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Stalin, o poeta e as escolhas da vida (III parte)

29.08.2008
 
Pages: 12
Stalin, o poeta e as escolhas da vida (III parte)

 O jornalista e politólogo britânico , Issac Deutscher, observa que Stalin não precisava de bodes expiatórios para as enormes dificuldades econômicas envolvidas na industrialização da retrógrada Rússia. O real motivo de Stalin tinha que ver com a extinção total de todas as alternativas possíveis a seu "socialismo em um só país" e à rápida industrialização decorrente. Isto é, ele esmagou a oposição. E sua época era rica em idéias alternativas.

 Desde Trotsky na extrema esquerda a todos os outros na direita. Com toda a razão Stalin suspeitava de que o Ocidente ainda estava tramando contra a União Soviética do mesmo modo que fizera no tempo da Revolução. O apaziguamento ocidental da Alemanha nazista e o apoio do Ocidente ao militarismo germânico enchia-o de pressentimentos. Não estaria o Ocidente instigando a Alemanha contra a Rússia?

As narrativas atuais do estreito envolvimento dos Estados Unidos com a Alemanha nazista, o da família Bush, por exemplo, não nasceram de paranóia de Stalin. Tratou-se de uma brutal realidade. Para Stalin, o esmagamento dos primitivos exércitos do Tsar pela Alemanha na Primeira Guerra Mundial era um pesadelo permanente.

Os reais problemas de Stalin diziam respeito a uma oposição que se tornasse capaz de formar um governo alternativo. Não uma alternativa, mas muitas. Seu método era destruí-la. Naquele tempo, era fácil igualar oposição política com contra-revolução, esta, como já vimos, o maior problema interno de Stalin. Não menos do que a oposição política já foi eliminada dos Estados Unidos e o mesmo acontece, cada vez mais, na Europa em geral, as metas de Stalin eram as mesmas, embora seus métodos e estilo fossem muito menos sutis, mesmo quando seus objetivos últimos fossem pelo menos defensáveis.

O que tem sido a nem sempre sutil política da liderança política dos Estados Unidos durante 232 anos se não a criação daquilo que é, em realidade, um sistema de partido único, tornando assim impossível a emergência de um sistema político alternativo, isto é, o Socialismo?

A revolução não é um chá para moçoilas. Não é, como sugeriu Mao, um jantar de pessoas vestidas a rigor. A revolução é dramática, drástica, mudança impetuosa, não uma época de sutilezas. As revoluções frequentemente ocorrem com a força súbita e cega dos terremotos, uma vez que as tensões e fricções cumulativas não mais possam ser controladas.

A contra-revolução era um perigo real. O primeiro dos assim chamados julgamentos de fachada de Kamenev e Zinoviev, ambos líderes bolcheviques históricos, teve lugar poucos meses depois de os exércitos de Hitler terem marchado para a Renânia. Os últimos julgamentos de Bukharin e Rykov coincidiram com a ocupação nazista da Áustria. A Alemanha, com ajuda ocidental, estava-se rearmando e escarnecendo e testando o mundo.

 O apaziguamento e a ajuda ocidentais à Alemanha nazista aterrorizaram Stalin, que só podia acreditar que o Ocidente estava incitando Hitler contra a odiada União Soviética. Ele sem dúvida temia a perspectiva de uma guerra sem ajuda contra a Alemanha. Ele sem dúvida via tal guerra como o fim da experiência soviética e como o fim dele próprio. Ele viu uma oposição usando uma nova guerra em proveito próprio para esmagá-lo e a seu Socialismo num Único País.

 Em tais circunstâncias os líderes da oposição à esquerda e à direita teriam sido capazes de derrubar Stalin. Portanto a oposição tinha que morrer como traidora. Além disso, os expurgos em seguida geraram oposição concreta, levando assim a mais e mais terror, como na Revolução Francesa. Aparentemente havia uma conspiração real entre os líderes militares. Uma trama genuína? Uma conspiração? Talvez.

Deutscher observa que "Muitas fontes não-stalinistas afirmam que os generais realmente planejaram um golpe de estado e fizeram-no por seus próprios motivos, e por iniciativa própria, não em conjunto com qualquer potência estrangeira." Deveria haver uma revolta palaciana no Kremlin, culminando com o assassínio de Stalin." A trama foi descoberta e Stalin não hesitou em eliminar a quarta parte do quadro de oficiais.

A partir de então não houve mais rebeliões contra Stalin como aconteceu com Robespierre. Não houve Thermidor para Joseph Stalin, nascido Vissarion Ivanovich Djugashvili. A nova nação soviética pouco mudou em decorrência dos expurgos. Pelo contrário, organizou-se em defesa do torrão natal e derrotou os até então invencíveis exércitos de Hitler.

Por muitos dos motivos acima, os comunistas ocidentais não abandonaram o comunismo e o lar da revolução mundial até aproximadamente 20 anos depois da morte de Stalin. Um pouco da culpa foi atribuída a Stalin, mas pouca. Se causa tiver que ser atribuída, o encarquilhamento da burocracia dos anos Brezhnev e o esmagamento da dissidência e da rebelião na Europa Oriental, especialmente em Praga em 1968, levaram finalmente ao fim da "era da inocência" de muitos comunistas ocidentais.

Embora a estátua solitária de Mayakovsky' ainda quede na Praça Triumphalnaya e muitas pessoas ainda a chamem de Mayakovskaya Ploschad, o poeta foi esquecido.

Por outro lado, embora monumentos a Stalin tenham sido demolidos em toda a Rússia, a sombra dele, contudo, paira por sobre e assombra a Rússia moderna e, do mesmo modo que os ideais da Revolução Francesa, muitas das realizações dele sobrevivem tornando a Rússia grandiosa e peculiar e seu capitalismo incerto ... para dizer o mínimo.

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