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Ciência

Saúde, Dieta, Esporte, Vegetarianismo: Uma Questão de Bom-Senso

04.05.2016
 
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Cada vez mais, quebrando mitos e tabus, estudos científicos em todo o mundo apontam a alimentação vegetariana como mais saudável 

e suficiente, além de ética do ponto de vista ambiental: grande saída para se resolver os problemas do ecossistema. Contra fatos não há argumentos: respeitar a vida dos animais e do ecossistema é, mais que nunca, respeitar a si mesmo. E quem se tornou vegetariano é evidência prática das pesquisas atuais

Edu Montesanti

Maior disposição, melhora no bom-humor, fácil digestão, maior longevidade, pele mais bonita, diminuição da ansiedade e aumento na capacidade de concentração. Melhores funções intestinais, eficiente no controle de peso, menor incidência de anemia, redução de colesterol, muito mais baixa probabilidade de se contrair câncer, doenças cardíacas, renais, pressão alta e até mesmo cura da diabetes, com eliminação total da insulina. Tudo isso e muito mais oferece, sob garantia científica e comprovação na vida de milhões de pessoas, a alimentação vegetariana que pode ser bem mais nutritiva, deliciosa e mais econômica que a onívora (a que contém carne). E ainda: indispensável se quisermos salvar a vida do planeta.

Atletas campeões do mundo e do garfo atestam estudos recentes, e derrubam mitos

Além de se sentir muito honrado por defender a vida, quem se torna vegetariano dificilmente sente saudades dos velhos hábitos, certificando-se de todos os seus benefícios. São alguns dos mais evidentes exemplos que comprovam, na prática, o que dizem recentes pesquisas científicas: vegetarianos como Carl Lewis, dos mais rápidos velocistas do mundo, conquistador de diversas medalhas de ouro em olimpíadas em atletismo, figurando entre os maiores atletas de todos os tempos; ou como Dave Scott, tetracampeão mundial de triatlo na categoria Ironman (provas seguidas de 3,8 km de nado no oceano, 180 km de corrida de bicicleta e maratona de 42 km), considerado o maior triatleta do mundo; também atletas como Pietro Venturato, fisiculturista bicampeão do mundo; ou Éder Jofre, maior boxeador da história do Brasil, tantas vezes campeão do mundo nos pesos galo e pena. Eles são algumas das milhões de pessoas em todo o mundo que confirmam estudos que afirmam ser a alimentação vegetariana não só viável, mas que também proporciona mais vitalidade e resistência física, entre tantos outros benefícios que serão abordados em seguida.

- gorduras + fibras = intestino saudável, pessoa feliz e mais bonita


Toda essa vantagem começa na baixa ingestão de gordura (o índice de obesidade é dez vezes maior nos onívoros, e 9% da incidência mundial de câncer do intestino relaciona-se ao excesso de peso), e na digestão mais fácil devido à rica ingestão de fibras (inexistente nos alimentos de origem animal), tudo isso inerente à alimentação vegetariana. Mais: segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), existem no mundo 400 milhões de obesos, e só nos Estados Unidos 1/3 das mulheres é obesa entre 20 e 39 anos - muitas delas ao extremo.

As fibras são estimulantes para o funcionamento intestinal, que elimina tudo o que não foi aproveitado pelo organismo e, assim, intestino que funciona bem reduz riscos de câncer por não permitir que a fezes mantenha longo contato com a parede intestinal. A saúde do intestino também proporciona pele mais bonita, e como este órgão produz considerável quantidade de serotonina, substância responsável pelas sensações de bem-estar e de bom-humor, melhora a qualidade emocional aliviando, deste modo, a ansiedade (a serotonina é usada pela indústria farmacêutica na elaboração de antidepressivos). Sobre a pele, vale ainda ressaltar que a alimentação vegetariana proporciona maior proteção contra os radicais livres, causadores do envelhecimento dela quando descontrolados no organismo. Os antioxidantes que previnem a pele, mantendo-a com estado jovial por mais tempo, estão presentes de maneira muito mais rica na alimentação vegetariana (em especial no betacaroteno, e nas vitaminas C e D).

Segundo o médico Eric Slywitch, coordenador da Equipe Multidisciplinar de Terapia Nutricional do Hospital Santa Marina, em São Paulo, o ideal é que as mulheres ingiram diariamente 25 gramas de fibra e os homens, 35 g, enquanto estudos apontam que veganos (adeptos da alimentação totalmente livre de origem animal, inclusive laticínios e ovos) ingerem em média 40 g de fibra por dia. Sobre a gordura, vale salientar que os vegetais estão totalmente livres daquelas gorduras animais consideradas maléficas, as saturadas e as trans, que dificultam a passagem dos nutrientes para a célula, sendo igualmente grandes causadoras de envelhecimento precoce da pele, câncer e de arterioesclerose. A gordura vegetal deixa a membrana celular mais fluente, sem obstruções.

Longevidade, coração, câncer, colesterol, diabetes e pressão alta
Ciência absolutamente favorável à alimentação vegetariana


Pesquisas do Instituto do Envelhecimento nos Estados Unidos, publicadas em 2005 pela revista National Geographic Brasil, revelaram que na Califórnia os veganos vivem oito anos a mais que os onívoros. Outros estudos na Itália constataram aumento de 45% na longevidade dos vegetarianos, enquanto uma pesquisa científica alemã constatou redução de mortalidade em 47% das mulheres vegetarianas e 56% em homens, comparando-se a onívoros. Já estudos na Inglaterra em 2005 condisseram não só com os alemães e italianos, mas com tantos outros e foram ainda mais além: a alimentação vegetariana proporciona mais anos de vida e ainda evita em 30% a mortalidade por doenças cardiovasculares, em 40% por câncer, e que os vegetarianos possuem raríssima propensão à diabetes, doenças renais, colesterol e pressão alta.

colesterol e pressão alta


No Incor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas de Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo), recente pesquisa concluiu que 41% dos onívoros apresentam taxa de colesterol acima do aceitável, e apenas 22% dos vegetarianos incluem-se neste grupo - isto é, a metade. A hipertensão arterial, detectada em 22% dos onívoros, não foi diagnosticada em nenhum vegetariano.

câncer


De acordo com a OMS, o câncer é responsável por 12,5% das mortes no mundo, figurando em segundo lugar dentre as doenças que mais matam - as doenças cardiovasculares são as primeiras. E "o padrão alimentar contemporâneo coloca a todos em uma condição de pré-câncer", diz o médico, professor, escritor e pesquisador, dr. Alberto Peribaldo Gonzalez. A OMS afirma que após o tabaco, a dieta é a principal causadora de câncer, em 30% nos países desenvolvidos e 20% nos subdesenvolvidos. Para o dr, Benedito Mauro Posse, médico do hospital A. C. Camargo de São Paulo, referência em oncologia, "90% dos casos de câncer têm causa ambiental, e 10% hereditária". A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer, órgão da OMS, atesta tudo isso: 30% dos cânceres no mundo são causados pela alimentação, em especial as mais calóricas, as ricas em proteínas e em gordura animal, e carente de fibras. Já o Centro de Prospectiva Sobre o Câncer e Nutrição da Europa, averiguando os tipos de alimentação em mais de 500 mil pessoas por cerca de dez anos em dez países europeus, revelou a relação da ingestão de carne vermelha e de frango com o câncer de intestino. Para o dr. Eric Slywitch, em cada 100 g da ingestão de qualquer tipo de carne por dia há um aumento de 12% a 17% na incidência de câncer colorretal, e 29% g de carne processada (salsicha, presunto, salame etc), aumenta tal incidência em 49%. Um dos mais conceituados estudos realizados por Gary E. Fraser, em 1999 constatou também que quem ingere carne tem 54% mais chance de contrair câncer de próstata, e 88% de intestino grosso.

Encerrando o arrasta-pé da comilança no que diz respeito ao câncer e à ingestão de carne, atente bem para isto: a acrilamida, maléfica e cancerígena reação de alimentos sobretudo fritos, está presente em lanches do Mc Donald's e de outras redes de fast food 500 vezes mais que o nível máximo permitido pela OMS. A acrilamida é uma pequena molécula formada em alimentos ricos em carboidratos quando aquecidos a uma temperatura a 120°C, principalmente quando eles são fritos.

diabetes


Estudos de Jonkins, Kendall, Marchie, Augustin, Ludwig, Bernard e Anderson constatou que a alimentação vegetariana aplicada em tratamento da diabetes do tipo 2, precisou de apenas três semanas para livrar 39% dos pacientes definitivamente da insulina, e que 71% libertaram-se dos medicamentos orais.

De acordo com o dr. Slywitch, a proteína animal acelera a perda de produção dos rins, daí a alta probabilidade de os onívoros adquirirem diabetes, ao passo que as possibilidades de que isso ocorra com um vegetariano são muito remotas.

A alimentação vegetariana proporciona todos os nutrientes necessários?


Autenticados pela ciência e comprovado na prática por milhões de pessoas, muitos especialistas afirmam que os vegetais oferecem, sim, tudo o que o ser humano necessita para ter uma saúde rica e completa.

No caso da proteína, tão mitificada, o dr. Slywitch explica que "os estudos mais antigos para avaliação da necessidade de ingestão de proteína foram feitos com animais, não servindo de parâmetro aos seres humanos. Novos estudos feitos com seres humanos demonstram que o índice de necessidade protéica não é tão alto, e pode ser facilmente alcançado com uma alimentação vegetariana". O que acontece é que muitos profissionais ainda não atualizaram seus conceitos, mas a OMS e a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação se atualizaram, e atestam esta afirmação do dr. Slywitch. Já o nutricionista, dr. George Guimarães, diretor da empresa de consultoria em nutrição Nutriveg, afirma que "em termos de porcentagem de proteína por caloria, os vegetais terão índice maior que o da carne. Por exemplo, mil calorias de brócolis têm mais proteínas que mil calorias de carne".

No que tange ao mito de que há diferença entre a proteína animal e a vegetal, sendo a segunda inferior, há uma unanimidade entre todos os profissionais aqui citados, entre tantos outros, de que isso não é verdade. Segundo a nutricionista do Hospital de Gamboa no Rio de Janeiro, dra. Patricia de Alvarenga Cascão, existe uma diferença sim, e ela pende a favor dos vegetais: "Os aminoácidos essenciais, componentes das proteínas, são encontrados nos alimentos vegetais".

Em relação ao ferro, outro mito criado em relação à alimentação vegetariana, os vegetais também são suficientes para suprir as necessidades humanas, já que verduras, sementes, vegetais verde-escuros, frutas secas, cana-de-açúcar e cereais integrais não só proporcionam ferro em grande quantidade, mas, junto dele, invariavelmente contém proteína e cálcio. E a ciência mais uma vez é confirmada na prática: muito mais onívoros sofrem de anemia por carência de ferro que os vegetarianos. Ao todo, são 500 milhões de anêmicos em todo o mundo hoje.

O que o vegano realmente carece (mas não o ovo-lacto-vegetariano), é de vitamina B12. Nos vegetais há bactérias (benéficas) que produzem naturalmente esta vitamina quando os alimentos são ingeridos pelo homem. Porém, os agrotóxicos destróem essas bactérias, de modo que os veganos, não por natureza mas por causa de métodos atuais de plantação, carecem totalmente deste nutriente. Por isso, a modernidade que mata as fontes naturais da vitamina B12 requerem saídas igualmente modernas: ingestão da vitamina, por via oral ou injetável. A falta da vitamina B!2, única que os veganos carecem, acarreta em sérios danos à saúde, tais como fraqueza e demência.

Uma questão de bom-senso
Em (des)harmonia com o meio ambiente


Dizem os cientistas que a água será motivo das grandes guerras mundiais do século XXI, o qual aguarda tal bem não-renovável com as piores perspectivas possíveis: apenas 0,35% da água da Terra hoje é doce, sendo o restante salgada ou gelo. Esse problema de escassez de água gera números aterrorizantes de mortalidade infantil e fome no mundo, e de acordo com a OMS 80% dos casos de doença nos países subdesenvolvidos provêm de água impotável.

Nos últimos cem anos, o consumo de água foi dez vezes maior, e tal fato deve-se sobretudo ao avanço da criação pecuária extensiva, a qual acompanha o avanço demográfico mundial e seu consumo de carne e laticínios. A produção de 1 kg de carne usa de 10 a 30 vezes mais água que a da mesma quantidade de cereais, além do mais a agropecuária é responsável por 70,2% do volume de água retirada dos mananciais em todo o mundo, de acordo com o professor de sistemas de irrigação e drenagem do Departamento de Engenharia Civil e Ambiental, da Universidade de Brasília, Demetrius Christofidis. E a crescente produção de carne diminui a vegetação natural, que dá lugar a novos pastos e também ajuda na contaminação da água, atingida pelas fezes dos animais que penetram no solo, chegando aos lençóis freáticos.

O gás metano é o causador do efeito estufa, que aquece o clima mundial e degrada a camada de ozônio, hoje em situação extremamente crítica. E o boi libera pela boca, a cada minuto e meio, o gás metano: quanto mais o homem ingere carne, mais se cria bois liberando, assim, gases nocivos à camada de ozônio. O carro, grande causador de degradação ambiental, é responsável por 14% do aquecimento global, ao passo que a pecuária por 18%.

Também é comprovado cientificamente que o animal sofre o mesmo grau de dor, física e emocional, que o ser humano e que a percepção do que acontece quando ele está para ser abatido faz com que libere adrenalina, neurotransmissor do susto. Esta toxina não sai da carne com a morte do animal, pelo contrário, ali permanece a qual, além de tornar o estômago humano um cemitério mais mórbido ainda, causa no ser humano ansiedade e medo, e o torna mais vulnerável ao câncer colorretal que, segundo o Instituto Nacional do Câncer, poderia ser evitado através de uma alimentação livre da gordura animal.

Mas o que muita gente não sabe é a que tipo de crueldade os animais são submetidos para chegar ao prato humano (tais barbáries serão mencionadas em outra matéria, nesta página). Quantas pessoas ao redor do mundo já deixaram de ingerir carne, apenas ao testemunhar as torturas aplicadas aos animais no abate!

Sem nenhuma das informações e análises aqui contidas, milhões de pessoas tornaram-se vegetarianas não voltaram atrás, e hoje gozam de uma vida cheia de saúde e prazer, atestando o que dizem os estudos científicos.

Em harmonia consigo mesmo


Quem acha que possui arcada dentária canina, e muitos ainda afirmam isto nos dias de hoje, reflitamos juntos; seus dentes podem perfurar a carcaça de um boi? O que você acha, honestamente: ao contrário dos carnívoros, tais como leões e onças, assemelhamo-nos mais aos carniceiros urubus, que se alimentam de carne em decomposição?

A vida moderna tornou o bem-estar e a vida acessórios, sendo o fim consumir, "parecer ser", e produzir cada vez mais não importa o quê, para atender não às necessidades do ser humano e do mundo em que vivemos de maneira construtiva, saudável e sustentável, mas sim para satisfazer o avanço das grandes corporações, da publicidade, do marketing e do capital mundial dos quais a indústria animal é grande pilar, muitas vezes passando informações infundadas para se auto-sustentar. E as conseqüências de tudo isso são a superficialidade humana que, neste sistema que vende a idéia de que não há outro sistema possível a não ser seguir à maioria como uma nuvem que se perde no céu, transforma nosso lar, a Terra, nesta catástrofe que aí está diante de todos nós onde quer que formos, impondo-nos hábitos que nem sempre são os mais indicados, "verdades" que nem sempre condizem com a realidade, e dando continuidade à sucessão de horrores contra os animais.

Quem busca sentido e vida plena expressa isso de várias maneiras práticas. No caso da alimentação vegetariana, ela pode ser muito mais que um hábito configurando-se, como é o caso de muitos, em expressão de amor e gratidão à vida, a qual é um baita presente de Deus! E bem diferentes das conseqüências que o sistema mencionado nos traz, as da alimentação vegetariana são muito maiores do que somentemente sã, corpo são - o que é verdade, como esta matéria tentou apresentar. Mas a satisfação de ser amigo da natureza e sobretudo dos animais abolindo seu silencioso sofrimento, não tem preço. O retorno vem com os benefícios que temos podido constatar: é o "efeito bumerangue" da vida.

A informação é indispensável diante de situações como esta e em um mundo como este, onde há uma "guerra" do monoteísmo do mercado contra os que buscam plenitude para a vida. Além da informação, também é necessário muitas vezes esforço para se deixar velhos costumes, e no caso de ser vegetariano o que o ser humano pode acrescentar e ser acrescentado por ela vale a pena! Mas convenhamos: em um país tropical como o Brasil, não é nada sacrificante se levar uma vida baseada em vegetais: você pode imaginar o café da manhã com suas frutas preferidas e deliciosos cereais? Pois isso o levará a excluir de seu dicionário termos como má-digestão eempanturramento. E muito provavelmente, como é o caso de muitos e muitos, não saber o que significa tomar uma cápsula de remédio por toda a vida. Não seja radical, seja livre: seja vegetariano você também!

 


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