piolho. Este medicamento é eficaz?

A medicação tem efeito sim. Porém, o FDA (Food & Drug Administration , órgão norte-americano responsável pela liberação de medicamentos e alimentos) não aprova seu uso no combate aos piolhos, mas para duas outras parasitoses. Os pais utilizam o medicamento por sua praticidade, imaginando que uma pílula será a solução do problema. Mas, como os outros medicamentos existentes no mercado, ele não tem efeito sobre as lêndeas (como são popularmente chamados os ovos do parasito) e permanece na circulação sangüínea. O piolho, quando faz a hematofagia, absorve junto com o sangue a composição da droga e acaba morrendo. O problema é que quando a criança se reinfesta o medicamento é novamente aplicado, o que pode acarretar uma superdosagem. Recomendo aos pais que não utilizem este medicamento, pois não é aprovado pelo FDA para a pediculose.

Antigamente, o uso de inseticidas era pratica comum. Isso ainda acontece?

Nós fazemos palestras de esclarecimento, vamos até as comunidades e escolas e o que percebemos é que, infelizmente, o uso de inseticidas ainda está em vigor. Os inseticidas são venenos e, como já disse, não têm efeito sobre as lêndeas. Se houver uma lesão no couro cabeludo, por exemplo uma ferida causada porque a criança coça freqüente e intensamente a cabeça, além de ser a porta para infecções oportunistas, esta ferida pode significar a entrada de substância tóxica na circulação se o inseticida for aplicado. Estes produtos não são recomendados sequer para uso animal.

A questão crucial dos medicamentos, então, é a ineficácia sobre as lêndeas?

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