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Ciência

Psicólogos de emergência ajudam supotrar a morte das pessoas próximas

03.11.2006
 
Psicólogos de emergência ajudam supotrar a morte das pessoas próximas

Parentes e pessoas próximas das vítimas de um acidente passam por uma situação de luto traumático que demanda atendimento psicológico altamente especializado.

Logo após o acidente com Boeing da Gol , a empresa, que é obrigada pela legislação a fornecer tal tipo de atendimento, convocou a principal especialista do país nesse tipo de trabalho, Maria Helena Pereira Franco, professora titular do Departamento de Psicodinâmica da Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e coordenadora de um grupo de intervenções psicológicas de emergência.

Segundo Maria Helena, estudos apontam que 75% das pessoas expostas a situações traumáticas podem apresentar distúrbios psíquicos e complicações associadas como depressão, ansiedade, fobia e abuso de drogas e álcool.

“Cada um enfrenta o trauma com os recursos de que dispõe. As pessoas podem ter reações violentas, raiva ou necessidade de achar um culpado. Há também reações típicas, como uma intensa angústia diante de situações que lembrem desastre, ansiedade, sensações físicas, sensação de pânico, diminuição do interesse em atividades rotineiras ou sensação de estranhamento diante de outras pessoas”, disse Maria Helena à Agência FAPESP.

O grupo da PUC-SP se reúne mensalmente desde sua formação, em 2001, para discutir técnicas de intervenção e aprofundar pesquisas originadas no Laboratório de Estudos e Intervenções sobre Luto (Lelu). O trabalho do laboratório começou em 1996 e seus integrantes atuaram nos casos da explosão de um shopping em Osasco (SP) e de um desastre aéreo envolvendo um avião da TAM, em São Paulo, no mesmo ano.

“Fomos a campo e logo identificamos a necessidade de que o trabalho saísse do cenário tradicional do psicólogo clínico. Muitas vezes atendíamos pessoas sentadas na calçada do Instituto Médico Legal, por exemplo. A partir dessa experiência, começamos a estudar e a sistematizar o trabalho, desenvolvendo especificidades para esse tipo de intervenção”, disse Maria Helena.

Num artigo, assinado por Maria Helena, a autora ressalta a necessidade de uma nova postura para o psicólogo, de modo a se adaptar às particularidades de cada caso. “Não há dois desastres iguais e cada pessoa assimila o trauma de acordo com seu histórico. Por isso, há necessidade de flexibilidade na atuação”, escreveu. Segundo o estudo, a intervenção não pode tentar modificar o padrão de personalidade da pessoa em crise. É necessário perceber a configuração da situação particular, levando-se em conta as condições individuais.

“A pessoa enlutada em condições traumáticas está fragilizada e precisa de acolhimento. O que norteia nossa prática é o cuidado para não fazer com que a pessoa pare de sofrer rapidamente, pois isso seria um mecanismo de obstrução de sua reação, com conseqüências graves. Tomamos cuidado para não evitar o assunto”, escreveu Maria Helena.

No caso do desastre com o avião da Gol, a maior parte do atendimento está sendo feita em hotéis de Brasília, onde a empresa alojou parentes das vítimas. Cerca de 300 pessoas esperam o reconhecimento dos corpos na capital federal. “Em muitos casos, os parentes não puderam viajar, inclusive por motivo de saúde. Por isso a equipe também está presente em João Pessoa (PB), Santa Maria (RS), São Carlos (SP), Belo Horizonte (MG), Vitória (ES), Cachoeiro do Itapemirim (ES) e outras cidades”, disse Maria Helena.

Agência Estado


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