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Enterro da imperatriz Maria Fiodorovna na Rússia é um ato de "justiça histórica"

28.09.2006
 
Enterro da imperatriz Maria Fiodorovna na Rússia é um ato de "justiça histórica"

Hoje o caixão com o corpo da imperatriz Maria Fiodorovna Romanova (1847-1928) foi sepultado em uma cripta na Catedral da Fortaleza de São Pedro e São Paulo, onde fica o panteão dos Romanov. Desta forma, o corpo da imperatriz ficará junto ao de seu marido, Alexandre III (1845-94), e ao de seu filho, o último czar Nicolau II. Segundo alguns políticos e membros da Casa Real russa, a cerimônia é considerada por muitos um ato de "justiça histórica".

Maria Fyodorovna nasceu princesa Dagmar, na família real dinamarquesa. Ela mudou de nome e se converteu à Igreja Ortodoxa Russa quando se casou com o homem que mais tarde se tornaria Alexandre III. A imperatriz fugiu da Rússia depois que seu filho, o czar Nicolau II, foi assassinado pelos bolcheviques. Ela morreu no exílio, na Dinamarca, em 1928. Oitenta e sete anos depois, ela vai ser sepultada ao lado do filho e do marido, como era seu último desejo.

Em seu testamento, a imperatriz disse que queria ser enterrada junto a seu marido. Em junho de 2001, a Casa Real da Dinamarca autorizou a exumação de seu corpo do cemitério da catedral de Roskilde, em Copenhague, para que fosse levado à Rússia.

"O coração da imperatriz sempre permaneceu na Rússia. Durante seus últimos anos de vida em Copenhague, ela se sentiu como uma emigrante", disse esta semana Margrethe II da Dinamarca.

O caixão chegou no navio da Marinha dinamarquesa Esben Snare à base naval russa de Kronstadt, no mar Báltico, vindo de Copenhague, cidade natal de Maria Fiodorovna e para onde fugiu após a vitória dos bolcheviques na Rússia.

O corpo do último czar e os de sua família foram encontrados em 1979 e, após terem sido identificados, foram enterrados na fortaleza de São Pedro e São Paulo em 1998. O então presidente russo, Boris Yeltsin, assistiu ao enterro.

A cerimônia, na qual as autoridades locais gastaram mais de US$ 1 milhão, começou esta manhã no suntuoso Palácio Peterhof e, logo após, o cortejo fúnebre foi para a residência de verão dos czares em Tsarskoye Selo.

Em seguida, o caixão foi levado à Basílica de São Isaac, conhecido como o templo dos Romanov, onde o patriarca ortodoxo russo Alexei II celebrou um serviço religioso.

"Hoje, rendemos tributo à memória da filha da Casa Real dinamarquesa. Maria Fiodorovna se dedicava muito à beneficência, era uma hábil diplomata e uma estadista", disse Alexis II durante a homilia.

O enterro na fortaleza de São Pedro e São Paulo, às margens do rio Neva, foi acompanhado pela benção do patriarca à alma da imperatriz, que chegou à Rússia há 140 anos para se casar com Alexandre III.

Depois de os participantes da cerimônia jogarem sobre o caixão terra trazida especialmente da Dinamarca, os canhões da fortaleza dispararam 31 salvas - correspondentes à idade da imperatriz quando ela chegou à Rússia.

Participaram da cerimônia os príncipes dinamarqueses Frederik e Mary, além de outros representantes das monarquias européias, como Constantino da Grécia, o príncipe Michael de Kent da Inglaterra e cerca de 50 membros da família Romanov.



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