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Federação Russa

Putin: Nada de Stalinismo na Rússia

27.04.2013
 
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Em 25 de abril o presidente russo, Vladimir Putin realizou o diálogo anual televisivo ao vivo com os cidadãos russos. Para Putin foi a décima primeira conferência neste formato, que não perdeu sua actualidade. Putin estabeleceu um novo recorde, respondendo às perguntas por 4 horas e 47 minutos. Mais de três milhões de perguntas foram recebidas no total, Putin respondeu às 85.

"Este formato é bem conhecido. Claro, em alguns momentos pode ser formal, mas mesmo muito útil. É-me absolutamente óbvio e exacto. Tais contactos directos com os cidadãos dão correcta informação do que representa o maior interesse para a sociedade. Portanto, uma troca directa de pontos de vista, informações directos, recebendo a ligação de volta das regiões é extremamente importante e extremamente útil ",- disse Putin.

Como nas vezes anteriores, havia muitos assuntos a discutir. Tradicionalmente, Putin prestou muita atenção às questões de desenvolvimento econômico e social. Além disso, os participantes da conferência (incluindo expertos) estiveram altamente interessados por componente política da conversa.

Passou menos de um ano desde a  posse de Vladimir Putin. No entanto, estes meses foram extremamente importantes para ele no sentido político. Trata-se de mudanças na área dos direitos e das liberdades políticos,  lei eleitoral, e, claro,  eficácia do governo formado por Putin, pelo menos acerca de vários membros do governo. 
 
"É necessário que todos os líderes de qualquer categoria, tanto em estruturas presidenciais, como no governo devam sentir e compreender o que os cidadãos comuns estão monitorando de perto o nosso trabalho e dão-lhe a sua avaliação," — disse Putin.

Quanto aos requisitos de demitir um, dois ou todos os ministros do gabinete ao mesmo tempo, Putin explicou que o governo estava trabalhando há menos de um ano, por isso é preciso dar às pessoas uma oportunidade de realizarem-se ou vir a compreender de que alguém não está em função para fazê-lo. "Repito, reclamações podem ser grandes, mas se uma reorganização é necessária, eu ainda não sei. Provavelmente,  traz mais do mal do que do bem ", disse o presidente.

Falando de ministros, Putin mencionou ex-ministro das Finanças Alexei Kudrin. Segundo o presidente, Kudrin recebeu pedidos de retorno dos órgãos do poder de Estado, mas  disistiu.

Quanto à oposição russa, Putin disse que se nega a dialogar com as autoridades. "Quanto à tal chamada oposição não parlamentar, oferecemos-lhe este diálogo, mas alguns líderes da oposição evitam-no",- disse Putin.

"Talvez algo que a oposição ofereça e diga tornar-se-á mais compreensível para a nossa sociedade, talvez a gente precise de alguma das suas ofertas. Talvez ela esteja capaz de impulsionar o governo às coisas não muito populares, mas necessárias para a economia", - disse Putin.

"O conceito de oposição não parlamentar,  parece-me, deve gradualmente perder a sua relevância", — disse o presidente, lembrando que a nova lei prevê o direito de formar partidos políticos com custos burocráticos mínimos. " Gritar "socorro" é uma coisa, mas oferecer uma agenda positiva é outra. E isso só pode ser feito de uma forma legal, usando o poder dado pela lei. Eles ficaram convidados a agir, lutar, entrar no parlamento e provar a sua certeza ", — disse Putin.

Na verdade, isso pode ser considerado uma resposta aos opositores do Kremlin, dizendo que o parlamento russo é inteiramente controlado pelo governo. "É um erro, penso eu, de acreditar que em algum outro país, os EUA, por exemplo, o Congresso e o Senado são pouco controlados e no nosso país — completamente. Nada disso! Não está compatível com a prática de nossa vida política ",- explicou.

De acordo com Putin, a Rússia tem o partido ( Rússia Unida), o que representa a maioria no poder legislativo e forma o gabinete dos ministros. Mas, como mostra a prática, mesmo no partido do governo, as pessoas têm pontos de vista diferentes. Em geral, ao longo dos últimos anos, Duma de Estado (Câmara baixa do parlamento) tem mostrado que serve como um campo de batalha real das opiniões, idéias e personagens.

O nome do falecido oligarca russo Boris Berezovsky surgiu durante a conferência também. Para ser mais preciso, foi a sua "carta de arrependimento" a Putin, anunciada só depois de sua morte. O presidente confirmou que  recebeu duas cartas do oligarca fugitivo. A primeira chegou em fevereiro deste ano, e a segunda veio após a sua morte. "Uma carta foi escrita à mão, na íntegra, a segunda — em parte: primeiro manuscrito, texto digitado em seguida, e depois, à mão de novo", — disse o presidente. No entanto, Putin não revelou quaisquer detalhes sobre o conteúdo das letras. Ele só disse que Berezovsky escreveu que  tinha feito um monte de erros e causado danos. Ele pediu a Putin perdão e uma oportunidade para voltar à sua terra natal.

Putin ressaltou que nunca tinha estado em estreita relação com Berezovsky. "Nós éramos conhecidos. Alguns dos meus colegas imediatamente pediram-me para eu divulgar o conteúdo das letras. Estou muito grato a Deus de me ter salvado disto",- disse Putin, acrescentando que não respondeu às cartas por causa da necessidade da sua análise jurídica, que tinha demorado.

Quanto aos outros problemas relacionados com a política, pode-se mencionar o escândalo com a empresa Oboronservis (o processo criminal de roubo no sistema do Ministério da Defesa) que, sem dúvida, ganhou cores políticas. "O caso (de Oboronservis) será levado a um ponto final. Mas isso não significa que devemos, por razões políticas, a fim de ficar bem na frente de cidadãos indignados, colocá-los (os suspeitos) na cadeia, a qualquer custo. Não precisamos de voltar a esse período escuro — a 1937 ", disse Putin.

A questão sobre o destino do blogueiro russo Alexei Navalny, que atua como réu no processo criminal em grande desfalque na região de Kirov, também pode ser referida a esta categoria. "Estou confiante de que o processo sobre este e outros casos será extremamente objectivo. " Afinal chamei a atenção do Gabinete do Procurador-Geral e outras agências de aplicação da lei para este problema", — disse o presidente.

Mas, ao mesmo tempo, Putin enfatizou que "as pessoas que lutam contra a corrupção, devem ficar bem honestas, caso contrário, tudo isso toma a forma de auto-PR e propaganda política. "Todos devem ser iguais perante a lei. E ninguém deve ter ilusões. Se alguém gritar "parem o ladrão," isso não significa que para ele próprio é permitido roubar ",- disse o chefe da Rússia.

Vladimir Putin explicou a sua posição sobre outro problema que causou uma forte reacção na sociedade. É sobre a proibição aos funcionários ter contas bancárias  e da propriedade no exterior.

Segundo o presidente, não há nenhum obstáculo — seja moral ou legal — para que as pessoas sejam livres para escolher onde depositar seu dinheiro ou comprar apartamentos. "Mas há uma categoria especial de pessoas que, conscientemente, escolhem o serviço público, e deixa -lhes decidir por eles mesmos o que é mais importante: manter seu dinheiro no exterior ou servir para os cidadãos da Federação Russa nestes altos cargos atingidos na ênfase das suas carreiras", — disse Putin.  Acrescentou que tal "oficial" está sempre em um estado de dependência em relação ao sistema de Estado em que ele ou ela mantém o seu dinheiro.

Este problema pode parecer exagerada para alguns. No entanto, não se pode negar o fato de alguns governos estrangeiros usarem todas as oportunidades para fazer pressão sobre as autoridades russas.

Em particular, como a chamada "lista Magnitsky", que foi uma manifestação de "agressão imperial dos EUA", segundo Putin. De acordo com ele, as autoridades americanas foram forçados a cancelar a emenda Jackson-Vanik, como na situação actual era prejudicial para os empresários norte-americanos. "Eles (os Estados Unidos) tiveram que cancelá-la (a emenda Jackson-Vanik). E teria sido uma boa razão para fazê-lo, esquecer tudo o que tínhamos tido nos dias da Guerra Fria e seguir em frente. Mas eles tiraram para cima um outro acto, necessariamente, anti-russo (a lista Magnitsky). Por que foi feito? Simplesmente para mostrar que são os caras mais legais. Por quê? É o comportamento imperial no campo da política externa ", — disse o presidente da Rússia.

Em geral, avaliando o estilo da sua política, Putin disse que era impossível comparar o actual modelo de governança com o de época de Stalin. "Não acho que haja qualquer elemento do stalinismo aqui. Stalinismo está associado com o culto da personalidade e das violações em massa da lei, repressões e acampamentos de concentração. Nada há semelhante na Rússia, e espero que nunca haja ", — disse Putin, salientando que na Rússia deve governar a "ordem e disciplina".

"Todos os cidadãos da Federação da Rússia, independentemente da sua posição oficial, estão iguais perante a lei",- disse o presidente, acrescentando que as meninas do Pussy Riot e jovens que cometem actos de vandalismo em túmulos de soldados devem ser responsabilizados perante a lei.

Lev Pravin

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