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Federação Russa

Associação de Gás da Rússia apoia a proposta iraniana sobre cartel de gás

30.01.2007
 
Associação de Gás da Rússia apoia a proposta iraniana sobre cartel de gás

Os políticos e empresarios russos receberam com diferentes opiniões a proposta feita por Teerã a Moscou, para criar um cartel internacional de exportadores de gás, parecido com a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep).

 Esta proposta foi feitaesta segunda-feira (29) pelo líder supremo da República Islâmica do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, ao secretário do Conselho de Segurança do Kremlin  Igor Ivanov.

"Nossos países poderiam criar uma organização de países exportadores de gás semelhante à Opep", foram as palavras de Khamenei, de acordo com a agências noticiosas.

O deputado e ex-presidente da Duma (Parlamento russo) Gennady Selezniov considerou a idéia de Teerã "oportuna" e disse ser "possível" a criação desse cartel no futuro, ao afirmar que "os produtores de gás estão desunidos e não têm uma política única".

O vice-presidente da Associação de Gás da Rússia (AGR), Oleg Zhilin, também apoiou a iniciativa do regime iraniano, ao dizer que "permitiria aos produtores e aos consumidores de gás garantir condições mais favoráveis" para a cooperação.

Zhilin não inscreveu a eventual entrada da Rússia nessa aliança energética com o Irã dentro do atual esfriamento das relações entre Moscou e o Ocidente.

"Caso nossas relações agravem-se, não descartaria a possibilidade de criar uma estrutura organizativa única dos países produtores de gás", disse o empresário.

Em particular, Zhilin afirmou que a Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa (Pace) "se transforma em um instrumento de pressão econômica" sobre a Rússia e sobre outros países exportadores de hidrocarbonetos.

Também acusou os Estados da União Européia de restringir por todos os meios a expansão do monopólio energético russo Gazprom no mercado europeu de distribuição de gás.

Segundo Zhilin, os integrantes da eventual "Opep do gás" deveriam coordenar a extração de hidrocarbonetos e seus preços frente aos países consumidores.

O empresário lembrou que a AGR propôs em 2006 a criação de uma aliança internacional de associações nacionais sem fins lucrativos que operam no setor da produção e no transporte do gás, similar à Eurogas européia.

Naquela ocasião, a AGR convidou a Rússia a se unir nessa estrutura, assim como entidades de outros países ex-soviéticos como Cazaquistão, Turcomenistão, Uzbequistão, Azerbaidjão, Ucrânia, Belarus e Moldávia, além de ter se falado da possível participação do Irã.

O objetivo dessa aliança seria impedir a execução de projetos estratégicos ocidentais no espaço pós-soviético, como, por exemplo, o cabo de um gasoduto para exportar o gás do mar Cáspio da Ásia Central para a Europa sem passar pela Rússia, comentou a "Interfax".

  A proposta enfrentou  as críticas de Mark Urnov, presidente da fundação de programas políticos Expertiza.

"Não só aceitar, mas inclusive levar a sério esse projeto seria fatal para a Rússia, pois ficaria à margem dos países civilizados, onde suas posições já são bastante fracas", disse o analista político à "Interfax".
Afirmou que "o Irã, em seu confronto com o mundo civilizado, procura diversos pontos de apoio, e a Rússia é o único país no qual pode se agarrar, já que as nações ocidentais atuam contra ele como uma frente comum".

Urnov criticou a cooperação da Rússia com países "inimigos" dos Estados Unidos, como Irã e Venezuela, e concretamente, as vendas de armas russas para Teerã e Caracas, apesar dos protestos de Washington e de outros países ocidentais.

Além disso, o presidente da Expertiza disse que a participação da Rússia em uma eventual "Opep do gás" não só seria desvantajosa do ponto de vista político, mas não tem fundamentos econômicos, devido à falta de novas jazidas e de infra-estruturas modernas.

"Fazem muito estardalhaço sobre a nossa grandeza energética, mas, na realidade, a Rússia não tem possibilidades de desenvolver novas jazidas de gás", e seus compromissos de exportação ameaçam afetar a indústria nacional algum dia, disse o analista político.

 Com EFE 


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