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Por que a Rússia não se importa com espionagem da NSA

27.10.2013
 
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O escândalo em torno das aсtividades da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) vai aumentando. Revelações recentes sugerem que até os funcionários públicos americanos forneceram os números de celular dos seus colegas estrangeiros á NSA. Muitos países já manifestaram-se protestando. Mas por que é que a Rússia está em silêncio ? Esta questão foi explica ao Pravda. Ru pelo major-general aposentado do FSB (ex KGB), Eugenio Lobachev .

Segundo o último documento interno da NSA (datado de 27 de outubro de 2006) promulgado no jornal The Guardian, a NSA tem encorajado os seus funcionários mais graduados na Casa Branca, no Pentágono e no Departamento de Estado, entre outros órgãos, a compartilhar suas agendas, obtendo assim acesso aos números de telefone dos líderes. Apenas um funcionário público, o nome e o título do qual não foram divulgados, deu a NSA "200 números de telefone, dos quais 35 eram dos líderes mundiais ", diz o documento.

Esta divulgação coincidiu com um escândalo em expansão na Alemanha, onde ficam discutidas as informações que o celular da chanceler Angela Merkel pode ter sido "grampeado" pelos EUA. Em resposta à reação furiosa de Berlim, o porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, limitou-se a recusar  confirmar referida informação .
 
Escandaloso não é tanto o fato de tais actividades  por parte  da NSA, como a sua escala e duplos padrões da administração dos EUA, que há pouco acusou a China de violar a privacidade na Internet, e agora não pode dizer nada de inteligível além de o vir  feito em nome da luta contra o terrorismo.


" Estamos revendo métodos de coleta de informações, de modo a atingir um equilíbrio entre as preocupações com a segurança dos nossos cidadãos e aliados e uma preocupação geral à protecção da privacidade ", — explicou Carney .


"Os Estados Unidos sempre se distinguiram pelo fato de ficarem interessados principalmente pelos seus interesses nacionais, e só depois pelas normas do direito internacional, e no último momento pela ética " — disse ao Pravda. Ru o vice-diretor do Instituto dos EUA e do Canadá da Academia de Ciências da Rússia, Pavel Zolotarev. Em outras palavras, " os nossos cidadãos nos apoiam, e não nos importamos com  seus desejos".

Devido a recursos técnicos actuais, os serviços de inteligência dos EUA podem facilmente abrir qualquer conta bancária, correspondência privada, escutar telefonemas, fazer espionagem em redes sociais. E realmente fazem-no, incluindo a NSA, recebendo benefícios políticos e econômicos consideráveis ​​(e não só para o Estado, mas também para o cliente particular, por tanto realizam encomendas comerciais de espionagem industrial).  Em entrevista ao jornal francês Le Monde o Presidente da Comissão de Legislação na Assembleia Nacional (parlamento), Jean -Jacques Urvoas informou que o orçamento da NSA é cerca de $ 75 bilhões anuais, conta com o pessoal de cerca de 110.000 funcionários,  e tem uma co- operação de subcontratados de ampla escala.


Quais conclusões podem ser tiradas a partir das revelações do ex-funcionário da NSA, Edward Snowden ? Primeiro, os abusos por parte dos Estados Unidos questionam a natureza civilizada da sociedade americana, da qual falam tanto e  que procuram impor ao mundo.  EUA minaram a confiança dos seus parceiros. A União Europeia anunciou que poderia congelar acordo com os Estados Unidos para Programa de Deteção do Financiamento do Terrorismo (TFTP). E os deputados  europeios exigiram a suspensão do acordo com os Estados Unidos sobre a troca de dados dos passageiros e  das negociações sobre um acordo de comércio bilateral livre.

Se haverá uma tendência a isolar os Estados Unidos no mundo? "Acho que  altercarão um pouco e se acalmarão — disse ao Pravda. Ru, Eugenio Lobachov, o major-general em aposentaria do FSB (Serviço Federal de Segurança) da Rússia. "Não têm nada para opor-se aos Estados Unidos, combinarão em qualquer coisa e sossegarão. Trata-se do dinheiro e das relações económicas "- disse.

"As relações aliadas devido a este escândalo ficarão na mesma. Mas para a formação de novas regras de direito internacional no campo, daí vamos ter um impulso. Americanos até agora mantêm -se opostos a desenvolvimento de tais documentos, uma vez que poderia levar ao fim a sua hegemonia na Internet. Mas agora, parece, tenham de fazer concessões ", — disse ao Pravda. Ru o vice-diretor do Instituto dos EUA e do Canadá, Pavel Zolotarev.

Segunda conclusão é seguinte. Além destas medidas legais, sugeridas por Zolotarev, muitos Estados serão obrigadas a tomar providências técnicas para combater a espionagem. Fica bem discutindo no Brasil, onde sob o controle dos americanos está cerca de 80 por cento da pesquisa on-line e tráfego da Internet. Trata-se de se mudar o usuário nacional para o servidor local, colocar o seu próprio cabo oceânico para a Europa,  fazer comunicação pelos seus próprios satélites. Falam da instalação dos seus próprios sistemas de pagamento, software, correio electrónico, apelam a recusar  usar as redes sociais americanas, vistas em conjunto com a NSA (Facebook, Google) .

Em terceiro lugar, podemos  discutir sobre a resposta adequada, que é difícil de implementar, até que o suporte técnico esteja nas mãos dos americanos.  Devemos começar com o ponto organizacional. Hegemonia dos EUA na Internet existe graças a acordo no seio da União Internacional de Telecomunicações (UIT) que forneceu a autoridade de fazé-lo á ICAAN (Sociedade Internet para a Atribuição de Nomes e Números), uma empresa não comercial com sede na Califórnia.  Na verdade, não é nenhuma empresa não governamental, pois passou o direito de controlar os serviços de Internet para o governo dos EUA. Mas a UIT pode privar o monopólio dos EUA da governança da Internet contando com o apoio de mais da metade dos seus integrantes (192 países). Por enquanto os americanos resistiram com sucesso a essas tentativas ( incluindo as da Rússia).

E se há um potencial de resposta adequada na Rússia ? " Não temos essa capacidade" — diz o major-general do FSB , Lobachev. " 90 por cento dos servidores ficam localizados nos Estados Unidos, ou seja, a fonte que transmite o sinal,  ou nos territórios dos seus parceiros. Para organizar tais escutas por nossa parte, é necessário organizar o nosso próprio sistema de comunicação e recursos tecnológicos próprios. Não os temos. Mas não precisamos deles. Observe, os nossos líderes nunca protestaram e não agem de acordo com as revelações de Snowden. Porque temos  tipos de comunicação criptograficamente muito fortes que os americanos até agora não podem decifrar .É por isso que as nossas fontes mais importantes podemos proteger. É pena que não possamo-lo  garantir para todos os nossos cidadãos, mas do que precisamos proteger, fazemo-lo", — disse o general .
 
O especialista acredita que o mundo devia ouvir o sinal de alarme nos dias da operação da Otan na Iugoslávia. Naquela, os norte-americanos para proteger seus aviões cortaram vários tipos de comunicações, até completamente "desligaram" a Ucrânia. Na Rússia, este alarme foi ouvido.

Lyuba Lulko

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