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Federação Russa

A irresponsabilidade criminosa da política externa ocidental

27.08.2013
 
A irresponsabilidade criminosa da política externa ocidental. 18781.jpeg

Mal um dia tinha passado desde um aparente ataque com armas químicas na zona rural de Damasco e lá está o Ministro de Relações Externas britânico, William Hague, fazendo insinuações praticamente culpando o governo sírio, chegando a conclusões antecipadas como ele e seus parceiros fizeram na Líbia. Isso poderia ser rotulado de irresponsabilidade criminosa.


Já um indiciamento foi feito acusando William Hague e a liderança política dos países da OTAN de crimes de guerra na Líbia (*, em inglês); acrescentado a isso é a violação do direito internacional na Síria, financiamento, auxilio e apoio a grupos terroristas para desestabilizar o governo legítimo do país. Assim, após o histórico recente da OTAN, liderada pelo Eixo FUKUS (France-UK-US, ou França, Reino Unido e os EUA), depois das suas campanhas de mentiras, enganos, arrogância, intimidação, chantagem e chauvinismo, que são as palavras-chave da política externa da OTAN, e sempre foram, quem pode acreditar em uma palavra que eles dizem?

Lembram-se das armas de destruição maciça de Saddam Hussein? Lembram-se das "provas", produzidas pelos serviços de inteligência britânicos, que acabaram por ser uma tese de doutorado escrita uma década antes, copiada e colada da Internet, "melhorada" pelo regime de Blair e utilizado pelo regime de Bush na sua campanha de mentiras na ONU?

Lembram-se do urânio yellowcake que o governo iraquiano estava a procurar na "Nigéria" (excepto que o país que o vende é Níger, e Iraque não procurava coisa alguma)? Lembram-se da "ameaça imediata" representada pelo Iraque e as suas Armas de Destruição Maciça (que não tinha) justificando a cruzada ocidental contra esse país rico em petróleo e estrategicamente importante do Médio Oriente?
 
Então, agora, quando William Hague se dedica mais uma vez a uma campanha de demonologia que poderia ser considerado irresponsabilidade criminosa, insinuando que o governo do presidente Assad foi responsável por um ataque com armas químicas na zona rural de Damasco, quando ainda não há um pingo de provas, e quando por outro lado o dedo se aponta à "oposição" - terroristas que ele e sua Foreign and Commonwealth Office apoia, quem vai prestar atenção a aquilo que Hague e ou seus homólogos franceses dizem?

Afinal, eles estão apenas fazendo o trabalho de seu mestre no outro lado do Atlântico, esperando pacientemente com as suas tropas já na Jordânia enquanto o bichon da França e o caniche-chefe Grã-Bretanha preparam a opinião pública com mentiras.

Isso não é uma política externa responsável, é a pior forma de manipulação, sinistra, da verdade, tentando criar uma causus belli onde não existe. As declarações de William Hague devem ser examinadas por aqueles que têm o poder de fazer cumprir o direito internacional e, no mínimo, a sua incompetência absoluta para manter o seu cargo deve ser revelado. Suas observações quando não existem provas sobre quem lançou o ataque com armas químicas, afirmando que atacar isso deve abrir os olhos de algumas pessoas que não entendem a crueldade do governo de Assad, é uma tentativa muito pueril de repartir a culpa antes do curso do devido processo legal.

 Ao fazer tal afirmação, William Hague está colocando-se contra qualquer forma de investigação legal ou qualquer processo de exame das provas, avaliação e julgamento antes de disparar, ou disparatar.

Na verdade, William Hague representa a caça à bruxa do passado Medieval, em que as mulheres foram sumariamente acusadas em público "Ela é uma bruxa!". Em seguida, foram colocadas em uma cadeira de bruxa e mergulhadas em um rio por cinco minutos. Se ela morreu, ela era uma bruxa, se ela sobrevivesse, ela era inocente. William Hague não é, portanto, competente para representar a política externa britânica, que é suposta ser baseada na ética e do Estado de Direito.


Qualquer ser humano inteligente, e Hague, não é, aparentemente, nem uma coisa nem outra, colocaria a questão que possível vantagem o Governo do Presidente Assad teria em dispor de armas químicas em uma área onde suas forças estão ganhando, na véspera da equipe de inspeção da ONU começar seu trabalho. Qualquer análise inteligente da situação iria questionar que vantagem seria adquirida para o Governo em gaseamento de crianças e civis.

Qualquer avaliação inteligente iria questionar por que os chamados vídeos contundentes apareceram no You Tube datada de 20 de agosto, quando os ataques teriam ocorrido em 21 de agosto. Qualquer exame equilibrado de todo o assunto teria levado em conta as declarações da própria ONU em maio que a "oposição" era de fato responsável por anteriores ataques de armas químicas, inclusive com gás sarin. Nenhuma vantagem para o Governo, de todas as vantagens para a "oposição".

Quem sabe o que passa se lembraria dos laboratórios da oposição descobertos no ano passado, nos quais os terroristas estavam a torturar coelhos vivos com agentes nervosos e quem sabe o que está a acontecer no terreno está bem ciente de que os grupos terroristas e seu mercenários albaneses/al-Qaeda/afegãos/líbios estão perdendo em todas as áreas de batalha e que já usaram armas químicas tentando colocar a culpa no governo.

E lá está William Hague dizendo que aqueles que apoiam do governo da Síria devem ver a sua "natureza assassina". Por isso, vamos pedir a William Hague para fazer uma declaração, agora, sobre o uso anterior de armas químicas pelas suas forças da "oposição", confirmados pela ONU em maio.

Mas não, ele vai permanecer em silêncio e vai continuar a comportar-se como um lacaio dos EUA, semeando interferência, ingerência, arrogância, representando uma política desactualizada, manipuladora, insolente e totalmente errada. Pode não haver ningu~em neste mundo agora que os julgue mas a posteridade escreverá seu epitáfio.

(*) http://english.pravda.ru/opinion/columnists/06-11-2011/119534-indictment_nato-0/

Timothy Bancroft-Hinchey
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